O jogo bruto da política, transformada em questão PPP: polícia, picadeiro e/ou psiquiatria

por Sulamita Esteliam

Não vou chover no molhado. Hoje pensei em escrever sobre a estupidez, o delírio e a desfaçatez reinantes. Mas desisti quando li os textos que o A Tal Mineira reproduz mais abaixo.

Faço minhas as palavras dos colega Fernando Brito, editor e faz-tudo do Tijolaço, de segunda a segunda, com ene postagens diárias.

Às vezes me pergunto quando é que ele come, dorme, se diverte, dorme, se é que dorme.

O outro texto é do também colega Luis Nassif, editor do Jornal GGN. Outro que, a despeito de dispor de estrutura e suporte profissionais, parece movido a trabalho, mas ainda encontra tempo para dar vazão ao outro talento, o musical.

Já joguei nesse time, do trabalho acima de tudo. Agora faço meu próprio tempo segundo minhas necessidades. Mas bato palmas para os dois.

Ambos os textos conversam entre si, embora, na superfície, tratem de assuntos diferentes.

Na essência, é o jogo bruto da política transformada em questão PPP: de polícia, picadeiro e/ou psiquiatria.

Vamos lá, com a ajuda luxuosa do nosso querido Renato Aroeira, genialidade e raro poder de síntese:

Enfrentar a brutalidade é um dever civilizatório

por Fernando Brito – no Tijolaço

Conrado Hübner Mendes, professor da Faculdade de Direito da USP, cunha na Folha, hoje, uma expressão reveladora destes tempos.

É o que ele chama de “Produto Interno da Brutalidade Brasileira (PIBB)”.

O nosso “déficit em direitos, tolerância cívica e institucionalidade democrática”.

Não passa dia sem que haja uma profusão de barbaridades ou infantilidades impróprias ao convívio social.

Do nada, Jair Bolsonaro reclama da “pirralha” a mocinha que o mundo acolheu, porque ela defendeu os indígenas mortos – o que ele não fez – e não desdenhou da defesa da florestas. Defendeu a prisão dos ativistas – quem sabe em conluio com Leonardo di Caprio – que estariam queimando a mata e “passou pano” para seu indicado para a Fundação Palmares, por lei a defensora da cultura negra, sugerindo como primeira medida acabar com o dia, justamente, da Consciência Negra”.

Seu delfim, Eduardo, culpa a população pelo massacre de Paraisópolis, seu grão-vizir Sérgio Moro diz que não recebe o presidente da Ordem dos Advogados senão quando ele parar de criticar o presidente, seu ministro da Educação insiste que plantar maconha e o agronegócio das universidades.

Ah, sim, depois de 11 meses de estagnação, 60% dos empresários, segundo pesquisa da CNI, vão na contramão do povo em geral e acham ótimo o governo que corta direitos de seus empregados, mostrando que quem aposta mesmo na luta aberta de classes são eles, que se contentam com um mercado onde nem 40% dos brasileiro pode ser visto, de verdade, como consumidor.

Em dois dias, apenas, uma carga de estupidez destas de causar vergonha a estúpidos.

Sem, claro, contar as cenas de brutalidade explícita, de agressões covardes, de práticas racistas, de humilhação e violência que nos chegam pelas redes.

Hübner tem razão: este PIBB, o da Brutalidade, é o que desgraçadamente cresce em nosso país.

*******

O caso Lulinha e o joga-pra-ver-se-cola da República do Paraná, por Luis Nassif

É apenas um lance de quem tem uma única estratégia defensiva: explorar politicamente as ações contra Lula, visando se blindar a si próprios.

por Luis Nassif – no Jornal GGN
Reprodução

A ofensiva da Lava Jato contra o filho de Lula, em cima de episódios antigos, já fartamente explorados, significa apenas um lance de quem tem uma única estratégia defensiva: explorar politicamente as ações contra Lula, visando se blindar a si próprios.

Não está fácil a vida da Lava Jato. 

O procurador Roberto Pozzobon, o titular da ação, é personagem central do caso Tacla Duran – que deverá entrar nas analises da correição aberta pela Procuradoria Geral da República.

A juíza Gabriela Hardt se desmoralizou valendo-se do copy-paste em sentenças de ampla repercussão. Em geral recorre-se à cópia em casos recorrentes.

Ao mesmo tempo, o PGR Augusto Aras repõe a ordem natural das coisas, trazendo de volta a capacidade da PGR de indicar assessores. Até então, a República de Curitiba atuava como se fosse um poder à parte e superior à própria PGR, graças à pusilanimidade do ex-PGR Rodrigo Janot e aos receios da sua sucessora Raquel Dodge.

Ao explorar novamente o caso Gamecorp, a República de Curitiba apenas reforça a parcialidade, em um momento em que o Supremo Tribunal Federal irá julgar a suspeição de Sergio Moro – o comandante em chefe da turma.

Tenho a impressão de que essa joga-pra-ver-se-cola não vai colar.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s