Ex-ministra Tereza Campello participa do Seminário sobre Desigualdade Social - Foto: Sérgio Silva/FPA

A desigualdade um dia bate à sua porta, não adianta fugir…

por Sulamita Esteliam

Até as areias da Praia de Boa Viagem, que costumo nomear como “meu quintal” – agora um pouquinho mais distante, mas muito mais próxima para mim do que para muita gente que habita esta cidade do Recife, um privilégio – sabem: não há solução para o Brasil sem enfrentar a dívida social desde a colonização; a desigualdade secular, imensa, violenta e cruel.

Não adianta fazer arminha, disseminar mentiras e fazer piadinha grotesca ou patética, que não passa. E o auto-engano um dia bate em sua porta, da pior forma. Nem o terra-planismo delirante salva.

A menos que você fuja para as terras geladas da Groelândia… Ainda assim terá que lidar com a sua consciência. Ou não.

Transcrevo matéria capturada no GGN, por necessária para a compreensão do que se passa neste país, ao que parece, afastado do Criador, onde o nome do filho Jesus é brandido em meio a pregação de violência, preconceito e indiferença.

Sem enfrentar a desigualdade, o país não tem solução

Tereza Campello participou do Seminário sobre Desigualdade Social, realizado na última sexta-feira (31) em São Paulo, ao lado de Lula e outros debatedores

Ex-ministra Tereza Campello participa do Seminário sobre Desigualdade Social - Foto: Sérgio Silva/FPA
Ex-ministra Tereza Campello do Desenvolvimento Econômico – Foto: Sérgio Silva/FPA

do Instituto Lula, via Jornal GGN

Não há solução para o Brasil que não passe por atacar de frente a imensa desigualdade que assola o país — e que tem se aprofundado nos anos recentes, segundo dados do IBGE. A avaliação é de Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em uma época não tão distante, quando a renda dos brasileiros e brasileiras mais pobres cresceu 85% e as desigualdades — social, racial, de gênero — foram encaradas como prioridade pelo governo federal.

Tereza participou do Seminário sobre Desigualdade Social, realizado na última sexta-feira (31) em São Paulo, ao lado de Lula e outros debatedores. A ex-ministra iniciou sua fala negando o mito de que o ex-presidente promoveu inclusão meramente econômica, não tocando em temas estruturantes da vida nacional. “A direita criou a fantasia de que a inclusão nos anos Lula se deu apenas via consumo”, afirmou. Preocupa Tereza que o discurso de desqualificação das medidas adotadas pelo governo federal a partir de 2003 seja “assimilado por parte da esquerda”.

Após a afirmação, Tereza explicou: o que houve no Brasil durante os governos Lula e Dilma — além de um aumento geral da renda e, consequentemente, do consumo — foram mudanças estruturais na sociedade. Os esforços foram empreendidos no sentido de superar a desigualdade social no país, destacou Tereza. “Ainda é pouco, mas foram mudanças muito importantes em um curto espaço de tempo. Estamos falando de 13 anos, inseridos em mais de 500 anos de Brasil”, ponderou.

Durante sua exposição, a ex-ministra apresentou dados que comprovam que o Brasil viveu mudanças profundas — algumas irreversíveis — depois que Lula assumiu a Presidência.

Sobre a renda dos brasileiros e brasileiras, os dados são contundentes: entre 2002 e 2015, a renda média da população cresceu 38% acima da inflação. Para os mais ricos, o aumento foi de 23%. Já entre os mais pobres84%.

Mudanças estruturais

Mas olhar só para a renda não é suficiente para entender o que aconteceu com os mais pobres neste país”, destacou Tereza. Exemplificando, levantou números referentes à educação.

Entre 2002 e 2015, o número de jovens no ensino médio cresceu de 40% para 57%. O que chama mais atenção, no entanto, é o aumento na classe mais carente: entre os mais pobres, a taxa passou de 10% para 39%.

Conforme Tereza, essas conquistas só foram possíveis graças aos maiores salários e oportunidades de emprego para os pais dos jovens, que puderam liberar seus filhos para estudar; ao Bolsa Família, que, além de aumentar a renda das famílias, exigia que as crianças frequentassem as aulas; ao oferecimento de merenda e transporte escolar; entre outras medidas.

Tereza ainda lembrou que, ao tratar de mudanças estruturais, é fundamental analisar o recorte racial da sociedade, uma vez que o país ainda carrega muitas heranças de seu passado escravocrata.

Em 2002, 1,8 milhões de jovens brancos estavam no ensino superior— número que cresceu para 2,3 milhões em 2015. Já entre os negros, o aumento foi de 268% no mesmo período, passando de 441 mil para 1,6 milhões.

Também no que se refere à saúde, o Brasil vivenciou mudanças profundas em sua realidade. O acesso à água de qualidade chegou ao patamar de quase universalidade em 2015, atingindo mais que 95% da população brasileira. O que chama a atenção, porém, é o crescimento da oferta entre os mais pobres: de 49% em 2002 para 76% apenas 13 anos mais tarde.

São, também, 48 milhões de brasileiros beneficiados com saneamento básico, o equivalente a uma Argentina inteira. São crianças que deixaram de morrer de diarreia”, completou a ex-ministra.

Concluindo, Tereza Campello alertou para a volta da pobreza e da miséria no Brasil, mas foi categórica: “É mentira que, por isso, não valeu de nada o que foi feito nos governos Lula e Dilma. O pobre hoje não voltará a ser como o pobre de antigamente. Ninguém vai tirar os fios que levaram energia para 16 milhões de pessoas com o Luz Para Todos, ninguém vai acabar com 1 milhão de cisternas que foram construídas pelo Brasil. Provamos que é possível mudar esse país”.

Mas a ex-ministra não considera, por isso, menos grave a desorganização do conjunto das políticas públicas no Brasil de Bolsonaro. “Para garantir que as curvas um dia se encontrem, é preciso avançar. Combate à desigualdade social não é bom só para o pobre, não se trata apenas de justiça social. A desigualdade é um obstáculo ao desenvolvimento econômico”, concluiu.

Após Tereza Campello, foi a vez de Lula falar. O ex-presidente destacou a importância de a militância se apropriar dos dados apresentados pela ex-ministra: “Se tivéssemos mais consciência do que fizemos, teríamos mais condições de enfrentar o debate”. E finalizou: “Ou a gente resolve o problema dos mais pobres, ou não vamos resolver o problema do Brasil”.

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