Genocídio: o rebanho adoece e morre, mas não imuniza sem vacina. E quanto mais pobre maior risco

População pobre é a mais vulnerável ao Covid-19 – Foto: Veetmano Prem/JCMazella- Ensaio MZConteúdo
por Sulamita Esteliam

“Absurdo antiético”. A definição é do infectologista Pedro Hallai, reitor da Universidade Federal de Pelotas e coordenador da pesquisa que investiga o contingente real de infectados por Covid-19 no Brasil. Fala expressa em entrevista à BBC Brasil. Deixo o acesso ao pé da postagem

Definição perfeita, no campo da elegância politicamente correta. Um desperdício ou um luxo para o nível e o tamanho do descaso e da irresponsabilidade do desgoverno, levado a cabo, sem trocadilho, pelo capiroto-genocida e seus milicos e aloprados delirantes de plantão.

Por imunidade do rebanho entenda-se a contaminação de 60% a 70% da população, o que, em tese, impediria o vírus de se espalhar, porque a maioria da gente está imune.

Foi o que fez a Suécia, que inspira o capiroto, segundo disse, o que é estapafúrdio, para dizer o mínimo.

Ora, a Suécia é um país menor do que Minas Gerais; em território – quase 100 mil quilômetros quadrados a menos -, e um pouco menos da metade da população do estado onde Euzinha nasci, cresci e me fiz quem sou: 10,23 milhões para 20,87 milhões.

Sem contar que o país europeu deu-se mal, tanto que recuou quando viu a quantidade de gente que morreria antes de atingir o objetivo.

Longe de ser essa a preocupação do desgoverno e seu avesso de comandante, louvador de cloroquina. “E daí, não sou coveiro!?”

A pressão sobre os gestores estaduais e municipais, que bem ou mal contiveram a pandemia nos padrões conhecidos, para “deixar” a economia voltar a funcionar foi medonha. Decorre do mal exemplo de quem deveria se esforçar para a boa sobrevivência do povo que deveria governar.

Com o auxílio danoso de juízes como o da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte, que concedeu liminar para a abertura dos bares e restaurantes. Pouco importa que a curva de infecção na cidade esteja em acelerada ascensão. Muito menos que o sistema de saúde esteja à beira do colapso, com quase 100% dos leitos de UTI ocupados.

Nesta terça-feira, dia em que se desafoga as ocorrências acumuladas no fim de semana, o Brasil voltou a bater recordes de mortos e contaminações: 1.367 óbitos em 24 horas, o segundo maior número de perdas, depois do 4 de junho, quando ocorreram 1.473 notificações.

Pelos dados oficiais, já são 81,5 mil mortos, dos 2 milhões 159 mil infectados, o que torna mais próximo da realidade as projeções de 200 mil óbitos até outubro, na perspectiva da Universidade de Washington.

A palavra é genocídio, sob quaisquer aspectos. E se há justiça da na terra este senhor há de pagar por isso.

Os estudos coordenados pelo professor Pedro Hallai concluem que 3,8% dos brasileiros estão infectados até 24 de junho, data do encerramento da pesquisa. Equivale à ninharia de 8 milhões de pessoas, para se ter noção de como os dados oficiais são correspondem à realidade.

Os números do Ministério da Saúde, na mesma data, indicavam 1,19 milhão de infectados, 1/6 do que aponta o estudo.

“Mirar a imunidade de rebanho como uma política de saúde é uma ideia absurda, mal pensada e antiética”, afirma Hallai na entrevista à BBC Brasil.

Para ele, imunidade só com vacina, que ainda não existe. Os testes trazem esperança, mas ainda que funcionem e viabilize a aplicação para 2021, a produção em massa ainda é miragem.

Então, o melhor é manter cautela, cuidado e o distanciamento social possível, enquanto ao menos não se amplia a testagem.

Por acompanhar e comparar as informações, o A Tal Mineira tem batido na tecla da deficiência da testagem como impedimento para o retrato mais próximo do real dos esfeitos da praga na saúde de brasileiros e brasileiras.

 

São devastadores e, naturalmente, refletem e impactam a tal da economia. Entretanto, liberar geral é política que estimula o suicídio coletivo.

Aqui em Pernambuco, o teste RT-PCR e o teste rápido estão ampliados para toda pessoa que apresentar sintomas gripais, e podem ser agendados pelo aplicativo Atende Em Casa.

Os pesquisadores da UFPel testaram 89.397 pessoas de 133 cidades de vários estados em todas as regiões do Brasil. Os testes visaram detectar anticorpos contra o coronavírus. Também entrevistaram as pessoas para entender como o vírus afeta diferentes classes sociais e grupos étnicos.

Confirma o que é detectado nos hospitais e serviços médicos país afora: A contaminação é maior dentre a população negra – pretos, 2,5% e pardos 3,1% – indígenas, 5,54% e amarelos 2,1%. Apenas 1,1% dos brancos foram infectados pelo novo coronavírus.

O estudo reforça o óbvio da desigualdade social: o risco de “pegar” covid-19 é maior dentre os mais pobres. Nas palavras de Hallai, os resultados da pesquisa deixam claro que “a política de combate à pandemia fracassou”.

Se serve de consolo, o número exponencialmente maior de contaminados fazem decrescer a taxa de letalidade, de mortes provocadas pelo vírus no país: dos 3,8% calculados sobre os números oficiais para 1% dos infectados

A entrevista do coordenador da pesquisa da UFPel à BBC Brasil foi publicada na segunda-feira, 20. A íntegra pode ser lida aqui.

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Postagem revista e atualizada dia 22.07.2020, às 19:52: correção de frase mal colocada: não existe seis vezes menos, nada pode ser menor do que 100%.

 

 


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