A vida das pessoas em troca de mamatas e incompetência a rodo

por Sulamita Esteliam

É escandaloso, além de criminoso. O Brasil supera 90 mil mortos e 2,5 milhões de infectados por Covid-19, pelos dados oficiais – e estudos indicam que são sete vezes mais – e o desgoverno do capiroto segue se achando no direito de negociar com a vida das pessoas, fazendo gracinhas a amigos e comparsas do genocídio.

Na Câmara, o é dando que se recebe ao que restou do Centrão, com distribuição de recursos aos seus municípios-base é absurda, e o seria em quaisquer circunstâncias; em plena pandemia é inqualificável.

A contaminação por Coronavírus avança e a Covid-19 mata a rodo, em grande parte, porque o desgoverno resolveu economizar os recursos liberados pelo Congresso para enfrentar a peste.  Menos de 30% dos 39,3 bilhões de reais destinados ao combate à pandemia foram aplicados.

Não bastasse a irresponsabilidade do capiroto-genocida, que ocupa a Presidência da República, ao posar de capitão-corona. Espalhou o vírus ao léu em contatos e aglomerações estimuladas por ele, em desobediência aos protocolos recomendados pela OMS, em orgia negacionista contra a ciência.

Garoto-propaganda da cloroquina, desaconselhada por sua ineficácia na contenção da doença e danos colaterais aos pacientes. Ainda assim, determinou a produção de milhões de comprimidos pelos laboratórios do Exército.

Se as instituições funcionassem, já estaria respondendo por ato danoso à saúde pública e uso indevido do dinheiro da viúva, conforme o Elio Gaspari de antanho.

Aliás, um pedido de CPI na Câmara foi protocolado por deputados petistas para investigar possíveis irregularidades na produção desmedida do medicamento, que é bom no tratamento de malária e doenças autoimunes, mas é no mínino controverso na contenção do Covid-19.

Isso sem falar da depenada do SUS com a retenção de verbas imposta pelo controle de gastos, obra conjunta do desgoverno usurpador golpista do mordomo com o Congresso Nacional.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde, sem ministro digno do nome há quase quatro meses, distribui cargos a rodo a quem nem de longe entende de medicina. O critério é farda e amizade.

São 25 os militares em postos-chave do ministério, na contagem do Correio Braziliense em 05 de junho. Nenhum deles com curso de Medicina. O Vi o Mundo reproduz a partir da revista Época, a relação completa dos indicados – abaixo.

A última contratação não veste farda, mas saia. Trata-se de uma “amiga íntima de mais de 30 anos” do general que ocupa interinamente o comando da pasta. Uma administradora de empresas, que ocupa posto no Núcleo Estadual do Ministério da Saúde em Pernambuco.

Paula Amorim é o nome da moça, contratada, segundo publica o Conversa Afiada, a partir de matéria da Folha de São Paulo, com base na relação de confiança e amizade” entre ela e o chefe – linco mais abaixo. Receberá pela função comissionada em 15/VI algo próximo a R$ 10 mil.

Não entende nada de saúde, mas ocupa função vital no combate à pandemia: coordenar esforços com secretarias municipais e estadual do setor.

A sanitarista Lígia Bahia, professora de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro denuncia o que define como “passagem melancólica dos militares” em área tão sensível, e em momento tão crucial. Está na coluna do Ancelmo Gois.

Transcrevo, a partir da reprodução no Vi o Mundo:

A passagem dos militares pela gestão do Ministério da Saúde é melancólica.

Sem bravura para enfrentar a Covid-19, passam seus dias descobrindo novas funções para o SUS.

A Saúde passou a ser receptora das toneladas de cloroquina fabricadas em laboratórios do Exército e de filhas desempregadas de generais.

A morte de quase 90 mil compatriotas não mobiliza a defesa da pátria.

O SUS, ao invés de campo de batalha pela Saúde, virou agência de empregos. Enquanto o país tem uma taxa de subutilização da força de trabalho de 24,2%, combatentes estrelados, exercendo atividades para as quais não têm competência, nomeiam profissionais sem formação na Saúde.

A única demonstração de força foi um arroubo do coronel que ocupa cargo importante no Ministério.

O oficial recomendou, na Câmara dos Deputados, a compra de insumos superfaturados, desde que acompanhada por sindicâncias — orientação contrária às regras elementares da administração pública.

‘Enfrentamento’, ‘controle’ e ‘campanha’, metáforas de guerra, adotadas pela ciência para delinear estratégias de ação durante a pandemia, perderam significado para quem impávido assiste o país perder vidas”.

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Fontes citadas no texto:


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