“Missão cumprida”: a confissão de culpa de Pazuello

por Sulamita Esteliam

“Missão cumprida.” A resposta do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello à pergunta do por que deixou o posto a que garante ter se dedicado com todo zelo e autonomia, mais do que cinismo, é confissão de culpa.

Nesta quarta, enquanto ele se enrolava no manto da aparente tranquilidade para mentir, mentir e mentir ao responder às perguntas que lhe eram dirigidas pelos senadores, o Brasil ultrapassava 440 mil mortos por Covid-19.

Na contagem do Consórcio de Imprensa, exatas 441.691 vidas perdidas para o gerenciamento criminoso pandemia do Corononavírus no país.

Quando assumiu o Ministério da Saúde, ainda na condição de interino, em 16 de maio, a primeira providência de Eduardo Pazuello foi maquiar e atrasar os números relativos à pandemia.

Daí a criação Consórcio de Imprensa, que passou a levantar os dados diretamente com o Conass – Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

À época, o Brasil contava 14.817 mortes por Covid-19. Quando deixou a pasta, em abril último, eram 279.286 mortos.

Néscio, títere, cínico e/ou trapalhão. Você escolhe a melhor definição para os três últimos personagens a desfilarem na bancada da CPI do Genocídio.

Marcelo Queiroga, o atual ocupante da pasta da Saúde, deu uma de Rolando Lero, também mentiu e vai ter que voltar a depor, segundo a cúpula da CPI.

Pazuello e Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, estariam melhor num picadeiro, tal e qual o seu chefe, que, na verdade, é o investigado que importa.

Mas não podemos nos enganar, são canastrões do teatro do absurdo, caneleiros de um jogo macabro que está matando a nossa gente. O caminho da morte é a escolha.

– Quanto vale uma vida humana?

O senador Humberto Costa (PT-PE) perguntou ao ex-ministro da Saúde, já no limite da paciência.

Ex-ministro da Saúde do primeiro governo Lula, médico e jornalista, Humberto Costa foi dos poucos a usar o tom adequado diante da desfaçatez adotada pelo depoente, ao garantir que teve “autonomia” de gestão.

Antes, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) também havia perdido a paciência com as mentiras de  Pazuello, quando ele disse que havia faltado oxigênio três dias em Manaus.

–  Presidente, é preciso dizer ao povo brasileiro: não faltou oxigênio no Amazonas apenas três dias, pelo amor de Deus. Ministro Pazuello, pelo amor de Deus. Faltou oxigênio na cidade de Manaus mais de 20 dias. É só ver o número de mortos. É só ver o desespero das pessoas tentando chegar ao oxigênio. Nós tivemos pico de morte no dia 30 de janeiro. Sabe quando chegou a carga de oxigênio que o senhor mandou do Ministério da Saúde para Manaus? Do dia 24 para o dia 25.

Braga lembrou que 2 mil amanauenses morreram pela falta de oxigênio.

– Nós poderíamos ter colocado aquele oxigênio, ministro. E o que nós queremos saber é o seguinte: Faltou dinheiro ao governo do Estado para fazer isso? Faltou vontade política do governo federal em fazer isso? E por que que não fez? Por que que não deu as informações ao ex-ministro Ernesto Araújo [das Relações Exteriores] para que o avião dos Estados Unidos pudesse ter ido à Venezuela buscar o oxigênio e levar para o Amazonas, para salvar vidas? É isso que o povo brasileiro quer saber. 

O depoimento de Pazuello continua na sessão desta quinta, 20, cuja agenda era dedicada à ouvida da secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a “Capitã Cloroquina”.

Já no fim da tarde a sessão desta quarta foi interrompida para atividade no plenário do Senado, e seria retomada na sequência. Ocorre que Pazuello sofreu mal-estar circulatório e embora atendido pelo médico e senador Otto Alencar (PSD-BA).

– Ele estava muito pálido, tonto. Ele teve uma síndrome vasovagal. O sangue deixa muito o cérebro, perde a consciência, fica tonto e estava muito pálido e a pressão caiu também. Deitamos ele no sofá, o sangue refluiu para o cérebro, ele ficou corado, se recuperou, estava respirando muito bem, podia perfeitamente continuar a oitiva. Foi suspenso (o depoimento), mas não foi por nenhuma sequela.

Em miúdos, teve um problema de circulação, por ter ficado muitas horas sentado. Certamente o excesso de peso contribuiu.

Mas, o mal-estar do general já virou piada nas redes. Coisas do tipo: “cagaço”, “imagina ele num guerra”!

Compartilho o vídeo com o depoimento, a partir da TV GGN/Youtube:

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Fontes requisitadas:

Agência Senado

Senadores questionam Pazuello sobre a falta de oxigênio em Manaus

Jornal GGN

Pazuello tenta lavar as mãos do colapso em Manaus e traz versões divergentes

Carta Capital

‘Mentiu e mentiu muito’, diz Renan sobre Pazuello; CPI vai contratar agência de checagem de fatos

Portal Terra

Pazuello passa mal e depoimento à CPI da Covid é adiado

Nexo Jornal

A gestão de Pazuello em quatro eixos

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