Notícia da libertação de Sakineh ainda não foi confirmada

Por Sulamita Esteliam
O mundo se mobilizo pela libertação de Sakineh; falta confirmar. Foto: Estadão digital

A notícia da libertação da iraniana Sakineh Mohamadi Ashtiani, condenada ao apedrejamento por adultério, correu mundo na quinta-feira, 09, mesmo sem a confirmação oficial. A se confirmar, terá sido vitória dos movimentos de direitos humanos, mundialmente.

Entretanto, hoje, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a TV iraniana de língua inglesa desmentiu que a mulher, também acusada de ter assassinado o marido, esteja livre da prisão. É o que publica o Estadão digital.

Resta-nos aguardar para ver como os fatos evoluem. E torcer para que o anúncio e a comemoração pela cancelamento da desumanidade se confirmem. De qualquer forma, transcrevo a matéria de Carta Capital, republicada pelo Conversa Afiada:

ONG anuncia libertação de iraniana condenada a apedrejamento

Redação Carta Capital

Mina Ahadi: "Esse dia estará escrito nos livros de história do Irã". Foto: Carta Capital

O Comitê Internacional contra Execuções informou que a iraniana Sakineh Mohamadi Ashtiani, condenada a apedrejamento por adultério, foi libertada. A notícia ainda não foi confirmada pelas autoridades, o que deve acontecer em breve por meio da televisão estatal do Irã, revelou o mesmo organismo.

O jornal espanhol El País adiantou que o filho de Sakineh, Sajjad Ghaderzadeh, e seu advogado, Javid Houtan Kian, além de dois jornalistas alemães, também foram libertados. Eles foram presos em outubro durante uma entrevista.

Embora ainda não haja pronunciamento oficial, a televisão iraniana já divulgou imagens de Sakineh com o filho em sua casa no noroeste do país. De acordo com fontes ouvidos pelo El País, os prisioneiros foram libertados após pagamento de fiança, mas o valor é desconhecido.

Sakineh foi condenada a 99 chibatadas em 2006 por manter relações com dois homens após ter enviuvado, o que é considerado adultério pela lei islâmica. A pena foi posteriormente convertida em morte por apedrejamento. Após esgotadas todos os recursos legais possíveis, seu então advogado, Mohammad Mostafaeí, fez pública a situação e atraiu a atenção dos governos ocidentais e de entidades em defesa dos direitos humanos.

Ao jornal britânico The Guardian, Mina Ahadi, presidente do Comitê Internacional contra Execuções, disse que “esse dia estará escrito nos livros de história do Irã, se não nos livros de história de todo mundo, como uma data da vitória dos direitos humanos”. Segundo a ativista, a pressão internacional foi decisiva para as libertações.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Mina citou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e sua sucessora, Dilma Rousseff, como pessoas importantes no processo de Sakineh. “O fato de que Dilma tenha sido ainda mais forte em suas críticas também ajudou muito”, disse a ativista.

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