por Sulamita Esteliam

Altamiro Borges, do Blog do Miro e Centro de Mídia Barão de Itararé -, realizador do evento, contou 227 pessoas. Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, fala em 277, em sua postagem sobre o 1º Encontro de Blogueiros e Mídias Sociais de Pernambuco. Os organizadores não divulgaram número oficial, mas é por aí: em torno de 250 blogueiros, tuiteiros, facebookeiros e que tais estiveram no Centro de Confenções do Recife, no sábado 21. O que o torna, segundo Miro, o maior encontro estadual, dos oito já realizados -preparatórios ao 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressista; marcado para 17, 18 e 19 de junho próximo, em Brasília. Aqui, as fotos.
Os próximos encontros estaduais acontecem no Ceará, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e em Minas Gerais; este último, com data remarcada para dia 11, no Sesc de Venda Nova, segundo me informa, esperançoso mas cético, meu amigo jornalista e blogueiro, Marcelo Procópio.
Metade da população que lotou o Auditório Ribeira do monumento de concreto na divisa do Recife com Olinda – à falta de cadeiras, teve gente sentada nas escadas – era de blogueiros, segundo se aferiu in loco (contei no sítio do evento, dos 685 inscritos, há 138 blogs catalogados). A maioria, gente jovem. Diferentemente do que se constatou no 1º Encontro Nacional, em agosto de 2010, em São Paulo, onde a média de idade ficou na faixa dos 40-45 anos, aqui não passou dos 30. Mesmo com alguma presença de gente mais ou menos provecta, como esta reles blogueira, que já avançou dos 50.
Alguns, jornalistas, que viveram a impressão do linotipo, do off set, assistiram a informatização das redações e fazem a travessia para os novos tempos. Como lembra Ivan Maurício, respeitado jornalista, ás da propaganda política, que hoje se dedica às redes sociais. Diretor do portal O Nordeste – www.onordeste.com foi um dos convidados a contribuir com sua experiência.
Pena que a pressão do tempo, e a indadequação do local, não permitiu o desenvolvimento da oficina sobre Blogs, como tal; nem a extensão do debate, que possibilitaria melhor proveito de seus conhecimentos.
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Detalhe interessante, que mostra a força da blogosfera: a convocação do encontro se deu, essencialmente, pelas redes sociais – notamente o Facebook -, e em cima da hora. Conforme, aliás, este blogue registrou.
A organização também se deu no afogadilho, digamos assim – detalhes mais abaixo. Certamente isso influiu nas deficiências de infraestrutura – não havia sinal para Internet, por exemplo, o que impossibilitou qualquer transmissão de informações em tempo real (a bem da verdade, no I Encontro Nacional, em São Paulo, também, não houve capacidade da rede wireless para, simultâneamente, transmitir o evento e manter a conecção dos participantes – e estávamos no Sindicato dos Engenheiros) .
Ainda assim, no caso do Centro de Convenções, a deficiência deve ser creditada à administração, que já deveria ter procurado adequar uma construção dos anos 80 à realidade tecnológica do século XXI. Segundo alfabetizados digitais, é solução simples e barata: questão de informação e vontade, pois.
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O debate também foi chocho, para dizer o mínimo. No período da manhã, em parte pela timidez da plenária, encantada com presença dos palestrantes célebres, queiram ou não, da blogosfera. Em parte pelo ritmo acelerado pela mesa do encontro, que já começou com hora e meia de atraso.
As oficinas, à tarde, que prometiam detalhes técnicos de montagem e administração de blogues e redes sociais, além de aspectos de proteção jurídica, acabaram se transformando em palestras, com pouca participação da plateia – por inadequação do local e pela pressão do horário.
Também não houve tempo para discussões em grupo e, portanto, para formulação de propostas da plenária a serem encaminhadas para o Encontro Nacional. Praxe, necessária, levada a efeito no encontros de São Paulo e do Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, por exemplo. O Encontro da Paraíba, igualmente, divulgou, nesta segunda, sua carta.
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Mas, enfim, aconteceu, e melhor assim do que de jeito nenhum. Certamente, valeu a experiência, para todos. Nosso reconhecimento aos organizadores, portanto.
Até porque, a organização se deu a partir, e por empenho pessoal de Percival Henriques, da Paraíba (o encontro lá foi na sexta e reuniu 120 pessoas), através da Anid – Associação Nacional de Inclusão Digital, em parceria com Blogueiros.net. Foi a alternativa encontrada por Altamiro Borges, do Centro de Mídia Barão de Itararé – que realiza os encontros e coordena a produção do Encontro Nacional: “Pernambuco não poderia ficar fora”, disse-me em rápida conversa antes do início dos trabalho.
Os contatos com blogueiros ativos do estado, do seu conhecimento, revelaram-se infrutíferos – não vi nenhum dos grandes por lá. Lembrei a ele que no I Encontro Nacional, só havia dois representates de Pernambuco; um deles, Euzinha, que sequer blogueira era, então.
No ar desde 11 de setembro de 2010, A Tal Mineira chegou a provocar Ana Veloso, professora de Jornalismo na Unicap, do blogue Eu Decido – que também não compareceu por problemas de saúde -, para puxarmos a organização do encontro. Todavia, não conseguimos conciliar nossas agendas.
Embora Euzinha tenha o “privilégio de aposentar-se tão jovem”, na ironia de Paulo Henrique Amorim – não cabia dizer a ele que comecei a trabalhar aos 11 anos, num tempo em que trabalho infantil era regular e legal – tenho que batalhar freelas para agregar alguns zerinhos à mirrada aposentadoria da Previdência Social. Na verdade, estou desempregada, e o blogue – mesmo com ajuda dos parceiros familiares – toma tempo e não tem patrocínio, ainda.
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De minha parte, além da oportunidade, sempre instigante, de ouvir Miro e PHA – leia na próxima postagem -, o encontro possibilitou conhecer ou re-conhecer pessoas, o que é gratificante, sempre.
Cito algumas: Cristiano, jovem relações públicas empreendedor, paulistano que vive há alguns anos no Recife, com rápida passagem por Beagá – tuiteiro e facebookeiro, em vias de vir a blogar; Juliano Mendes, estudante de jornalismo e blogueiro do Cajumanga.com; Roberval, ambientalista e assessor parlamentar, do Totomaisinformado.blospot.com; Osvaldo Neto, do Vá e veja.com, blogue de cinema, com foco em cinema de gênero.
Tive, ainda, a chance de conhecer, pessoalmente, a paraibana Sônia Lima, da Rede Mulher e Mídia e o pernambucano Augusto Semente, do Movimento em Defesa da Mata Uchoa. E de renovar contato com o colega Ivan Maurício, de Olinda, e beber da sua qualificada experiência.
Foi preciso refrescar minha memória e a dele, quando nos (re)apresentaram na tarde do sábado. Jamais esqueço um rosto, mas tenho problemas sérios em associá-lo a nome, o que muitas vezes me vale certo constrangimento. Com Ivan Maurício foram necessários, apenas, alguns minutos: ele foi um dos entrevistados numa edição, no Mercado da Encruzilhada, do programa Violência Zero, que apresentei durante seis meses do ano passado, pela Rádio Olinda AM. Produzido pela Sintonia Comunicação Popular, do amigo Ruy Sarinho, levava o debate sobre direitos humanos para os mercados, feiras e praças públicas. Saiu do ar por falta de patrocínio – na versão oficial da emissora.
Era época de campanha política, e eu o provoquei: “Quer dizer que você é marqueteiro?” E ele ficou muito bravo. Firme e coerente, respondeu no mesmo tom, quando relembrei o episódio, sábado: “Fico bravo, mesmo. Não sou marqueteiro, faço propaganda política e política é coisa muito séria para se classificar como mercadoria. Marketing é venda, é coisa dos Estados Unidos”.
Ainda há quem, como eu, crê na política, no bom sentido, e é bom que seja assim.
Por essas e outras é que eu adoro os pernambucanos.
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