Cresce no Brasil a percepção sobre a violência contra a mulher, diz pesquisa

por Sulamita Esteliam

Pesquisa divulgada nesta terça-feira, 28, pelo Instituto Avon, mostra que a boa notícia pode ter vieses, aparentemente, contraditórios. Revela que seis em cada dez brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. O dado feliz é que, destes, 63% tomaram alguma atitude. Prova de que cresce o número de pessoas que acreditam que em briga de marido e mulher, a gente deve meter a colher, sim.

Viva! Não se enfrenta um problema fingindo que ele não existe, ou fazendo de conta que não se tem nada com isso.

O Instituto Ipsos, responsável pela pesquisa Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, realizou 1.800 entrevistas com homens e mulheres, acima de 16 anos, nas cinco regiões do país. O levantamento ocorreu de 31 de janeiro a 10 de fevereiro deste ano, com a contribuição do Instituto Patrícia Galvão e da Palas Athena. É a segunda pesquisa do gênero promovida pelo Instituto Avon. O primeiro, em 2009, deu-se em parceria com o Ibope.

A ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, participou do lançamento da pesquisa, em São Paulo. E vai direto ao cerne da questão:

“Ao mostrar que 59% dos entrevistados declaram conhecer alguma mulher que já sofreu agressão, a pesquisa nos indica que estamos conseguindo quebrar – mesmo que devagar, mas com consistência – a ideia de ‘naturalidade’ da violência contra a mulher.”

Há mais dados significativos colhidos pela pesquisa. Por exemplo, 62%  dos entrevistados identificam diferentes formas do que seja violência: agressões verbais, xingamentos, humilhações, ameaças e outros tipos de violência psicológica são reconhecidos como violência doméstica.

Isso confirma, de maneira “contundente”, que “a percepção de homens e mulheres sobre a gravidade da violência contra a mulher avança na sociedade brasileira”, avalia Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão, sobre a compreensão da violência psicológica.

Pela primeira vez, também, o sexo forçado pelo marido ou companheiro aparece entendido como agressão grave sofrida: por 15% dos 27% das entrevistadas que declaram terem sido vítimas de violência.

Júnia Puglia, coordenadora de Programa da ONU Mulheres Brasil e Cone Sul, considera esse dado “importante e inovador”, numa cultura em que a disponibilidade sexual da mulher é ponto pacífico nas relações afetivas.

“É a primeira vez que o tema estupro aparece e isso mostra um avanço na percepção das mulheres sobre si mesmas, que passam a não concordar mais com o ato sexual com a obrigação de atender o homem e estar sempre disponível para o marido”, analisa.

Todavia, se 94% declaram conhecer a Lei Maria da Penha, que coíbe e pune a violência doméstica contra as mulheres, apenas 13% conhecem seu conteúdo. Falta divulgação, acredita a biofarmacêutica que dá nome à Lei nº 11.340/2006, Maria da Penha Maia Fernandes.

Para ela, é preciso educar, inclusive as crianças, sobre o que é violência doméstica, “e orientá-las para pedir ajuda. Uma criança que vivencia um pai agredindo uma mãe, também é uma vítima”.

Aqui a íntegra da pesquisa.

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As informações e depoimentos são da Agência Patrícia Galvão, e me chegaram via Rede Mulher e Mídia.

 

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