Dilma na ONU: “coragem e sinceridade”, mas sem perder a ternura

por Sulamita Esteliam
A voz do Brasil soberano pela boca de sua presidenta na ONU - Roberto Stuckert Filho/Blog do Planalto

Não vi o discurso, histórico, da presidenta Dilma Roussef na 66ª Assembleia da ONU, ontem – a primeira mulher a fazê-lo naquela plenária. Mas li a íntegra e assisti ao vídeo, que posto abaixo, e posso dizer que foi emocionante. Não poderia deixar de referir-me a acontecimento de tal relevância.

Dilma foi Dilma: direta, clara, enérgica, propositiva; todavia, sem perder a ternura. Falou, textualmente, “com coragem e sinceridade”, palavras femininas, com o são “vida, alma, esperança” , na língua portuguesa. Reforçou ao mundo e à nossa autoestima – do país e das mulheres – “Tenho certeza que este será o século das mulheres”.

Somos uma nação soberana, de um povo que sabe o que quer e para onde vai: o  Brasil pode contribuir com a busca de saídas para a crise dos países desenvolvidos, pois fizemos a nossa parte, mas “nossa capacidade não é ilimitada”. Os grandes têm que tomar atitude, falta decisão política. A recessão e o desemprego não são o caminho. “Mais do que nunca a solução está nas mãos dos governantes. Ou nos unimos todos e saimos juntos, vencedores, ou sairemos todos derrotados”.

Chamou a atenção para a responsabilidade de todos, ricos e emergentes, para o reequilíbrio da demanda global, em recado direto, sobretudo, para Estados Unidos e China: “Urge aprofundar a regulamentação ao sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controle à guerra cambial (… ) Trata-se de impedir a manipulação do câmbio, tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas, como pelo artifício do câmbio fixo.”

A atual configuração dos organismos internacionais não atende à nova geografia do mundo, onde os emergentes têm que ser levados em conta. Dilma reinterou a reivindicação de um lugar no Conselho de Segurança da ONU, que o Brasil faz juz, e defendeu o reconhecimento da Palestina como Estado-membro da comunidade mundial.

A presidenta da Repoública encerrou seu discurso se dirigindo às mulheres de todo o mundo: “Além do meu querido Brasil, sinto-me aqui, hoje, representando todas as mulheres do mundo: aquelas que passam fome e não têm como dar de comer a seus filhos, aquelas que sofrem de doenças e não podem se tratar (…) Junto minha voz à vozes das mulheres que ousaram lutar e participar da vida política e da vida porofissional, e conquistaram os espaços de poder, o que me permite estar aqui. Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, dos direitos humanos, da justiça e da liberdade. E é com esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho dessa casa de nações que tenho a honra de iniciar o debate inicial da 66ª assembleia da ONU. Muito Obrigado.”

A íntegra do discurso pode ser lida aqui.

Eis o vídeo:

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Sim, nós nos orgulhamos de ter um governo que se, e nos, respeita, que não tem complexo de vira-latas. O que não nos impede de criticá-lo quando vacila ou pisa na bola. Este é o nosso papel: eleger, fiscalizar, apoiar e cobrar. Não se exerce cidadania atirando pedras; muito menos, de olhos fechados, boca calada e ouvidos moucos.

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