‘Quando a alma não é pequena’

por Sulamita Esteliam
A devoção à Nossa Senhora da Conceição levam milhares ao Morro da Conceição - Renato Spencer/JC

Oito de dezembro é feriado no Recife, em Beagá, Salvador, Aracaju e algumas centenas de municípios brasileiros, a maioria absoluta em Minas Gerais. Muita gente não entende o porquê. Comemora-se a Imaculada Conceição, dogma da Igreja Católica, estabelecido por Pio IX, em 08 de dezembro de 1854, informa a Wikipédia.

Reza – sem trocadilhos, por favor – o dogma, que Maria, desde o ventre, esteve “cheia de graça”. Por isso, concebeu “sem mácula”. Daí, Virgem Maria, Mãe de Jesus, Mãe de Deus.

Há controvérsias. Mas não me disponho adentrar nesse vespeiro. Cada um e cada qual que creia, ou descreia, do que se lhe aprouver. Liberdade e diversidade abram as asas sobre nós.

É dia de festa no Recife, no ponto mais alto da capital pernambucana. Melhor, é dia do encerramento da 107ª Festa da Conceição, que começa em 29 de novembro, no morro do mesmo nome, em Casa Amarela. De lá se pode avistar todo o Recife, que tem altitude média de 4m e, dizem, em alguns locais está até 100m abaixo do nível do mar.

No Morro da Conceição, que já pertenceu ao Bairro de Casa Amarela, o sagrado e o profano guardam conveniente distância. Lá em cima, o louvor à Nossa Senhora, cultuada em imagem trazida da França, de navio, em 1904. Ao pé, na Avenida Norte, a festa para os viventes, com tudo que se tem direito.

Panortâmica do Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife

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Já estive no Morro da Conceição, mas não no dia da festa. Há pouco mais de um ano, por conta do Violência Zero, programa em defesa dos Direitos Humanos que ia ao ar aos sábados, ao vivo, pela Rádio Olinda AM. Fizemos o programa no meio da rua, em frente ao Cervac, ONG que trabalha em prol da inclusão educativa de crianças portadoras de deficiência. Trabalho maravilhoso.

Desenvolveram, inclusive, uma banda: a Força Especial do Cervac. É formada por 15 crianças e adolescentes portadores deficiência física, auditiva e mental, e tem discos gravados. Foi muito emocionante ver e ouvi-los tocar e falar. Mais, ainda, em partilhar da alegria e energia que eles emanam, todos.

Dividia a apresentação do Violência Zero com o querido amigo e jornalista, Ruy Sarinho, da Sintonia Comunicação – diretor, produtor, apresentador, contra-regra, cenógrafo e faz tudo do programa. É o nosso “Dom Quixote”.

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PS lítero-musical: o título desta postagem Fernando Pessoa, lembrado aqui, neste blogue, e referendado no vídeo-clip genial, que posto abaixo. Sacada de portadores de almas grandes, plugadas e generosas. Camaradagem da amiga blogueira Caiçara, brasileira que escreve em francês, idioma do seu cotidiano além-mar, e que me honra com visitas e comentários frequentes.

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Revisto e atualizado em 09.12.2011

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