por Sulamita Esteliam

Não pedi permissão, mas creio que minha amiga – virtual, por enquanto – Bernadete Lage, professora em Viçosa, na Mata das Gerais, não há de se avexar por eu cometer tal inconfidência; somos mineiras, afinal. Ela está na Cúpula dos Povos, sozinha, mas não solitária, em defesa da bandeira do Povo Cigano – conforme anunciei, dias atrás, aqui no blogue.
Enviou-me um correio delicioso, que mostra bem o espírito prazeroso do ativismo, aquele de corpo e alma, que absorve a gente que a ele se dedica, sem trégua nem impedimento. “Não tenho forças para te contar o que está acontecendo (…) Algo inimaginável em minha vida, que vai ficar para sempre na lembrança”, diz, com seu jeito mineiro de ser.
Mas conta: Está dormindo quatro a cinco horas por noite, hora em que imprime o manifesto que escreveu e distribui “pro povo”, durante o dia, no Território da Cúpula. Almoçar, só lá pelas sete/oito horas da noite – “Comer, Sula querida, a gente come todo dia, e o mundo não muda”.
“Franco-atiradora”, é como ela se autodefine – certamente querendo dizer que está lá por conta e risco, sem respaldo de qualquer organização. Mesmo assim, encara a mídia com desassombro de quem sabe por onde passam os caminhos da resistência. E já concedeu “quase” 20 entrevistas: “Tô pegando o povo de jeito. Alguns dificultam, aí eu entro solando. Quando dizem que o tema é meio ambiente, eu pergunto: pra por quem nele, os incluídos?”
Ressalva para o Planeta Lilás, programa da Rádio Cúpula, comandado pela companheira de ativismo Denise Viola, da Rede Mulheres em Comunicação e da Amarc Brasil: “Adorei a Denise. Trouxe uma lata de doce da UFV. Um dia, levo procê. Falei na rádio. Aliás, ela quase fechou. Mas o povo gritou e ela tá funcionando.”
Como ninguém é de ferro, e boa fazedora de amigos – sou prova viva disso – ela me fala, também, de encontros: “Tem um povo do Recife que vai falar na tenda agora de manhã (ontem, 19). Caí na folia com eles, ontem. Doideira.”
E encerra com uma declaração: “Já te disse que te amo? Distraída eu, né? hehe…”
Também te amo, Bernadete. Bom demais topar com você, ainda que nestas trilhas virtuais. E, de quebra, contar com uma repórter deste calibre. Bom trabalho. E carpem die (aproveite o dia), todos.
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