por Sulamita Esteliam
Não gosto de sonhar com dente, minha avó dizia que sinaliza morte. E daí, se a dona da foice é companheira frequente? Desde que a gente nasce, morre um pouco a cada dia, mas ninguém quer saber dela tão cedo.
Só que hoje acordei cismada; no meu sonho, eu perdia meu dente de siso, aquele do juízo, que sustenta uma ponte de décadas e que está passando da hora de reformar.
A duas semanas dos 70 anos, vamos combinar que é pesadelo!
Aliás, revisão geral no sorriso e na mastigação é providência indispensável, logo no começo do novo ano. Haja bolso e disposição. Certamente aí reside o motivo do meu passeio REM: outro tipo de morte me aguarda, menos mal.
Dizem o profissionais da área que o siso, na verdade, é problema multiplicado por quatro: os terceiros e últimos molares ou não rompem, ou doem horrores até sair e, quando brotam, costumam apodrecer rapidamente.
Os meus nasceram todos de uma vez, aos 18 anos. Perdi os dois superiores e o inferior direito, mas o esquerdo se mantém pilar – tudo indica que por pouco tempo.
Enquanto isso, meus dois netos gêmeos e a neta caçula – por enquanto, e desde 3 de novembro, empatados nos 6 anos; até 3 de fevereiro, quando os meninos selam as 7 primaveras -, sofrem e se divertem com a mudança de dentição.
Os meninos já inauguram os substitutos frontais; a menina escancara as janelas superior e inferior, guardando com fé as peças caídas para garantir a visita permanente da fada dos dentes, até que o ciclo se feche.
É a roda inexorável da vida, e Euzinha celebro a minha parte nesse giro, no grau avançado.
Semana passada, mesmo, foi de muito trabalho e igual movimento de pré-celebração do novo ciclo que se avizinha: no sábado, recebi pessoas amigas para um café da manhã esticado, que me deixou bem feliz.
Presente apenas uma parte das gentes que cultivo ao longo dos 26 anos e meio de migração para o Recife. Durou 12 horas – de 10h às 22h, com muita harmonia e contentamento. Meu genro Almir, lá da baixada santista, diz que não foi um brunch, e sim “a rave da Sula”.
Comigo ocorre com frequência: é tudo na medida cheia.
Em meio aos preparativos, troquei a cozinha pelo plenário da Câmara Municipal do Recife, por exemplo, em plena noite de quarta-feira, 13 de dezembro.
Fui trocar coração e alegria com outras 102 mulheres e representantes de instituições que atuam para o fortalecimento de mulheres nos mais diversos gêneros literários. Homenagem requerida pela escritora Cida Pedrosa, poeta premiadíssima e vereadora pelo PCdoB.
No mote dos 103 anos de Clarice Lispector, que viveu sua infância no Recife, ela nos escolheu, dentre tantas escritoras recifenses e que exercitam o ofício da escrita na cidade, para receber as honras da casa José Mariano – “Um Coração para Clarice”.
Ganhamos um certificado e um coração de arte em resina, de artista plástico pernambucano, que partilhamos de pescoço a pescoço. Foi uma noite mágica, plena de emoções e simbolismo, que partilhei com gente amiga e parte da minha família no Recife.
Sou imensamente grata pela abundância de amor, saúde, sorte e prosperidade que o Universo me proporciona. Tento corresponder fazendo a minha parte também ao meu redor.
Não podemos desviar o olhar dos descaminhos e das atrocidades que acontecem aqui, acolá e alhures.
E o que se dá na Palestina, com mulheres, com homens, jovens e sobretudo com crianças, é apenas um terrível exemplo. Não podemos nos calar, devemos cobrar providências humanitárias e políticas que contenha predadores e genocidas.
Todavia, a vida é aqui e agora. Nas palavras bem ditas do poeta Drummond, “o tempo presente, a vida presente”. Amanhã pode não haver mais.
Melhor crer na possibilidade de recomeço, em nacos de amor que nos alimente, sustente, e nos dê garra para seguir adiante.
Bom Natal.

Um feliz Natal para você e toda a famÃlia, amiga!!
Obrigada, Vilma. Um Natal de luz e harmonia para vc e sua família tbm. 🙌🏼💖
Obrigada, querida.
Em qui., 21 de dez. de 2023 14:20, Vilma Fazito Comunicação escreveu:
Um feliz Natal para você e toda a família, amiga!! > > Em qua., 20 de dez. de 2023 às 21:41, A Tal Mineira <