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por Sulamita Esteliam
Não me pergunte o porquê, mas o fato é que esta crônica ficou adormecida no rascunho por dias e dias… e Euzinha marcando toca, imersa em mil e um atividades, e com dor de consciência pela falha.
Só de chata vou publicá-la, antes que vire a quinzena dezembrina, e a despeito da sucessão de pautas que atravessa, atiça e atravanca o Brasil.
O novembro passei em flanagem pelo Sudeste. Exerci com denodo meu novo ofício de caixeira-viajante, enquanto cumpria obrigações profissionais, sociais e matava em parte as saudades familiares.
Garantir as despesas é preciso. E azeitar o afeto é questão de subsistência.
A novidade é que fiz minha segunda viagem de ônibus em pouco mais de um mês, depois de anos só de avião, em território mineiro. Foi a mais longa travessia Beagá-São Paulo de toda a minha existência: nove horas e meia, fora as três – isso mesmo, três – horas de atraso até sair do terminal.
Um conselho: se adquirir passagem pela Buser, certifique-se de que a empresa transportadora não é a BrasilBus. Rolou até polícia no Terminal Tancredo Neves, na capital mineira, o que não sanou o desrespeito. Um Deus nos acuda!
Por óbvio, brindei a prisão do Coisa-ruim – com a filha, já em São Paulo: primeiro com desjejum do noticiário do dia; mais tarde, ela no suquinho, a mãe na cerveja, e o genro esboçando risadinhas contidas, como peixe sorvendo as delícias do aquário mater-partenal.
Agora, cá pra nòs: o surto de quase-fuga revelou bem o nível da inteligência rara conhecida, contaminante da laia do Coisa-ruim, e crias, e hordas só-beira-sem-noção. Tentar “derreter” com solda a peia eletrônica, francamente, vai além de qualquer imaginação.
O bom é que dançou na prisão familiar. Ô, Glória!
Então já era sábado e fomos para Cubatão, pra Euzinha conhecer a família do genro. Moram no Casquerio, o Jardim-bairro de Cubatão, já quase na divisa com Santos.
Dia adorável, com direito a churrasco, cervejinha no ponto, passeio na orla do estuário, água de coco e boas risadas. Do outro lado é São Vicente.
Não posso, todavia, furtar-me ao prazer da narrativa do ver o sol nascer quadrado, por mais que seja malhar em ferro já frio. Veja que levamos décadas até enquadrar e trancafiar toda a tropa de um comando golpista, o que ocorreu dias depois.
É a primeira vez neste lado de baixo do EquaDor. Marcha em ordem unida, rumo ao xadrez.
A condenação do 8 de janeiro transitou em julgado para a cúpula, o que também converteu em cumprimento de pena, o que seria prisão preventiva para evitar a fuga do chefe da quadrilha.
Glória, glória, aleluia! Pero, ainda tem ação penal em curso: para aliviar as 700 mil almas vítimas da pandemia. E a cambada podre insiste na anistia. Vade retro!
Nem vou tocar no assunto operação Banco Master. Tem muita bola a rolar por aí, nem se preocupe.
Como nem só de figado vive o prazer, nos 21 dias de flanagem em novembro, misturei sem pejo obrigações literárias coletivas, conforme anunciado aqui na postagem anterior, encaixando aqui e ali meu livro solo em marcha incansável.
Não sou best seller, mas a primeira impressão está em seus estertores. Obrigada.
Tenho, porém, uma nova tarefa em desenvolvimento. Uma parceria lítero-familiar que já causa sensação ante o anúncio de novas possibilidades. Leia a próxima postagem.
Fiquei 17 dias em Belo Horizonte. Revi amizades, familiares; curti os netos, acarinhada uma semana inteira. Vivi as delícias de ser acordada ao alvorecer, inventar brincadeiras para despertar a tropa, sem o corre de pai e mãe; mas sem trégua à preguiça matinal, absolutamente compreensível aos 8 anos.
É uma covardia mandar crianças e adolescentes para a escola tão cedo.
Lembro-me bem o quanto detestava essa rotina cruel. E meus olhos amanheciam grudados de remela, o que tornava o despertar um suplício a mais… E minha mãe ainda me apertava o nariz, quando eu não pulava logo da cama.
São gêmeos esses meus netos mineirinhos; totalmente adoráveis, espertos e carinhosos. E, claro, briguentos, barulhentos, intriguentos, álacres como passarinhos. Aliás, como só crianças sabem ser, especialmente meninos.
E há o adolescente; na minha, nossa família, sempre tem um, e já foram uma dúzia, todos ao mesmo tempo, com os dilemas próprios da fase.
E este meu neto, corujice à parte, consegue ser bonito, a despeito dos malgrados da idade. Atleta talentoso, sofre com a dúvida cruel entre o treino, a disciplina, e os hormônios em profusão e confusão a estimular o usufruto do prazer desmedido.
De passagem, fui brindada com enes desenhos-homenagens e mais um coração familiar – com Euzinha, tia Sula, inserida no lado materno da família… do sobrinho-neto.
Aaah, que delícia de garoto é o Caio César, filho da sobrinha-afilhada Natália e do Rafael! Faz-me derreter feito o sorvete que nunca tomo. E tem o João Guilherme, irmão do Marcelo – outro adolescente atleta, este no time dos sobrinhos-netos – e já são cinco mais uma a caminho…
E tem a Flora, encantadora Flora, uma sobrinha-neta que levo de brinde no coração, assim como há anos carrego a mãe Thaís Helena, a tia Rachel, o tio Hélder e uma família inteira de sobrinhagem e irmandade por escolha, a partir da mana Eneida.
Sempre maravilhosa
E vc, sempre generoso. Obrigada, Gustavo.