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por Sulamita Esteliam
Por pouco, muito pouco, Março não termina zerado aqui no A Tal Mineira. Na esteira de Mercúrio retrógrado em Peixes, com dois eclipses no meio do caminho, solar e lunar, o portátil apagou e não me restou alternativa que não deixar para lá.
Explico: em tempos assim, as comunicações entram em curto circuito, e nem a paciência ancestral pisciana consegue resolver. Semana após semana, tentei ligar a máquina, que só pedia reboot.
Captei a mensagem: minha chance de entrar em modo avião.
Até porque, definitivamente, não tenho mais condições de digitar no smartphone. Mesmo textos curtos, nas redes, costumam sair tronchos e têm que ser editados.
O maridão até ofereceu o lap top dele, agradeci; a experiência arrevezada na última viagem, não me animou. Ou isso ou correr o risco de ter uma síncope provocada pela impaciência proverbial, açulada por Marte em quadratura com Urano.
Não queira estar por perto.
Usei minhas tardes desocupadas para ler ou assistir “Star Treck” junto com o maridão. Sério! A gente adora série de aventura espacial, em quaisquer das versões. É o meu “sossega, leoa”.
Ah, sim, também terminamos de ver a série-novela Dona Beja, na HGBO, cinco episódios a cada segunda-feira.
Roteiro adaptado a esses tempos: feminista, homoafetivo, com forte crítica ao racismo, à hipocrisia religiosa e familiar, à safadeza e ao cinismo da sociedade machista-patriarcal. Deu saudades de Araxá.
Destarte, empurrei para depois de 20 de março o conserto do Zé Teimoso ancião, 12 anos de uso, três ou quatro panes. Mercúrio ainda em travessia, mas andando para frente.
O diagnóstico: entradas USB, as duas únicas em funcionamento, em sobrecarga, detonaram a placa, que apagou o HD. Ou vice-versa.
Solução paliativa: trocar placa e HD, enfiar a mão no bolso e assegurar o reparo, até melhores dias que garantam novo equipamento. Não tem como fugir.
Ainda bem que, desta vez, meu HD externo guarda as novas criações, e o que eu ainda não subi para o drive está salvo: meu livro de contos, em andamento por exemplo, está lá. Igualmente algumas crônicas selecionadas no blogue para futura edição em papel.
Sou caótica na criação. E na produção não sou nada zen: faço ene coisas ao mesmo tempo: cozinho e lavo, faxino e danço, leio livros alternados, comunico e escrevo gêneros diversos.
Faço o mesmo para me exercitar: ora caminho na praia ou na calçada, ora faço pilates de parede, yoga, tai chi, lyan gong (lê-se lian kun) e suas variações.
Só a aula de natação é regular: terças e quintas logo cedo, no parque esportivo próximo à casa – quando a piscina está limpa ou não tem competição; o que não é raro.
Em junho, o danado do Mercúrio volta a retroagir, em Câncer. É bom se preparar para a chuva de emoções desencontradas e nostálgicas, alerta a astrologia*. Quem quiser ver para crer que se arrisque. Euzinha é que não.
Juntas e Juntos por Todas
Em tempos anormais de temperatura e pressão, Euzinha escreveria sobre a epidemia de feminicídios, estrupros – coletivos inclusive – contra mulheres e meninas neste Brasil de estupidez varonil.
Os filhos de chocadeira, só podem ser, se esquecem onde e por quem foram gestados e paridos. Pobres mães renegadas. Pagam o preço da rejeição misógina. E aposto que ainda buscam desculpas para o comportamento hediondo de suas crias vacilantes.
Sim, porque ninguém bem-resolvido violenta quem diz amar. Quem ama não machuca, não mata. Quem ama e se ama não aceita violência, não fica calada e alheio também.
E nenhuma mãe ou pai ou cria merece a vergonha e o desgosto de ter um filho ou pai que espanca a mulher, a mãe que a gerou e pariu, e cuida, e educa.
A campanha deflagrada pelo governo federal, integrando os três poderes – ave, Janja Lula! – vai em bom passo: “Todos juntos por Todas”. Os movimentos gritam alto e bom som: “Parem de nos Matar”.
Todavia, não basta. É essencial levar às escolas o ensinamento de respeito mútuo entre meninos e meninas. Ninguém é dono de ninguém. É fundamental educar desde cedo para o afeto e para a sensibilidade. Amor é cuidado de parte a parte.
E nós mulheres devemos fazer esse pacto, e convidar os homens a assumi-lo conosco: educar nossas crianças, meninas e meninos, de forma igualitária, para o autorespeito e para o respeito de um para com a outra e o outro.
Precisamos cevar, desde tenra idade, a negação da posse e da insensibilidade. Urge estimular o afeto como base de troca, o carinho como o elixir da vida em comum. Ser forte não é ser bruto, segurar o choro e esconder sentimentos.
Menino, homem chora, sim. E menina, mulher tem que ser independente cuidar-se bem, valorizar-se sempre.
Indispensável a vigilância familiar sobre o uso das redes por suas crias.
É inadiável que se busque identificar os focos e responsabilizar autores e plataformas pela disseminação da misoginia, do ódio ao feminino, da violência contra mulheres e meninas nas redes sociais. Isso é papel do governo.
Cabe a nós fazer nossa parte, e cobrar de quem tem poder de fiscalizar e coibir.
Por ora é isso. Abraço a todas e a todos que me honram com o acesso. Tentarei ser mais frequente.
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* Fonte: Personare


