Por Sulamita Esteliam

Sintomático que a presidenta Dilma Roussef tenha escolhido a vizinha Argentina para sua primeira viagem ao exterior, e ao final do seu primeiro mês de governo. O simbolismo da escolha, feliz, vai além do fato de o Brasil e o país vizinho serem os únicos na América Latina governados por mulheres, atualmente. Reforça os laços com la hermana, laços estreitados por seus antecessores, Lula e Nestor Kirchner. Sinaliza para o futuro da região que, neste início de século 21, emerge das sombras da dependência para a afirmação da sua soberania. Viva!
Nas palavras do sociólogo e cientista político Emir Sader, no blogue que mantém em Carta Maior:
“Ver Dilma e Cristina (junto com Hebe de Bonafini pelas Avós da Praça de Maio) acenando da sacada histórica da Casa Rosada (de onde falava Perón, mas também Evita), dá a medida exata do cruzamento da historia dos nossos dois países, tão incentivados a competir, a ter no vizinho o inimigo principal, a buscar apoios no norte para enfraquecer um ao outro.”
Diz mais, o mestre:
“Mulheres, militantes politicas contra as ditaduras dos dois países na sua juventude, com boa formação teórica e enorme sensibilidade política, Dilma e Cristina representam as novas gerações de dirigentes que precisamos, saindo das elites tradicionais, que representaram a exclusão social, a subordinação aos interesses externos, a competição e não a solidariedade entre nossos países e povos.
A integração está em boas mãos, avançará, para superar mecanismos apenas de prioridades comerciais. Precisa a integração plena da Venezuela, da Bolívia, do Equador e da adesão de novos membros, como a Colômbia.
O encontro de Buenos Aires foi emocionante. Sabíamos que aquela cena ia se dar. Mas ver a Dilma e a Cristina representando nossos dois países, foi emocionante, além de toda a significação politica que têm.”
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Ao lado da presidenta Cristina Kirchner, na Casa Rosada, Dilma se encontrou com avós-mães da praça de Maio, que há décadas lutam pela verdade em relação ao desaparecimento e morte de seus filhos, e para reaver os netos perdidos para a ditadura. A ex-guerrilheira Dilma pediu o encontro. Como que a reafirmar sua posição expressa e reiterada de que “direitos humanos são inegociáveis”.
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Opressão, terror e arbítrio formavam a tríade da integração entre os dois países e os demais da Latino-América, no passado não remoto. Crescimento e soberania com inclusão social é o caminho do aprofundamento dos vínculos entre Brasil e Argentina, pontes para a cooperação regional. Esta a tônica dos discursos das duas presidentas, na última segunda-feira, na sede do governo argentino.
Dilma disse para a imprensa porque elegeu o país vizinho para destino de sua primeira viagem internacional: fez questão, por considerar que Brasil e Argentina “são cruciais para transformar o século 21 em século da América Latina”.
Aqui a reportagem da Agência Brasil.
Leia, também, em Carta Maior.
Um dia antes de desembarcar em Buenos Aires, a presidenta havia declarado algo semelhante a Martins Granovsky, do Página 12. Transcrevo no original, já que é perfeitamente compreensível:
“– Mi foco es el siguiente –dijo Dilma en una pequeña oficina del Planalto con vista a Brasilia–: una vez más, el gobierno brasileño asume con el gobierno argentino el compromiso de desarrollar una política conjunta y estratégica de desarrollo de la región. En nuestro caso pensamos que el desarrollo de Brasil debe beneficiar a la región entera.”
Aqui a entrevista completa, publicada em Carta Maior.
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Sem essa de complexo de vira-latas, de colonizados. Sem essa de comparação de estilos, personalidades, figurinos, agendas preferenciais – tão ao gosto da velha mídia nativa, que elogia uma para desmerecer o outro – países e governantes, de ontem e de hoje. Sem essa de “efeito orloff”, tão decantado nos anos 90: “eu sou você amanhã”. Nós somos nós, hoje.
Um VIVA para essas Mulheres Guerreiras!!!!!!!!
Um VIVA pra nóiiiissssss!!!!!!!!!!!!!!
Um xêro pro cê …
Carinho,
Libertá.