por Sulamita Esteliam
Em meio à polêmica em torno da denúncia ao Conar sobre o anúncio de lingerie estrelado por Gisele Bündchen, a SPM/PR – Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República realiza, nesta segunda, em Brasília, seminário que promete dar o que falar. Vai discutir Imprensa e a Agenda de Direitos das Mulheres – uma análise das tendências da cobertura jornalística no ano de 2010. No auditório do Anexo I do Palácio do Planalto, a partir das 14h.
Será apresentado estudo da cobertura de 16 jornais de todas as regiões brasileiras nas áreas Mulheres e Política, Mulheres e Trabalho e Violência Contra a Mulher ao longo de 2010. Resultado do projeto Monitoramento da Cobertura Jornalística como estratégia para a promoção da equidade de gênero, realizado pela ANDI – Comunicação e Direitos, Instituto Patrícia Galvão e Observatório Brasil da Igualdade de Gênero/SPM-PR.
As conclusões não são difíceis de imaginar. Basta ter um pouco de memória sobre o que foi a cobertura das últimas eleições, sobretudo da campanha presidencial – leia o resumo, na Agência Patrícia Galvão. Ou observar o que dizem as manchetes e notícias sobre violência contra a mulher no cotidiano.
“O ano de 2010 poderia ter sido um ano excepcional para a cobertura jornalística sobre Mulheres na Política; contudo, o monitoramento demonstra que essa pauta ficou aquém do seu potencial de debate”, diz Jacira Vieira de Melo, pesquisadora e diretora do Instituto Patrícia Galvão. É ela quem vai apresentar os resultados do monitoramento no seminário.
Em depoimento à Agência Patrícia Galvão, Jacira aponta as principais falhas na cobertura das eleições 2010:
“Faltou investigação jornalística sobre as estratégias dos partidos para recrutar candidatas e sobre o tipo de apoio disponibilizado às candidaturas de homens e mulheres. Faltou desvendar como as mulheres são abordadas dentro das regras políticas atuais e da lógica de competição eleitoral dos partidos. A mídia falhou em seu dever de monitorar o cumprimento da legislação e investigar os partidos que não atenderam o dispositivo de “preencher” a cota mínima de 30% de candidaturas para cada sexo.”
Clique para saber mais e conhecer a programação completa do seminário.
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Fora da pesquisa, até porque é coisa de agora, é a repercussão do caso Gisele, um exemplo pronto e acabado de desvirtuamento da pauta. Assim como o anúncio que gerou a polêmica, a cobertura ofende a nossa inteligência – de homens e mulheres que se dão ao respeito.
A propaganda, em si, é enganosa: não é crível que uma profissional de sucesso como madame Bündchen – uma das 60 mulheres mais poderosas do mundo, segundo a Forbes – precise que o marido lhe pague o cartão de crédito ou o conserto do carro.
Muito menos que, se fosse o caso, precisasse exibir-se de calcinha e sutiã para que ele concordasse em fazê-lo – não para isso. Aliás, o casal é o mais rico do mundo das celebridades – Tom Brady é jogador de futebol americano -, segundo a mesma revista. Juntos faturam a bagatela de US$ 76 milhões/ano, dos quais US$ 45 milhões são de contratos dela.
É ridículo, ainda mais, pretender “ensinar” à mulher brasileira, ou qualquer mulher, como é que se faz para seduzir seu homem, em qualquer circunstância. Faça-me o favor!
A SPM, de qualquer forma, cumpre seu papel ao apontar que a propaganda “promove o reforço do estereótipo da mulher como objeto sexual” e pedir a suspensão da campanha. E não está sozinha na indignação: choveu reclamações no Conar – Conselho Nacional de Autoregulamentação Publicitária, antes do requerimento da secretaria – aqui.
Entretanto, ao fazer o que cabe à sua pasta, a secretária Iriny Lopes tornou-se alvo de tentativas inescrupulosas de ridicularização, que sequer disfarçam o preconceito e a discriminação que busca combater – leia o que Hildegard Angel escreve a respeito. E olhe que se trata de uma ministra de Estado, imagine se fosse uma Maria-Maria!
Perfeito!!! Parabéns Sula, te admiro muito, bjs
Às criticas a Ministra creio que foi uma maneira de expressar o que já foi exposto em comerciais com mensagens subliminares mais objetivas,a exemplo, a mais falada ,a cerveja, que ninguém disse o nome “Devassa” utilizada claramente como “adj/s.f.”.Por que não “Devasso” ? Qual foi a polêmica gerada:”…o comercial não ficou bom porque a Sandy não encaixou no estereótipo da ‘devassa’…”E temos consciência do porquê.O nome da cerveja “Devassa” ?Alguém reclamou?Temos aqui uma mensagem subliminar forte e objetiva!Qual comercial influencia mais: o da Hope que claramente expõe objeto das reclamações ou da Devassa que expõe implicitamente,mas que só ao ler, temos perfeita e claramente objetivo alvo.O show do Bruno em São Francisco,onde ele abertamente chama as brasileiras de “piranha” em terra de estrangeiras,o que será feito?Para mim ele quis fazer ‘graça’ para apimentar o show, e errou feio !E O “Funk 10 do popozão” que claramente diz “….reprovada no provão tirei 10 no popozão…”;esta é clara e objetiva;e não vamos culpar o Aguinaldo Silva,pois é o retrato de boa parte da juventude de hoje que sabemos que acontece de inteiro teor;mas quando é exposto preferimos olhar para o lado.Se formos analisar teríamos que ter censura em várias letras de músicas:censura nos livros de autores renomados que obrigatoriamente fazem parte de nossos estudos no ensino médio.etc…..Existem coisas mais importantes a serem debatidas: pedofilia,prostituição infantil,trabalho escravo infantil,etc…eu falo do infantil porque é uma geração que está se formando,e sabemos muito bem em que classe sociais tem mais ocorrências porque é exposto.A exemplo,já teríamos que estar fazendo um estudo comportamental dos jovens na escola,qual o fator real na mudança de comportamento.Hoje o professor não pode falar nada com aluno porque eis a resposta quando há:”…o colega cuidado com ECA…” O jovem pode roubar, agredir,etc e o acontece? Medida sócio-educativa.Se o menor de 16 anos pode optar em votar, ele pode assumir responsabilidade de outros atos também,portanto, o Art. 228 CF gozam de direitos e não deveres, e é clausula pétrea.