Viva la Argentina, viva la America Latina!

por Sulamita Esteliam

Alguns dirão que a notícia é velha. Pouco se me dá: este não é um sítio que se dedica ao noticiário, mas um blogue que se permite comentar, interpretar opinar, contribuir para a reflexão e, de quando em vez, até noticiar os assuntos para os quais se criou: política, cultura e direitos humanos – em seus amplos aspectos e abrangências, inclusive geográficos. Esta liberdade não tem preço.

Pois bem, feitos os prolegômenos, vamos ao propósito do dia: Viva la Argentina! Viva la América Latina!

E viva el Brasil, tambiém, como no! Temos motivos, sim, para dar vivas ao Brasil, mas hoy saludo nostra hermana. Por favor, não pelo pênalti perdido pelo Messi no empate do Barcelona com o Chelsea  – vocês não têm noção, o jogo foi o assunto do dia nas ruas do Recife, ontem; todos os rádios ligados na peleja, impressionante, vivas e hurras por todo lado! Parecia até disputa da Canarinha nos áureos tempos…!

Refiro-me, sim, ao grande jogo da soberania versus os interesses multinacionais. E que bolão vem batendo a Cristina Kichnner! Melhor ainda é assistir, de camarote, ao desespero dos colonizados de plantão.  O episódio da renacionalização da petrolífera YPF é de lavar a alma.

Irmãs e irmãos, é preciso coragem para bailar el tango.

Não tenho tido muito tempo para aprofundar leituras sobre o assunto, e então escrever. Mas encontrei, hoje, no sítio Outras Palavras, artigo lapidar sobre o estrebuchar da mídia internacional em torno da medida. É da lavra de Mark Weisbrot, economista norte-americano, co-autor do documentário Ao Sul da Fronteira, dirigido por Oliver Stone, dentre outras façanhas.

O artigo foi publicado pelo The Gardian, e Antônio Martins, editor do Outras Palavras – Comunicação Compartilhada , nos dá o presente da tradução. Transcrevo parte do texto:

Por que Buenos Aires enlouquece a mídia

by ADM – 23/04/2012

Fracassarão novamente os que preveem derrota da nacionalização do petróleo. Há nove anos, a Argentina avança – exatamente por desprezar o neoliberalismo

Por Mark Weisbrot, no The Guardian | Tradução: Antonio Martins

A decisão do governo argentino, de re-nacionalizar a YPF, antiga empresa estatal de petróleo e gás, foi recebida na mídia internacional com brados de ultraje, ameaças, presságios de tormenta e ruína e até xingamentos.

Já vimos este filme antes. Quando o governo argentino entrou em moratória da dívida externa, no final de 2001, e desvalorizou sua moeda algumas semanas depois, choveram lamentos e condenações na imprensa. A medida provocaria inflação descontrolada, fecharia o crédito internacional à Argentina e provocaria ao final escassez de divisas. A economia iria mergulhar numa espiral de recessão.

Nove anos depois, o PIB de Argentina cresceu cerca de 90%, o índice mais alto no hemisfério. Os índices de desemprego estão no patamar mais baixo de todos os tempos; tanto a pobreza quando a “pobreza extrema” foram reduzidas em dois terços. Os investimentos sociais, já corrigidos pela inflação, quase triplicaram. Provavelmente por isso, Cristina Kirchner foi reeleita em outubro, numa vitória arrassadora.

Esta história de sucesso raramente é contada, em especial porque implicou reverter muitas das políticas neoliberais fracassadas que – apoiadas por Washington e pelo FMI – conduziram o país a sua pior recessão, entre 1998 e 2002. Agora, o governo está revertendo outra política neoliberal dos anos 1990: a privatização do setor de petróleo e gás, que jamais deveria ter ocorrido.

No Brasil, adivinhe quem deseja mais intensamente o “abismo” de Cristina Kircher?

Clique para ler a íntegra.

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