A política no flagelo da seca, ou vice-versa

por Sulamita Esteliam
Imagem capturada no sítio da ASA Brasil: http://www.asabrasil.org.br

Quando não é chuva, é seca. Entra governo, sai governo, e a coisa não anda, pelo menos como deveria, para atender às necessidades da população sofrida do sertão, do semiárido e das periferias das cidades – e não apenas as grandes. Não é de hoje isso, nem de ontem, anteonteontem, tresantonte… há 500 anos.

Dilma Roussef, nossa festejada presidenta, aqui e alhures – as pesquisas de opinião e a mídia internacional não me deixam mentir – esteve ontem em Aracaju. Reuniu-se com os governadores nordestinos para definir medidas e recursos que possam tornar menos perversos os efeitos da seca – aqui  e aqui.

Já são mais de 500 municípios – cerca de 26 milhões de pessoas – atingidos, só na região e no Norte de Minas. E podem chegar a 1.100, nos próximos meses, segundo estimativas do próprio governo,baseado, certamente, em análises climáticas – aqui. Registre-se que, no início do ano, foi no Sul do Brasil que o flagelo da estiagem assolou – aqui -, enquanto a chuva devastava o Sudeste.

Não sou especialista no assunto – aliás, não sou especialista em coisa alguma. Sei, muito bem, que não se pode controlar a natureza, muito menos, quando se lhe provoca com agressões contínuas e cada vez mais intensas. Por outro lado, há que se botar o pé no chão, cair na real, mesmo; não se resolve problemas estruturais, de séculos, de um dia para o outro – muito menos o da sede aos cofres da casa da madrinha.

Também, não tenho receita de bolo para resolver a questão. E, até por isso, não quero jogar ventilador na farofa de ninguém. Mas tenho, cá comigo, a impressão de que o governo continua agindo como bombeiro, que chega para dirimir o rescaldo do incêndio, sem atingir o cerne, se é que me entendem.

Todos nós já ouvimos falar da tal indústria da seca. Aquela coisa, real, de políticos e/ou grupos políticos – incluídos os grupos privados e/ou aqueles que os representam – que se refestelam com o dinheiro público destinado a reduzir as consequências das calamidades, ao invés de aplicá-los para seus devidos fins. Com isso, mantêm-se reféns governo e as populações atingidas ou alvos potenciais.

É fato que muitos se valem da expressão para sugerir que o governo fantasia ou se locupleta quando distribui recursos; e se omite quando não fiscaliza ou não se dá conta de como ele é aplicado. Aliás, o Sakamoto, cientista político e jornalista, publica em seu blogue comentário e entrevista  importantes para reflexão sobre: O problema da seca no Nordeste não é falta de água.

Não me sinto apta, pelo exposto acima, em entrar no mérito se, por exemplo, a Transposição do Rio São Francisco resolve ou não o problema da seca na Região Nordeste, a partir do Norte-Nordeste de Minas, Jequitinhonha incluído. Até porque, exceções à parte, perdõem-me a franqueza, duvido que haja embasamento técnico e certeza na maioria das querelas que nos chegam, já eivadas de coloração política – à direita e à esquerda – nem sempre fáceis de identificar.

Há, porém, perguntinhas que não querem calar: a quantas anda, mesmo, o projeto de Transposição do Rio São Francisco? Se é essencial, por que se arrasta? Enquanto o mastodonte empaca, ou mesmo que ele caminhe a passos lentos ou céleres, por que não apostar, por exemplo, nas soluções simples apontadas pela ASA Brasil, como o programa de construção de 1 milhão de cisternas para famílias de baixa renda do semiárido? – aqui.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s