Contradições de uma greve

por Sulamita Esteliam
Estação e Terminal Joana Bezerra: tranquilidade inusual – Foto: Cidadão Repórter

A greve dos metroviários em cinco capitais completa 18 dias nesta quinta: Belo Horizonte, Recife, Maceió, João Pessoa e Natal. Na tarde de hoje, trabalhadores e CBTU se reuniram no Ministério Público do Trabalho, em Brasília, para tentar chegar a um acordo; até o momento desta postagem, não havia divulgação do resultado. No sítio do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco, há notícia de que a empregadora ajuizou dissídio junto ao TST – aqui

Não sou usuária frequente do metrô, mas aqui no Recife, o movimento por melhores salários e condições de trabalho, que é justo, tem, entretanto, mexido no bolso dos passageiros. Contraditoriamente, tem aumentado o faturamento das empresas do Consórcio Grande Recife que fazem a integração nos terminais. A reclamação me chegou num bate-papo no Facebook.

Explico: em tempos normais, quem compra passagem no guichê do metrô paga R$1,60, que é a tarifa do trem urbano, para acessar os ônibus da integração. Com a greve, o metrô só funciona em horário restrito, e o guichê também. Improvisou-se, então, um guichê num veículo estacionado do lado de fora da estação, e ali o preço da tarifa é cheio, ou seja, R$2,15 para o Anel A.

Uma diferença de cinquenta e cinco centavos por dia, que multiplicada por 18 dias de greve chega a R$ 9,90. Parece pouco, mas representa 4 kg de feijão carioquinha ou 1  kg de bisteca suína, por exemplo.

Minha interlocutora garante que isso tem provocado confusões diárias, em particular na Estação Joana Bezerra, na região centro-sul da capital pernambucana. O que é bastante compreensível; para quem vive com dinheiro contadinho, é lasca!

Hoje, coincidentemente, passei por Joana Bezerra, a caminho de Peixinhos, bairro que se divide entre Recife e Olinda. Precisei ir a Biblioteca Multicultural Nascedouro, uma das oito integrantes da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede, a quem presto serviços de assessoria em comunicação.

A opção mais lógica, e mais barata, para quem sai de Boa Viagem, no outro extremo da cidade, é baldear em Joana Bezerra, pagando apenas uma tarifa. Usei a integração rodoviária, não o metrô. O local, que fervilha, cotidianamente, não só nos horários de pico, estava às moscas por volta das 13:40. Irreconhecível.

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