por Sulamita Esteliam
A semana está recheada de assuntos humanitários importantes, do Brasil ao Oriente Médio, lá onde se perpetua o genocídio de milhares de palestinos civis, alvos da sede de vingança de Israel.
Aqui a CPMI sobre a tentativa de golpe de Estado no 8 de Janeiro, recomendou o indiciamento do Coisa-ruim como idealizador da trama golpista, enquadrado nos “crimes de associação criminosa, violência política, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado”.
Outras 60 pessoas foram enquadradas por motivos semelhantes, dentre elas meia dúzia de generais da reserva: Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, além do almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha.
O relatório produzido pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), lido na sessão anterior da CPMI dos Atos Golpistas tem 1.333 páginas. Coloca Jair Bolsonaro (PL) como “autor, seja intelectual, seja moral, dos ataques perpetrados contra as instituições, que culminou no dia 8 de janeiro de 2023”.
Barba, cabelo e bigode em dó sustenido de viagra com leite condensado, agora sob a regência da Procuradoria Geral da República e da Suprema Corte.
Na Faixa de Gaza, o ataque do Hamas, há coisa de 11 dias, é a desculpa da vez. Todavia, o posto avançado dos Estados Unidos na região invade territórios e mata palestinos , crianças, mulheres e velhos há 75 anos.
E o mundo não se cansa de olhar para o lado e apontar o dedo: a culpa é da Palestina, e ela paga o pecado de estar no lugar escolhido para o enclave sionista. O invasor não perdoa. Tudo o mais é lenda, como bem desenha o amigo Cau Gomez, grata.
Lembro-me que a intifada foi objeto de minha primeira crônica, aos 15 anos, para um concurso escolar. Cursava Química Industrial na então Escola Técnica Federal, hoje Cefet, em Belo Horizonte. Recebi menção honrosa pelo texto.
O prêmio foi o livro Demian, de Hermann Hesse. Alguém me roubou o exemplar e teve a desfaçatez de arrancar a página com a dedicatória, escondendo-a em outro livro. Só me dei conta quando busquei reler a história e não achei o livro; a busca me levou à “benevolência” da mão leve.
Tentei encontrar hoje a página e a crônica, mas não estão em meus alfarrábios organizados. Sei que os guardei, só não tenho ideia onde.
Na procura, topei com outra crônica sobre a guerra e em defesa da paz, que escrevi uns três anos depois, ainda no colegial, em outro curso, o chamado científico. Um trabalho para a disciplina de Português, pelo qual recebi o conceito MB.
Transcrevo do original – lembrando que é a visão de uma garota de 18 anos:
E a guerra ficou justa
Deus, quando criou o mundo, achou por bem criar um ser racional, dotado de inteligência e vontade próprias: O HOMEM. Fez suas leis para que as seguissem, se quisessem. Deixou livre arbítrio.
Aos fazer essas leis, lembrou-se que sem amor não haveria paz na Terra, e disse: “AMAI AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO”. A essa lei não fez concessões. Sabendo que acabara de criar um ser egoísta, em sua essência, deu-lhe uma oportunidade de pensar no amor, pensando em si próprio.
Com a inteligência que lhe foi legada, o homem se esqueceu do próximo, se esqueceu do amor, se lembrou da guerra. Construiu armas e tratou de acabar com o mais próximo fraco.
Em toda história da humanidade, a guerra foi cultivada. Sempre existiu e sempre existirá guerra. E para os que a fazem sempre haverá um motivo a alegar: fazemos guerra por que NÃO É JUSTO QUE.
E por não ser justo, sacrificam seus jovens, suas mulheres, suas crianças, seu povo enfim. Sacrificam sua pátria para defender a PÁTRIA.
O resultado está aí, a olhos vistos: o Oriente Médio, a Irlanda (e neste século 21 a Ucrânia, e novamente o Oriente Médio, para ficar nos dois conflitos mais recentes). Como consequência de se fazer a JUSTIÇA, milhões de mortos e feridos, milhões de órfãos e viúvas; milhões de mães que choram o filho que perdeu na última batalha.
Como se não bastasse, milhões de pessoas estão morrendo de fome, de febre, de falta de assistência devida. É claro que os responsáveis não podem se ocupar com esses probleminhas menores. Estão muito ocupados com as últimas negociações para a PAZ.
Mais claro ainda é que nunca chegam a um acordo e, por isso continuam a guerra, continuam a fome, a miséria e os mortos.
E continuará assim por muito tempo, até que apareça alguém que se lembra de AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO E A DEUS SOBGRE TODAS AS COISAS.
Sulamita Esteliam – nª 17 – 1º C
Outra notícia desta quarta-feira é que o Conselho de Segurança da ONU, ora presidido pelo Brasil, costurou uma proposta de solução humanitária para a Faixa de Gaza, uma trégua no conflito que só esta semana matou 500 civis, muitas crianças, em tratamento em hospital palestino.
A resolução foi vetada pelos Estados Unidos, apesar de ter sido apoiada por 12 países: além do Brasil, França, Malta, Japão, Gana, Gabão, Suíça, Moçambique, Equador, China, Albânia, e Emirados Árabes. Abstiveram-se Rússia e China.
É a velha história que se repete como farsa: há uma década não se aprova nada que vise amenizar o conflito Israel x Palestina. O que reverbera a urgente necessidade de alterar a gênese do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
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Com Revista Fórum e Jornal GGN.