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por Sulamita Esteliam
Não vou estragar a festa com comentários pouco ou nada a ver. Só sei que amo música, não perco uma folia e aprendi a gostar de frevo mais do que poderia imaginar, e não só no Carnaval.
Gosto da melodia no bloco-canção, amo o rasgo dos metais no sopro que entra pelo ouvido, percorre o corpo e acaba pé. Não resisto ao agito e ao calor da frevança de rua – no passo, compasso e alegorias.
E até já ganhei o epíteto de “voiinha do frevo” em carnavais idos, me amostrando no Marco Zero. que é onde o mundo começa, segundo os pernambucanos.
Carnaval passado, Euzinha e o maridão dissemos presente no lançamento de mais um album do amigo Fernando Duarte, companheiro de lutas desde que chegamos ao Recife.
Este ano tem mais. Mas deixo ao compositor a descrição da obra, que, como ele mesmo diz, vem no diapasão dos álbuns anteriores. Com vocês…
‘Um Frevo Impossível’!
por Fernando Duarte*
‘Estou lançando meu quarto álbum de frevos em todas as plataformas digitais.
Dentro do Projeto “Um Frevo Impossível”, este novo álbum mantém a linha desenvolvida nos anteriores.
Com vários intérpretes, arranjos diferenciados e mesclados com outros ritmos e letras que falam de aspectos não tradicionais da cultura do Carnaval, tento pensar sobre o folião, o tempo, o espaço, o amor, o passo, as agremiações e o próprio Frevo.
Nesse sentido, reafirmo que o Frevo é um campo de invenção e que é preciso quebrar com alguns conceitos cristalizados, mantendo como base a tradição e toda a rica gama de composições desse ritmo centenário.
As músicas falam de uma “Olinda em chamas”, “Restando brasas” ante a balbúrdia e a combustão da massa, mas também afirmam que é preciso ser água, como “O Veio que corre” nas ruas estreitas da cidade velha, por onde a revolução e a democracia desfilam com o dragão de luz em “Eu sou do Eu Acho é Pouco”.
No “Frege” surge o amor que começa em Olinda e termina no Ibura, e, em “Se subiu” o amor sobe e desce as ladeiras.
O “Frevo Exaltação” homenageia – concretamente – João Cabral de Melo, assim como “Deixa meu trombone de prata” cita diretamente e indiretamente Capiba e Chico Buarque.
O Impossível e o verossímil se equilibram em “Brinquedo”, uma bela poesia do parceiro Júlio Villanova.
E no “Sábado em Recife” chega o Galo da Madrugada abrindo alas ao sonho.
Cabe, ainda, registrar a qualidade dos arranjos de Felipe Maia e as belas interpretações de Laura Sivini, Marcelo Cavalcanti, Mazo Melo, Amauri Nascimento, Silvia Regina, Pedro Tê, João Paulo Rosa, Kleber Araújo, Allan Maykson e Isabela de Holanda, e dos músicos Riva Le Boss e Marcos Allouchard, que participaram desse trabalho.
Espero que gostem do resultado.
Confiram.
https://open.spotify.com/album/6ND01Di3dy6rfWTuohZsQJ?si=5t17DyJsQceH0XSDjf6M6Q8 ‘
* Fernando Duarte é artista plástico premiado e gestor cultural de destaque. Foi secretário-adjunto de Cultura da Prefeitura da Cidade do Recife, presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, secretário-executivo de Cultura do Recife e também do Estado de Pernambuco.
Sua tragetória na gestão pública cultural de Pernambuco é marcante, desde a primeira década dos anos 2000, quando a capital do Estado foi gerida pelo PT
Engenheiro civil por formação, fez carreira no Banco do Brasil, de onde se aposentou em 2014. É piauiense.
Integrou a diretoria do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, entidade na qual estive assessora de Comunicação por 15 anos. Foi lá que nos conhecemos, em 1998.
As obras do artista podem ser vistas em seu perfil no Instagram: Instagram/efe.duarte