No bloco da saúde, a vacina é passista

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por Sulamita Esteliam

É pré-pré-Carnaval e Euzinha constato que não estou naquele pique todo que toma conta da minha cabeça, corpo e coração nesta época do ano.

Significa que a foliã já não é a mesma, o que me deixa seriamente preocupada. Creio que estou ficando velha, mesmo. Mas, como dizia Cazuza, faz parte do meu show. É parte do show da vida.

Acontece com a folia o que vem ocorrendo com meu fogo para a política. Só não digo que já deu porque, afinal,  este ano tem eleições gerais, e meu voto e minha voz fazem diferença, quero crer.

Não se trata de ter ou não político de estimação, como alguns seres gostam de apregoar que não os têm. Muitos deles, ou desses, no comum de gênero, porque fizeram escolhas danosas para si e para a coletividade, diga-se.

A questão é que reconhecer dói. Só que dói de qualquer jeito, em cada qual de nós.

Bom, digo que o fato que realmente importa é que não basta arrotar-se cidadão ou cidadã, em qualquer nível, tem que participar. Enquanto vida houver.

E a propósito, deixo para registro, porque é importante para todos, todas e todes. Estou num grupo de pesquisa para vacina da gripe aviária, coordenada pelo Instituto Butantan, de São Paulo.

Sou voluntária. Desde que me apresentaram a proposta de pesquisa em uma banquinha móvel instalada no parque onde faço aula de natação, há uns três meses.

Começou nesta quarta. Passei pela triagem em instituto parceiro, aqui no Recife: entrevistas, exames clínicos,  coleta de sangue e urina.

Na sexta-gorda, pré-pré, tomo a primeira dose. Ainda há chance de ser rejeitada, se der alguma zebra com os exames laboratoriais.

Chance remota, porque sou uma velhinha saudável, graças: pressão de menina, 12×7, batimento cardíaco, saturação e peso nos conformes. Triste porque encolhi mais 2 cm. Deve ser por conta da osteopenia, rs.

A prosseguir,  21 dias depois  atualizo a história médica com novo exame físico geral. E tomo a segunda dose, com nova avaliação sobre a resposta imunte outros 21 dias após.

Todo o processo tem acompanhamento médico minucioso em sete visitas, ao todo, e acompanhamento à distância, por telefone ou mensagem.

A equipe é muito simpática e diligente. Melhor, comunidade leitora, descobri ao distribuir o marcador de leitura de O Livro de Dora e suas Irmãs. A cacheira viajante que habita em mim não sossega.

Em cerca de sete meses, estarei dispensada do compromisso científico – Euzinha e todo grupo de cerca de 140 pessoas de 18 a 59 anos e de 60 anos ou mais,  meio a meio, que fazem parte do estudo.

Recebemos ajuda de custo para transporte e alimentação. E assistência médica integral em caso de qualquer revés decorrente dos procedimentos.

Estou feliz em contribuir.

A vacina objeto de estudo pelo Butantan faz parte do programa nacional inédito de desenvolvimento tecnológico do Ministério da Saúde – Foto capturada no site do Instituto Butantan

O estudo objetiva avaliar a segurança e proteção imunológica – ou a produção de anticorpos – no corpo humano, após a vacinação de duas composições da “vacina-candidata” contra a gripe aviária produzida pelo Instituto Butantan.

Visa, também, selecionar a vacina entre duas composições desenvolvidas para estudos futuros. É experimento fundamental para a saúde pública.

Não há vírus ativos na composição da vacina, mas fragmentos inativados, mortos, da superfície do vírus do tipo A-H5N8.

A pesquisa foi iniciada após o vírus da gripe aviária aportar no Brasil,  causando mortes de aves, especialmente no litoral do país.

Em agosto do ano passado o projeto para desenvolvimento da vacina foi incluído no Programa de Desenvolvimento e Inovação Local, iniciativa do governo federal.

Registre-se: é a primeira vez quer se cria política nacional de apoio à pesquisa de inovação tecnológica no Brasil.

O vírus da gripe aviária chegou aqui na sequência de uma série de contaminações de pessoas no mundo, inclusive em países próximos a nós, como Chile e Equador. Isso se deu em 2023.

Para atualizar: a gripe aviária é doença causada por vírus que infectam aves e outros animais – porco, gado – e pode chegar ao ser humano a partir da convivência com bichos infectados. Não é transmissível entre humanos.

Não é um gripezinha.

As diferentes cepas podem gerar doença grave, como pneumonia e falência múltipla de orgãos; portanto podem levar à morte. Ocorre com mais da metades das pessoas infectadas.

É o que diz velho ditado: antes que o mal cresça, corte-lhe a cabeça. A ciência é arma insubstituível.

E viva a vacina! Tomo todas que a saúde pública oferece.

Agora, diga aí! Como anda sua carteira de vacinação, heim, heim? Por exemplo, no quesito Coronavírus e Influenza? Carnaval já está aí, e o vírus, qualquer deles, nunca pede licença para circular. Atualize-se enquanto é tempo.

Clique para saber:

Fala, Ciência! O que é fato e o que é mentira (fake) sobre vacinas e outras notícias sobre saúde.

 

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