Carnaval ‘é comunhão’: Lula e o coração de Dom Hélder no Galo da Madrugada

Ouça o áudio ao pé da postagem.

por Sulamita Esteliam.

Recife, Olinda e entorno têm folia bem molhada este ano. É fato desde o último fim de semana. E é a previsão para todo o reinado de Momo. Haja chuva!

Há tempos não ouvia o som de trovoada, que se segue aos relâmpos e eventuais quedas de raios.  Aqui é raro, e não me perguntem por quê.  O maridão costuma dizer que aqui, mesmo quando desaba um aguaceiro, a chuva é silenciosa. 

Mas o calor tem sido de tamanho abafamento e a umidade é máxima,  e tudo isso junto resulta num fevereiro de tempestades prolongadas, incomuns para o alto verão neste quadrante do Nordeste.

A abertura do Carnaval foi sob água, na quinta e sexta.  A cidade derreteu, literalmente. Para se ter ideia, levei três horas para chegar em casa, desde as Graças, começo da Zona Norte. Moro em Boa Viagem, coisa de 10 quilômetros.

O sábado deve ser de sol, porém. O Galo da Madrugada 2026,  o gigante da Ponte Duarte Coelho,  pode cantar alto e forte. O bicho está lindão este ano. Traz no peito o coração de Dom Helder Câmara, o “Dom da Paz”.

O Arcebispo Emérito de Olinda e Recife,  um anjo cearense que fez de Pernambuco seu território, definiu o Carnaval como um “ato de comunhão”. Sabedoria paid’égua.

A médica Nise da Silveira, que, no século passado, revolucionou a psiquiatria, é também homenageada pelo Galo em folia. Nise substituiu o tratamento de choque pelo afeto, estimulando a arte que habita mentes em desajuste.

E quem prestigia o desfile do maior bloco do Planeta Terra, registrado no Guiness, é ninguém menos que presidente Lula da República pernambucana e do Brasil.

Ele e Janja, a primeira dama mais porreta em linha reta de todos os tempos, já estão na cidade. Vieram para missão oficial de inauguração de fábrica de medicamentos em Suape.

De lá, esticaram para o Recife, aonde acompanham o desfile dos milhões de frevantes. Daqui seguem para Salvador e depois para o Rio de Janeiro, onde o “filho do Brasil” inspira o roteiro da Unidos de Niteroi.

E por falar em Carnaval, o governo federal bateu um bolão com o pacto nacional pelo fim da violência contra a mulher. Uma campanha dirigida a toda a sociedade, mas especialmente aos homens, que é o gênero agressor, na maioria dos casos.

Chega em muito boa hora o foco na conscientização, sobretudo dos homens, que são os agressores principais, repito.

Permitam-me palpitar: é preciso trabalhar na educação igualitária das crianças – em casa, na escola, nos espaços públicos.

A posse é o vírus do machismo e da violência, e tem que ser negativada desde a infância: é de menina e menino que se torce o pepino, diz o ditado popular.

Falo disso no meu livro Em Nome da Filha, que trata de relacionamento abusivo, feminicídio e luta por justiça. Mandei um exemplar pro Lula, através do Instituto Lula, enquanto ele estava encarcerado, indevidamente; não sei se recebeu.

Aqui o áudio desta postagem:

Deixe uma resposta