
Por Sulamita Esteliam
Tome um antiácido: o assunto desta quarta é o acirramento da baixaria da mídia golpista. Nesta quinta, 23, às 19 horas, tem Ato Contra o Golpismo Midiático e Em Defesa da Democracia, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. É convocado pelo Centro de Estudos de Mídia Barão de Itararé. Representantes das principais centrais, partidos políticos e movimentos sociais confirmaram presença. O evento virou notícia na velha mídia, como sempre, distorcida: o ato teria sido convocado pelo PT.
Em contraposição ao ato político convocado pelas esquerdas, a direita também se mobiliza: convocou ato e lançou manifesto, nesta quarta, em São Paulo; uma espécie de “Cansei”, o retorno; ou se preferem, tosca reedição da Marcha da Família com Deus, de 1964. O gancho é nova postura de Lula, que resolveu denunciar as manipulações grosseiras de que ele, seu governo e Dilma vêm sendo alvo – assista ao vídeo.
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Na leitura da velha mídia, o presidente da República viola a liberdade de imprensa e expressão. A agência Carta Maior fez um rol especial da virulência golpista do dia. Transcrevo:
Dispositivo midiático lança ordem unida
Editorial do Estadão, 21/09: “… sem o menor pudor Lula alimenta no eleitorado de baixa renda e pouca instrução – seu público-alvo prioritário – o sentimento difuso de que quem tem dinheiro e/ou estudo está do “outro lado”, nas hostes inimigas. Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes. Por extensão, uma enorme ojeriza à imprensa….”
Arnaldo Jabor, 21/09: “… Lula não é um político – é um fenômeno religioso. De fé. Como as igrejas que caem, matam os fiéis e os que sobram continuam acreditando. Com um povo de analfabetos manipuláveis, Lula está criando uma igreja para o PT dirigir, emparedando instituições democráticas e poderes moderadores.(…)A única oposição que teremos é o da imprensa livre, que será o inimigo principal dos soviéticos ascendentes. O Brasil está evoluindo em marcha à ré! Só nos resta a praga: malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, e vos devorem a alma. Os soviéticos que sobem já avisaram que revistas e jornais são o inimigo deles. Por isso, “si vis pacem, para bellum”, colegas jornalistas. Se quisermos a paz, preparemo-nos para a guerra…”
Caetano Veloso, 20/09: “É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza…”
Merval Pereira, Globo, 21/09: ” … popularidade de Lula hoje lhe dá essa sensação de poder absoluto. Daí a desqualificar a grande imprensa e querer influenciar diretamente o eleitorado, sobretudo o das regiões mais pobres do país, através dos programas assistencialistas, e a tentativa de controle da mídia regional através de verbas de publicidade.[…] Para os que não se submetem a essa política, fica cada vez mais evidente que um eventual governo Dilma vai tentar aprovar no Congresso uma legislação especial que permita o controle dos meios de comunicação através dos mais diversos conselhos, o chamado controle social da mídia, a exemplo do que já acontece na Venezuela de Chávez e a Argentina dos Kirchner está tentando. A reação desmesurada da candidata oficial a uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo que mostrou problemas em sua gestão à frente de uma secretaria no governo do Rio Grande do Sul dá bem a medida de sua tolerância à livre circulação de notícias críticas..”
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Sem proposta crível – num debate no Recife, dia 20, transmitido para todo o Nordeste, o Zé chegou a dizer que vai conceder 13º do Bolsa Família -, só resta a seus cabos eleitorais aumentar o tom das denúncias, sem provas; e partir para o vale-tudo, na desesperada tentativa de virar o jogo. A proporção é inversa ao avanço do Zé nas pesquisas.
Tem razão o jornalista Luis Nassif, quando desabafa, como fez hoje, logo no início da tarde: “Há um radicalismo tão entranhado no ar, em alguns segmentos da mídia e de setores de classe média – insuflados diariamente pelos jornais – que o clima é quase igual ao dos anos 60. Um horror! Ainda bem que o quadro político é diferente.”
A comparação com a década de 60 está em todos os blogues independentes, que a tropa de choque da tucanada e o Zé chamam de “sites do PT”. Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, lembra, ao reproduzir postagem do blogue Amigos do Presidente Lula, que “os tempos são outros, hoje tem internet”.