O DNA da baixaria e o pecado da mentira

Por Sulamita Esteliam

A campanha de Dilma montou uma central de combate aos boatos e calúnias dos quais a candidata do PT à Presidência da República vem sendo alvo, desde o primeiro turno. Concordo com o colega Rodrigo Vianna, do blogue Escrevinhador, em que é preciso mais do que isso. A legislação brasileira tem, sim, instrumentos para punir crimes desta natureza, ainda que o TSE venha encontrando dificuldades para brecar os caluniadores. De qualquer forma, cabe ao PT rastrear as origens da campanha sórdida e acionar o Ministério Público e a Justiça Eleitoral. A trilha é mais simples do que parece, como mostra o jornalista Tony Chastinet na postagem do Escrevinhador, que transcrevo mais abaixo.

Antes, não resisto a alguns comentários:

  • Quem acredita e repassa mensagens dessa natureza – se é ingênuo o suficiente para crer em tudo que lhe caia na caixa de mensagens e/ou nas mãos e ouvidos – deve saber que está em péssima companhia – política, moral e humanamente falando.  E está sendo cúmplice, no mínimo, do crime de difamação.
  • Para quem é religioso, a coisa se torna mais grave, pois, calúnia e difamação é a propalação da mentira. E isso é pecado em qualquer cartilha cristã, dessas que se soletra no catecismo ou escola dominical. Não apenas usam o Santo Nome de Deus em vão. Usam-No para prejudicar uma em detrimento de outro, sem levar em conta o todo, a coletividade: mentem, caluniam, perseguem, ultrapassam as leis Divina e dos homens.
  • Junte-se o fato de que a tentativa de interferir nas questões de Estado, laico (para todos, sem distinção de credo ou religião) afronta direitos fundamentais do ser humano. E rasga a nossa Carta Magna, a mãe de todas as leis.  Isso – para quem se arroga a dizer que não existe mais direita e esquerda – é atitude de ultradireita.
  • Daí que causa espanto que, em pleno terceiro milênio, setores das igrejas tenham abraçado tal causa. Por mais que a História esteja repleta de exemplos de intolerância e abusos religiosos, desde a Idade Média – das guerras ditas santas ao apoio às ditaduras e aos poderosos, passando pela Inquisição.
  • Igrejas no plural, pois a campanha de satanização de Dilma envolve ultraconservadores católicos e evangélicos de todas as idades. Será que não temem o fogo do inferno com que ameaçam seus fiéis?
  • Clique aqui para ler, em Carta Maior, a íntegra do manifesto de católicos e evangélicos pró-Dilma, divulgado ontem, em Brasília.

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Isso posto, vamos ao que diz o Escrevinhador:

Os caminhos da calúnia

Boateiro tem nome e sobrenome: email contra Dilma partiu da extrema-direita

publicada quarta-feira, 13/10/2010 às 20:21 e atualizada quarta-feira, 13/10/2010 às 20:30

Não é difícil rastrear os caminhos da boataria que atingiu Dilma Rousseff, poucas semanas antes do primeiro turno. A campanha do PT parece não ter levado a sério a ameaça. E a  boataria e as calúnias prosseguem.

O jornalista Tony Chastinet – colega com quem tive o prazer de dividir o prêmio Vladimir Herzog em 2007, e com quem produzi a série de reportagens sobre as centrais clandestinas de tortura durante a ditadura – fez um levantamento minucioso sobre a origem de um desses e-mails caluniosos. Não precisou de dinheiro, nem de ferramentas especiais. Usou basicamente o “Google”. Gastou alguns minutos e usou a experiência de quem já investigou dezenas e dezenas de picaretas em suas reportagens investigativas.

Tony Chastinet descobriu que o email partiu de gente ligada à extrema-direita. Gente com nome, sobrenome e endereço. Confiram…

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O CAMINHO DA CALÚNIA

por Tony Chastinet

Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa.

Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site www.tribunanacional.com.br.

Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita. Vejam uma amostra neste linkhttp://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.

O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”.

Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes).

Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.

Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão.

Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas. Mas tem mais.

No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai.

Serpa Pinto trabalha na Secretaria da Fazenda de Mato Grosso. Korontai é responsável pelo sitehttp://www.projetovendabrasil.com.br. É um negócio estranho como pode ser visto na página da internet. Ele atua na área de tecnologia e fez concurso para analista de sistemas no TRE do Paraná.

O cadastro do site dele está em nome da CliqueHost Internet Hosting e Eletro Eletrônicos (CNPJ 008.144.575/0001-90 – Avenida Doutor Chucri Zaidan, 246, SL 18, São Paulo). O responsável chama-se Frederich Resende Soares Marinho.

Marinho é consultor de informática e trabalha em Piraúba (MG). Há uma série de reclamações de que ele vendeu hospedagens de site e não entregou o serviço. Ele é membro da Assembleia de Deus em Sorocaba.

Outro dado interessante: Ingo coloca um link no e-mail para quem não quiser mais receber as mensagens. Esse link aponta para o seguinte endereço: ingo.newssender.com.br. Newssender é um serviço de marketing eletrônico (leia-se spam) registrado e vendido pela Locaweb Serviços de Internet S/A. O curioso é que é o mesmo provedor que hospeda o site do candidato tucano.

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