Mentira tem perna curta II

Por Sulamita Esteliam

Nunca é demais botar os pingos nos is. Particularmente numa campanha em que o cinismo, a hipocrisia e a mentira tentam surrupiar a consciência e a vontade do povo brasileiro. Repor a verdade, é o que faz o professor mineiro Gilson Reis, militante da causa da educação, presidente do Sinpro Minas, no texto abaixo. Está postado em seu blogue, de onde arrastei a imagem  que o ilustra. Mas recebi por correio eletrônico, em mensagem encaminhada por uma professora, que não por acaso é minha irmã.  Prova de que mentira, tem mesmo perna curta.  Aproveitem sem moderação.

José Serra Pinóquio.

O trololó

Gilson Reis*

“Na contemporaneidade, a mentira constitui um dos principais atributos das relações sociais, instituindo-se como valor eticamente perverso e destrutivo em todos os níveis da vida dos homens.” Angela Caniato

O processo eleitoral está chegando ao seu momento decisivo e, quanto mais se aproxima dessa fase, mais tensionamentos e mentiras são utilizados pelo desesperado candidato demotucano. Para repercutir de forma ampla o esquema preparado, ele utiliza as estruturas de poder paralelo e seus vários tentáculos presos à velha estrutura do submundo da política nacional. Como disse Maquiavel em seu livro “O Príncipe”: “os fins justificam os meios”. É com esse conceito do vale-tudo que finalizamos o primeiro turno e estamos percorrendo todo o segundo turno eleitoral.

O candidato demotucano é atualmente o principal quadro político da direita liberal-conservadora do país. O esquema eleitoral foi preparado com todo o cuidado para permitir o reagrupamento das várias facções dessa ideologia política e assumir novamente o comando do governo central do Brasil. No entanto, está sendo extremamente difícil o êxito deles nessa jornada, pois não imaginavam ter que enfrentar a candidata do governo mais popular da história do país.

Diante de tal panorama, o José trololó teve que esconder o programa de governo neoliberal proposto para o Brasil. A tática perseguida pelos idealizadores do processo eleitoral consiste em fazer algumas propostas populistas, abaixar o nível da campanha, utilizando temas religiosos e morais e finalmente mentir, mentir com toda a cara de pau possível e impossível.

A mentira vem sendo utilizada ao longo da história da humanidade em disputas eleitorais e nos círculos de poder. Conforme Freud, “mentir é uma tentativa de viver o que é como se queria viver e não o que se vive e se é de fato”. Há uma idealização de uma ou várias situações, de uma condição, de uma pessoa. A idealização é contrária à realidade e permite apenas uma visão parcial. Por trás da mentira está uma dificuldade de enfrentar a realidade. Mentindo, o sujeito pode acabar, ele mesmo, acreditando nesta mentira.

Vejamos, portanto, as várias mentiras destiladas pela campanha e pelo candidato demotucano José Serra Pinóquio, o trololó.

José Serra Pinóquio: o trololó criou o seguro-desemprego!

Mentira.

O seguro-desemprego foi criado em 1986 pelo então presidente José Sarney. O programa foi instituído junto ao Plano Cruzado, decreto-lei número 2.284, de 1º de março de 1986.

José Serra Pinóquio: o trololó é o pai dos remédios genéricos no Brasil!

Mentira.

A fabricação de remédios genéricos no Brasil começou em 1993, através do decreto-lei 793, pela iniciativa do então ministro da Saúde do governo Itamar Franco, Jamil Hadad.

José Serra Pinóquio: o trololó criou a bolsa-alimentação, que no governo Lula transformou-se em bolsa-família!

Mentira.

A bolsa-alimentação era um programa restrito a uma pequena parcela da sociedade. Conforme o candidato demotucano, o bolsa-família é um programa de bolsa-esmola. Em seus quatro anos à frente do governo de São Paulo, destinou apenas 0,15% do orçamento para programas de transferência de renda, 500% menos que o governo Lula/Dilma.

José Serra Pinóquio: o trololó tem afirmado nos debates e programas eleitorais que é contra a privatização e que vai fortalecer as estatais brasileiras!

Mentira.

Conforme FHC, o ministro do Planejamento do seu governo, José Serra, foi o responsável direto pelo processo de privatização no país. Em quatro anos de governo no estado de São Paulo, o candidato demotucano privatizou 33 empresas estatais paulistas, incluindo nessa liquidação irresponsável o banco estadual Minha Caixa.

José Serra Pinóquio: o trololó afirma com veemência que tem as mãos limpas e que jamais participou de esquemas de corrupção e caixa-dois!

Mentira.

FHC e José Serra são os responsáveis pelo processo de privatização no Brasil e pelo maior esquema de corrupção da história do país. O livro Os porões da privataria, que deverá ser lançado após as eleições, mostrará a partir de documentos oficiais como funcionava a transferência de milhões de dólares para paraísos fiscais. O esquema envolve personalidades do alto demotucanato, incluindo Daniel Dantas e a filha do candidato José Serra.

José Serra Pinóquio: o trololó afirma que jamais utilizou caixa-dois em suas campanhas eleitorais e jamais esteve envolvido em esquema de corrupção.

Mentira.

Há uma semana o país quer saber quem é o engenheiro Paulo Preto (ex-presidente da Dersa, empresa paulista responsável por grandes obras viárias, como o rodoanel de São Paulo), que sumiu com 4 milhões de reais da campanha demotucana. O candidato
disse desconhecer o engenheiro. Vinte e quatro horas depois, após a imprensa publicar uma foto do então governador de São Paulo junto ao arrecadador da campanha, Serra disse: “conheço o homem, mas não tenho nenhuma relação com ele”. Paulo Preto afirmou
em tom de cobrança: “não se deixa um homem ferido no meio da rua”. Também é necessário afirmar para todos os homens brasileiros honestos que José Serra responde a dezessete processos na Justiça, conforme demonstra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo três por corrupção.

José Serra Pinóquio: o trololó fala em seu programa eleitoral que foi o melhor ministro da Saúde da história do Brasil e que vai melhorar ainda mais a saúde no país.

Mentira.

Foi no governo FHC/Serra que o país viveu a maior crise da saúde de todos os tempos. A política de destruição do SUS (Sistema Único de Saúde), com a transferência de volumosos recursos para a iniciativa privada, levou o país a desenvolver epidemias já
controladas pelo Brasil em governos anteriores, com destaque para dengue, febre amarela e leishmaniose. Em quatro anos do seu governo em São Paulo, Serra prizatizou a saúde no estado, transferindo a gestão de 79 hospitais públicos estaduais para a iniciativa privada, por meios de Ocips (NR: Organização da Sociedade Civil de Interesse Público).

José Serra Pinóquio: o trololó vem afirmando em seus programas eleitorais que será o presidente da educação, do infantil ao superior, passando pelo ensino profissionalizante.

Mentira.

José Serra/FHC/Paulo Renato destruíram, em oito anos de governo, a educação pública superior brasileira, sucateando completamente as universidades federais. Transformaram o ensino superior em serviços, conforme orientava o Banco Mundial, em mera mercadoria. FHC investiu em oito anos de governo menos de 3% do PIB na educação nacional, destruiu o ensino técnico profissionalizante e submeteu os professores ao maior arrocho salarial da história do país.

O atual secretário da Educação do Estado de São Paulo e ex-ministro da Educação do governo FHC, Paulo Renato, é sócio da empresa PRS consultoria. A empresa é especializada na indústria do conhecimento e sua função é prestar assessoria às instituições
privadas, realizando pesquisa de mercado e traçando estratégias para a entrada de instituições estrangeiras no país, através de fusões, aquisições e expansão. A empresa é orientatada segundo os princípios do Banco Mundial: privatizar a educação pública.

José Serra Pinóquio: o trololó está dizendo em seu programa eleitoral que vai reajustar o salário dos aposentados em 10% e vai melhorar a vida de todos.

Mentira.

FHC e Serra foram responsáveis pela maior destruição e desestruturação da previdência pública brasileira. Foram eles os responsáveis pela reforma do sistema que limitou a aposentadoria em dez salários mínimos e achatou de forma desumana os vencimentos dos aposentados; eles instituíram o fator previdenciário e construíram junto aos banqueiros o modelo de previdência privada, entre dezenas de outras mudanças que prejudicaram sistematicamente os trabalhadores aposentados. Não satisfeito com todas as atrocidades, FHC chamou os aposentados de vagabundos. Serra pode até reajustar o vencimento dos aposentados em 10%, mas ele não disse que depois disto vai arrochar os vencimentos e realizar uma nova reforma da previdência para aumentar a idade mínima para aposentar.

Verdes, vermelhos, amarelos e todas as cores e colorações do país. Conforme sabedoria popular, a mentira tem perna curta. Todavia, a decisão que os eleitores brasileiros tomarão no próximo dia 31 de outubro é espremida por um tempo escasso e confuso de mentiras e distorções. Não podemos em hipótese alguma descobrir o tamanho das pernas da mentira depois da consumação do processo eleitoral. Investigue os temas acima relacionados, compare os oito anos de governo FHC/Serra e os oito anos de Governo Lula/Dilma. Não podemos deixar que o país recue ao passado de tantas mazelas e descaso. O Brasil avança. E nós, brasileiros, precisamos avançar ainda muito mais.

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* Gilson Reis é autor dos livros Lula lá, aonde? e Sindicalismo: Cenários de um Novo Tempo. Presidente do Sinpro Minas, foi candidato a deputado estadual pelo PCdoB nessas eleições, ficando na suplência.

2 comentários

  1. NANO A NANO.

    AGORA ESTOU CONSEGUINDO TER ACESSO A ALGUMA COISA NO SEU BLOG, UM CHEGADO DO CPD LIBEROU
    DEPOIS DE UMA BOA CONVERSA. VALEU AGORA ESTOU ACONPANHANDO…BACANA. BEIJOS. JESUS TE AMA E EU TAMBÉM.

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