Carta aberta de um antropólogo à mulher brasileira

Dilma recebe e distribui carinho em Beagá: carreata-passeata em 16 de outubro - Foto: Roberto Stuckert Fo
Por Sulamita Esteliam

Transcrevo artigo do antropólogo e escritor mineiro, Romeu Sabará, postado no Cometa On, blogue do jornal Cometa Itabirano, editado por meu amigo Marcelo Procópio. Tivemos, eu e MP, o privilégio de termos sido alunos dele, de Antropologia,  no curso de Comunicação Social da Fafich/UFMG, na segunda metade dos anos 70. Tempos bicudos, ainda, quando a escola era reduto de resistência e banca de formação política. Salve, professor!

(carta aberta)

Romeu Sabará – antropólogo e escritor

Eu, homem brasileiro, com meus sessenta e nove anos de vida, como antropólogo e pretenso poeta, depois de participar de tantos processos eleitorais para presidente da República, de assustado e envergonhado, passei a ficar indignado com o que vem ocorrendo no processo para eleição do futuro Presidente da República a tomar posse em 2011.

Pela primeira vez, na História do Brasil, uma mulher, candidata a Presidente da República – a Dilma Rousseff – tornou-se favorita no processo eleitoral para dirigir essa nação que sempre foi governada por homens. Foi o bastante para que o mais descarado machismo brasileiro viesse à tona, com todas suas armas e se avolumasse na cabeça de homens equivocados ou de má fé.

Levantou-se uma voz que havia séculos vinha falando em nome do útero da mulher, como se o corpo de mulher fosse propriedade de homens reprodutores. Desencadeou–se a mais sórdida campanha contra essa mulher, de calúnia em calúnia, mídia por mídia, de boca em boca, encoberta pelo mais vil anonimato. Hipocritamente, acusam-na de ser a favor do aborto e se arvoram como defensores de criancinhas, das mulheres que eles mesmos levaram para o sacrifício.

Para tanto, não faltaram religiosos equivocados ou de má fé que, esquecendo-se do espírito cristão que pregavam, entraram em cena para engrossarem essa onda antidilma. E porque Deus não é homem e nem mulher, mas somente justo, há de afastar essa perversa onda machista para triunfar a verdade. Que religiosos de boa vontade nos venham a falar de um Deus, justo para com as mulheres.

Mais do que isso, emerge em cena o fantasma da ditadura militar para mancharem seu passado de lutas. Antes, diziam que Dilma não participou do movimento pelas Diretas-Já, contra a ditadura militar. Agora, homens de má fé, que implantaram a ditadura e mataram filhos da Pátria Amada, vêm engrossar essa perversa onda machista, alegando que ela participou da luta armada contra a ditadura militar. E, por ter sido ela, heroína entre nossos heróis, colocam seu corpo de mulher na roda para zombaria de homens de má fé. Isto tudo porque estão apavorados ante a ameaça de perderem esta luta democrática que vem sendo travada pelo voto, voto por voto.

Em face de tamanho estupro moral, as mulheres brasileiras para que não sejam, depois, acusadas de coniventes com esse machismo, deveriam cerrar fileira ao seu lado.

Que o corpo as mulheres que geraram, amamentaram e criaram os filhos da Pátria Amada com essas mulheres Brasil fale mais alto do que a boca desses degenerados. Que seus filhos e seus companheiros sejam solidários, sejam elas brancas, negras, indígenas ou mestiças.

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