Por Sulamita Esteliam

Estou de volta ao Recife, após vinte dias entre Rio e Beagá. A capital pernambucana é meu lar há quase 14 anos. Brindou-me com o belo sol de verão, uma brisa abençoada e todo seu calor humano. Não, ainda não tive tempo de molhar os pés no mar, e a benção a Iemanjá tomei de cima, quando vislumbrei seus domínios, antes de o avião pousar no Aeroporto dos Guararapes, às 9:30 da matina, desta quarta, 22.
É bom estar de volta à casa, abraçar filhas, companheiro, netos, genro, falar com amigos. Mas ao fim da tarde, caí no sono – para recuperar as energias. Por isso, só agora abri o computador.
Sim, o dia foi pesado, em parte, devido ao ritmo acelerado do meu derradeiro em Belo Horizonte: malas, compras, despedidas … Coração dividido.
Claro, e a inevitável, e indefectível, visita ao Mercado Central – para garantir acepipes mineiros, imprescindíveis: queijos, cachaça, temperos e que tais… Com direito a uma gelada, em pé, num dos muitos botequins instalados nos diversos acessos ao paraíso das gostosuras ficando no coração da cidade.
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Desfiz as malas e fui matar as saudades, e me despedir, de minha filha-guerreira Gabriela, do genro Ary, e dos netos que ela me deu. Gabriel deixou-se podar as madeixas quase negras, e me pareceu um homenzinho, aos 14 anos; Guilherme acaba de completar 08 anos, os cabelos castanhos, quase loiros têm que ser, frequentemente, afastados dos olhos grandes e amendoados. Estava simplesmente plugado com a iminência da viagem.
Eu chego, e eles partem para Beagá, onde passarão o Natal com o avô, a bisavó e a legião de tias e tios, tias/os-avós, primas e primos – do meu e do outro lado… Dora, a avó número 3, mãe do Ary, vai junto degustar o clima montanhês. Os meninos seguem, depois para Fortaleza, curtir as férias com o pai, Renê, e família ampliada.

Na capital cearense, também vive minha neta, Larissa, de 12 anos, de quem estou sempre com muita saudade. Mora com a mãe, Michele, e a nova família, que inclui três irmãos, sendo duas meninas. É filha do meu primogênito e único varão, Elgui. E irmã do Mateus, de nove meses, meu neto caçula, que acabo de deixar em Beagá, nos braços da mãe Daniela.
Dos rebentos que eu pari, em Belo Horizonte, ainda fica Carol, uma moça valente e dinâmica, que me hospedou a maior parte dos dias nas últimas duas semanas. E que, apesar disso, ainda curte mimos de ex-caçula por 10 anos. Será a guardiã de Bárbara – o nome diz tudo -, que lhe tomou o colo, e que vai prestar vestibular para direito na UFMG.
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E há Juliana e Paola, filhas do meu companheiro Júlio, minhas de coração. Juba vive e trabalha em Beagá, onde também está a mãe, Vanda. Consegue multiplicar-se por mil.
Paola mora em Chicago, onde estuda e trabalha – completamente focada. Trouxe o marido, Mat, para apresentar à família. Simpatia em pessoa, diria minha mãe. Notável o esforço que ele faz para falar português; aliás, como se deve em terras estrangeiras. E o faz com dignidade, e sem medo de ser feliz. Bem-vindo às canchas, Mat. Muito bom, muito bem!
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Eis nosso retrato do nosso núcleo familiar. Como podem ver, somos legítimos espécimes da família moderna global -no bom sentido, naturalmente.