Um mergulho na História de Beagá

por Sulamita Esteliam
Painel de Isabel Galery na exposição “Em volta dessas mesas, uma cidade” – Museu Histórico Abílio Barreto, em cartaz até novembro/2011 – Foto: Galeria Isabel Galery/Flickr

Nestes dias 21 e 22 de abril de 2011, vivi horas, singularmente, ricas, entre familiares e amigos. No feriado da Inconfidência, aniversário de minha mana Zeíca, traíra sem espinho, rabada e pé de porco, no Chico da Cafua, Anel Rodoviário. Simplesmente, divino. Na Sexta da Paixão, visitei Nilmário e Stael, cujas companhias sempre me foram caras, e as quais há tempos não desfrutava. Conversas enriquecedoras,  que preciso maturar antes de passar adiante – ou não. No meio do caminho até bacalhoada, deliciosa, em família – na casa de minha irmã Lili e meu cunhado Betinho -, redescobri minha terra.

Andei pela Belo Horizonte que não me cabia, quando aqui brotei, e onde cresci, tornei-me quem sou. Uma cidade da qual, anos e anos mais tarde, me senti expulsa – muito pouco, cordialmente, aliás. E que, não obstante, jamais saiu de mim. Uma cidade que me recebe com carinho, d’onde, ainda hoje, me sinto parte – e ao mesmo tempo estrangeira, em alijamento natural -, que transborda na essência da marginalidade.

Bem parecido com os antepassados de Curral  Del Rey, arraial que cedeu à Cidade de Minas, que deixou de caber suas origens, em nome do compasso do círculo com um marco no meio. Aonde o sonho resulta em frustração, e a alegria em certa nostalgia do que é, sem nunca ter sido. Modernidades de antanho.

Ei, Beagá, quantas trilhas, quilhas, terços, traços e travessas!

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O casarão, que foi sede da Fazenda do Leitão, abriga o museu, desde 1943 – Foto: casacombr

Hoje, pela primeira vez, ousei adentrar no museu que guarda tua História. Sério! Que me perdoe Abílio Barreto, mas estou mais para Arevolo (?), que dissecou A Capital.

O anexo cultua a modernidade – Foto: casacombr

Recomendo, ainda assim, a quem interessar possa: até o último dos dias deste ano corrente, há três exposições singulares, e complementares, no Museu que habita o casarão da Cidade Jardim – e mais uma, de aluvião:

1)  A própria Mutação da cidade de prancheta, criada sobre os despojos de uma comunidade expulsa para a periferia, calcada na negação do ser, em permanente mudança  –  adorei ver fotos de Mana Coelho (pernambucana de origem), sobre a greve dos peões da construção civil, em 1979, no painel de identidades. Leitura poético-desmistificadora da nossa História geral-particular, em retorno: da metrópole ao arraial. Vale cada minuto, identificação ou descoberta; ainda que doa, de doer.

Em cartaz até até 2014.

2) Também no casarão-sede, as pontes com o sagrado: um roteiro histórico-geográfico da religiosidade multifacetada dos curralenses-horizontinos, de ontem e de hoje.

3) No anexo, de moderna arquitetura, uma radiografia da cidade-paraíso, sem-mar, mas com-bar: são 12 mil, nas últimas estatísticas. Bons metros quadrados dedicados à memória do acervo tradicional da Capital Mundial dos Botecos –  com direito a espiadinha mineira, tipo buraco-da-fechadura, olho mágico para lugares-reais, que fazem o deleite de nativos e visitantes. Isabel Galery assina os paineis.

4) Múltiplos cartões postais da Bello Horizonte-Curral Del Rey aos nossos tempos – disponível, a exposição, nos próximos dois a três meses, segundo os gentis funcionários do Museu Histórico Abílio Barreto.

Saiba mais aqui.

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Há muito mais para se ver no museu, fundado em 1943, com um anexo que funde a tradição com a modernidade.  Por exemplo: no pátio, a locomotiva Mariquinha, dos tempos da Comissão Constutora da Capital; uma impressora-linotipo, que rodou o primeiro Minas Geraes e o último bonde a circular em Belo Horizonte, em 1963.

Há, também, loja de lembranças e mimos: muito interessantes as esculturas-maquetes em papel de monumentos – e até de veículos do transporte coletivo.  E há camisetas, porcelanas, jogos e que tais.

Quem se dispõe aos detalhes, pode passar horas lá dentro. Leve grana, para desfrutar do Café Museu, no Mezanino. O ambiente é refinado e agradável;  o cardápio vai do café, forte e saboroso, ao peixe com ares de sofisticação – e preços compatíveis,  com os ares, naturalmente.

“Em volta dessas mesas, uma cidade – Bares como lugares na História de Belo Horizonte” – Isabel Galery

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