Kadafi é morto, e da Líbia o que será!?

por Sulamita Esteliam

A execução de Muammar Kadafi, na quinta-feira, pelas forças rebeldes foi comemorada pelo mundo ocidental  e, até, pelo povo líbio, segundo a mídia nativa e internacional. Mas é o caso de perguntar se, de fato, a morte do homem, que comandou o país com mãos de ferro por mais de 40 anos, significa a libertação daquela gente e a redenção democrática da Líbia. O tempo dirá.

Transcrevo editorial de Carta Maior, a propósito, que nos ajuda a refletir para além do que parece óbvio:

LÍBIA, PETRÓLEO E DEMOCRACIA
Quatro semanas de bombardeios intensos dos caças da Otan precederam a captura e morte de Kadafi, nesta 5ª feira, na Líbia.  Sirte, a cidade nuclear no centro das operações, foi reduzida a ruínas. Mais de 100 pessoas morreram nos últimos 10 dias. Há centenas de feridos e encarcerados.

A violência não se limita aos combates.Um relatório da Anistia Internacional, de 13 de outubro, “Detention Abuses Staining the New Libya”,denuncia a persistencia de prisões arbitrárias, sem julgamento, por parte de milícias incorporadas ao governo provisório rebelde. A prática da tortura é generalizada nas prisões, seja por vingança, seja como método sancionado de coleta de  informação. Se o Conselho Nacional de Transição (CNT) não der mostras de “uma ação firme e imediata”, diz o Relatório da Anistia, a Líbia corre “um risco real de ver algumas tendências do passado repetirem-se.”

O documento resume as conclusões de uma delegação da Anistia Internacional que, entre 18 de agosto e 21 de setembro, recolheu os testemunhos de perto de três centenas de prisioneiros em 11 instalações de detenção da capital, Tripoli, bem como de Zawiyah e outras regiões do país.

As imagens de Kadafi banhado em sangue, com o rosto desfigurado, morto após captura, ocuparam hoje um espaço de destaque, algo jubiloso, em veículos tradicionalmente empenhados em cobrar o respeito aos direitos humanos, sobretudo de regimes cujos governantes, em sua opinião, não comungam valores democráticos.

Carta Maior repudia a tortura, o arbítrio e a opressão –política e econômica, posto que são indissociáveis–  em qualquer idioma e latitude. Não se constrói uma sociedade justa e libertária com o empréstimo dos métodos que qualificam o seu oposto.

A história dirá se o que assistimos hoje na Líbia atende às justas aspirações das etnias líbias por liberdade e justiça social, ou configura apenas uma cortina de fumaça feita de bombas e opacidade midiática para lubrificar o assalto das potências ao petróleo local.

(Carta Maior; 6ª feira, 21/10/ 2011)

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