por Sulamita Esteliam

Abridor-bailarina, pode? E prego que farfalha? E encolhedor de rios? E, que tal, um esticador de horizontes? Ou “um baobá de badulaques – torneira, sapato, carta, colher, calcinha, balão, panela, papel higiênico, comprimido efervescente…” ?, e o que mais você quiser dependurar nos galhos. É… a inventidade humana não tem, mesmo, limites. E arte que é arte está sempre pronta a nos surpreender, e encantar, em seus caminhos insondáveis.

“Venha ver objetos virarem personagens”, apregoa a chamada. Proposta fatal, para atrair o olhar atento do público – de todas as idades.

Mais do que ver e ouvir, é mergulhar, deixar-se levar pela imaginação, embarcar na viagem a um tempo que se foi, mas permanece dentro da gente, para sempre. Experimentar a memória da infância – nas brincadeiras infantis, nos contos de fadas, na magia do faz de conta… revividos no palco, na rua, na alma de cada um que se abre à mágica da criação.
Mudam-se os objetos, fica o encantamento. Fitemos, pois.
Minha caçula, Bárbara, me entrega, entusiasmada, o catálogo do evento. Vai trabalhar, na produção-promoção-apoio, três dias a partir de hoje, no Festival Internacional de Teatro de Objetos, que, desde ano passado, anda por Beagá, Porto Alegre, Manaus, Floripa, Campo Grande e Brasília, por obra e graça do Sesi. É a nossa vez: acontece no Marco Zero – onde o Recife e “o Mundo” começam.
Imagine o impacto da proposta numa garota de 18 anos, em qualquer geração. Quanto mais que esta moça, desde criança, flerta com a magia dos palcos – na dança, principalmente, mas também na representação! Tanto, que escolheu fazer Direito.
Pois são espetáculos de oito países, de grátis – em salas e ao ar livre, no palco e em meio ao público: Brasil – Rio Grande do Sul, São Paulo, Pernambuco, Bahia; França, Bélgica, Espanha, Argentina, Itália, Israel e Holanda. Performances. Cenografia interativa. Feira temática. Fotografia. Oficinas. Música.

Tem o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos, regente-mor da abertura do Carnaval do Recife, com seus tambores, pinicos e panelas dos quais tira sons inimagináveis. E Tom Zé, e a riqueza rítmica de seus arranjos e orquestrações: aos instrumentos convencionais agrega liquidificadores, rádios, máquinas de escrever, enceradeiras, gravadores, teclados, garrafas e que tais. Melhor impossível.

A programação diária se repete, em horários alternados, nos três dias, a partir das 16:30 desta sexta. Mas Tom Zé só pode ser visto no sábado, às 22h, com o espetáculo Música/ContraMúsica.
Aqui, no sítio do evento, tudo sobre o Fito Recife, com a programação completa.
Alerta importante dos realizadores: os ingressos nas três salas-teatro são limitados a 200 pessoas por sessão, por sala. Chegue meia hora mais cedo e pegue sua entrada na bilheteria da sala escolhida. Uma pessoa, um ingresso.
Fite bastante. Boa viagem!
****************************************
Revista e atualizada em 12.11.2011
Um comentário