Pinheirinho, suas vítimas, seus algozes, protestos

por Sulamita Esteliam
Vidas destroçadas - foto Murilo Machado/Carta Capital

Passados 17 dias do massacre de Pinheirinhos, os rescaldos da barbárie vão revelando a extensão dos abusos contra a população indefesa daquela comunidade (ex) de São José dos Campos/SP – para além da desumanidade de serem expulsos de seus lares, vivendo feito bicho em abrigos espalhados pela cidade, boa parte.

Há muito mais, denunciam as organizações de direitos humanos: abuso sexual/estupro de mulheres e um homem por PMs, conforme denúncia do Ministério Público de São Paulo – aqui; gente baleada pela Guarda Municipal, como David Furtado, 30 anos, que levou tiro pelas costas enquanto carregava o filho de dois anos – aqui, em Carta Capital. Gente em estado de coma, como o aposentado Ivo Teles dos Santos, de 69 anos, – aqui e aqui, no Vi o Mundo.

Como escreve Jorge Luiz Souto Maior, também no sítio do Azenha, trata-se de uma das “maiores agressões aos direitos humanos da história recente do país”. Tão grave quanto: “num município com um dos maiores orçamentos per capita do Brasil”.

Vamos refrescar a memória neste filme feito pelos Comunicadores Populares. É o caminho para se chegar à verdade, já que a mídia convencional só faz esconder, omitir.

O que de fato ocorreu ali, no domingo 22 de janeiro de 2012 – aqui aqui e aqui neste blogue -, e suas consequências para as mais 1.600 famílias escurraçadas a bala, bombas de gás e spray de pimenta, não cabe num vídeo de 15m56s, que é o tempo de duração de O Massacre de Pinheirinho. O Filme.

Os protestos se espalham pelo país e pelo mundo, e vão chegar às cortes internacionais de direitos humanos. São várias, mas a iniciativa primeira veio do jurista Fábio Comparato – aqui, no Conversa Afiada. Há petições na rede para recolher assinaturas e engrossar as denúncias. Participe: aqui.

Assista ao vídeo feito pela TV Movimento no protesto em São José dos Campos, dia 02:

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A causa é superior às bandeiras, quaisquer que sejam.  E, na modesta opinião desta escriba, não há exagero que explique o que se deu em Pinheirinhos.

Exemplo disso é o cineasta carioca, Pedro Dias, que completa, nesta terça, dez dias de greve de fome pelo que houve em São José dos Campos, e pela manipulação da mídia, simbolizada na Rede Globo. Algemou-se à porta da sede da emissora durante oito dias – aqui, no Correio do Brasil. Ele foi a Pinheirinho, colher depoimentos dos sobreviventes, e claro, tomou partido e partiu para o ataque  – aqui  – e para o protesto individual para exprimir sua indignação.

Foi, também, escurraçado da porta da Globo, conforme depoimento abaixo, que retirei da página da jornalista Ana Helena Tavares, no FaceBook. Ana edita o sítio Quem tem medo da Democracia, e é uma das pessoas que vinham prestando solidariedade a Pedro, que vai manter a greve até o dia 9, em outro local. Leia o recado dele:

“Ontem a guarda municipal gentilmente atendeu a pedidos e chegou para nos remover, depois de puxar cacetete, ameaçar muito nos agredir, resolveram só nos deixar no relento. Se eu fosse preto e fosse da zona norte eles não teriam nem dado oi. Na confusão perdi meu celular e algumas outras coisas. O acampamento ficou desbaratado e os ânimos devastados. No sol, e no pior ponto da greve, eu comecei a passar muito mal. Rendo-me a minha insignificância e não vou derrubar o gigante da porta. Eu fiz a minha despedida (em breve posto), mas não posso mais ocupar aquilo sozinho. Vou me articular de outros lugares. Quanto mais me batem, e quanto mais silêncio oficial, mais puto eu fico. Greve de fome até dia 9 (dia de protesto por Pinheirinho no Rio).”

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O Governo Federal é acusado de omissão, no mínimo de leniência. Ainda que tenha procurado negociar o adiamento da desocupação para a busca de soluções – e que o secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maltos, tenha sido alvo de tiro de borracha na perna. Na terça, 31, divulgou nota com alerta sobre o que emissários da Secretaria Nacional de Direitos Humanos encontrou no campo de refugiados  do massacre – aqui, em Carta Capital.

A “bárbarie”, como a própria presidenta Dilma se referiu ao massacre, reservadamente, por ocasião do Fórum Social Temático, em Porto Alegre, no fim do mês, não tem tamanho. Exige providências públicas para que, como os tempos obscuros da ditadura não se repitam. Há outras pinheirinhos-alvos da especulação imobiliária e da falta de senso, em São Paulo e no Brasil.

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PS: Esta postagem foi prometida para ontem, mas compromissos profissionais me retiveram até tarde da noite. Sei que entendem.

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