Massacre de Felisburgo vai a julgamento 08 anos depois

por Sulamita Esteliam
Julgamento do fazendeiro, réu confesso, está marcado para 17 de janeiro de 2012 - Foto capturada no sítio do MST
Julgamento do fazendeiro, réu confesso, está marcado para 17 de janeiro de 2012 – Foto capturada no sítio do MST

Em 10 de Dezembro se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Leio, no Blog do Nilmário, que esta tarde, em frente ao Crea-MG, junto à Praça da Assembleia Legislativa, em Beagá, acontece ato para lembrar o massacre de Felisburgo, Baixo Jequitinhonha. Já se passaram oito anos e o julgamento do fazendeiro está marcado para 17 de janeiro de 2014, em juri popular na Capital.

Cinco sem-terras foram assassinados, e pelo menos outros 20 ficaram feridos, gravemente, naquele 20 de novembro de 2004. O ataque ao acampamento Terra Prometida foi comandado, pessoalmente, pelo fazendeiro Adriano Chafik Luedy, à frente de 17 jagunços. O latifundiário foi preso, confessou o crime, mas ainda assim foi posto em liberdade, por decisão do STJ – Superior Tribunal de Justiça. As brechas da lei permitiram a protelação do julgamento, também, de seus comandados.

A Fazenda Nova Alegria foi ocupada por 230 famílias, em 1º de Maio de 2002.  Segundo o Incra, a fazenda é área de terra devoluta. Lula, presidente, assinou o decreto de desapropriação em 19 de agosto de 2009, por crime ambiental e por descumprir a função social da terra. Só que desapropriação tornou-se “um imbróglio jurídico“, segundo reconhecem agrônomos do órgão em debate de abril de 2011. Procurei no sítio do Incra, e não encontrei notícias mais recentes do processo – a vistoria é de 2009.

As famílias sobreviventes do massacre voltaram a ocupar o local. O gado do latifundiário e os vaqueiros foram retirados. Em Felisburgo, um Memorial lembra o massacre. Homenagem às suas vítimas, os trabalhadores rurais: Iraquia Ferreira da Silva, 23 anos; Miguel José dos Santos, 56 anos; Juvenal Jorge da Silva, 65 anos; Francisco Ferreira Nascimento, 72 anos; e Joaquim José dos Santos, 48 anos.

Reportagem do Brasil de Fato, em outubro deste ano, confirma que a Terra Prometida ainda não foi alcançada.

Assistam ao vídeo que recupera a história, em reportagem da Rádio Agência NP em 2008:

Outro vídeo descreve as razões de o Baixo Jequitinhonha ser área de conflito de terras:


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