Justiça tarda e falha no caso do casal extrativistas no Pará

por Sulamita Esteliam
Resultado do julgamento causou protestos -Foto capturada no sítio de Carta Capital
Resultado do julgamento causou protestos -Foto capturada no sítio de Carta Capital

O mandante do assassinato do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, em 2011, no Pará, José Rodrigues Moreira foi absolvido “por falta de provas”, na tarde desta quinta-feira, no Fórum de Marabá, a 685 km da capital, Belém. Depois de dois dias de julgamento,  restaram condenados os executores: Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, respectivamente a 45 e 42 anos de prisão.

Claro, o Ministério Público já recorreu da sentença. De acordo com a promotora Ana Maria Magalhães de Carvalho,  encarregada do caso, as provas contra José Rodrigues são suficientes para condená-lo. “Várias testemunhas mostraram que ele perdeu 100 mil reais porque queria expulsar posseiros da terra, de uma área grilada, que ele comprou de uma forma ilegal”, declarou à Agência Brasil.

A absolvição do pecuarista, acusado de “planejar, organizar e financiar” o duplo homicídio, revoltou as cerca de 500 pessoas, das organizações sociais que acompanharam o julgamento, que foi acompanhado por representantes da Anistia Internacional e outras organizações de defesa dos direitos humanos – aqui em Carta Capital.

E deixou a família das vítimas em desalento: “Estou pior do que no dia do assassinato. Antes eu confiava na Justiça. Como vou voltar para minha vida?”, reagiu a irmã de Maria, a professora Laísa Santos Sampaio, em entrevista à UOL. Ela teme pela própria vida, já que continua a habitar o assentamento, onde o casal foi morto.

Há dois anos, em 24 de maio, José Cláudio e Maria foram alvejados a tiros em uma emboscada, no assentamento agroextrativista Praia Alto-Piranheira, zona rual de Nova Ipuxuna. José Claúdio teve a orelha amputada como prova do cumprimento “do serviço” – aqui neste blogue. Moreira havia comprado de grileiros lotes de terra no assentamento, mas havia trabalhadores rurais na área, colocados pelo casal de extrativistas, sustenta a promotoria.

A área em litígio voltou para as mãos da mulher do homem acusado de ser o mandante do crime,  um ano e meio após o crime.  A UOl sustenta – na seção “Entenda o caso”, na lateral esquerda da matéria sobre o julgamento – que  o Incra considerou a mulher de José  apta a ocupar as terras.

Entretanto, a verdade é que o Incra recorreu da decisão judicial (clique no sublinhado para ler; e note que a FSP, linkada pela UOL para sustentar a afirmação de “prêmio” – aspas minhas – pela grilagem/assassinato, só coloca tal informação ao pé da matéria, abaixo do subtítulo “outro lado”).

 O jornalismo e os direitos os humanos andam, mesmo, na corda bamba nesta nossa Terra Brazilis. A presença absurda e a atuação nefasta do pastor Marco Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minoria na Câmara, que agora se reúne à portas fechadas – em flagrante delito contra, inclusive, o Regimento Interno da Casa -, é apenas um exemplo. 

A propósito, nesta sexta o deputado-pastor depõe no STF, onde responde pela acusação de estelionato. A portas fechadas.


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