O jogo raso da política ou o Napoleão em cada um

Latuff e a IV Marcha Nacional contra a Homofobia
Latuff e a IV Marcha Nacional contra a Homofobia
por Sulamita Esteliam

Vou parar de andar em círculos, feito perua na cerca, e escolher logo um (ns) tema (s) para postar. Senão, a noite vai embora, Euzinha se desmancha de cansaço, pois o dia é sempre longo,  mesmo que faltem horas para a carga toda; e acaba este blogue deixando a ver navios quem que se dá ao trabalho de acessá-lo diariamente.

Escrever é um exercício diário. É necessidade vital. Mesmo para gente como eu, que faz do ato – de batucar as teclinhas – o ganha-pão-nosso-de-cada-dia, extrapola a fonte de mera subsistência material.

Mas há dias, e circunstâncias, que tornam a tarefa algo muito próximo ao suplício.

Se há ocasiões em que falta assunto – sobre o qual se queira escrever, bem entendido -outras vezes, porém, é a profusão que embola o meio de campo das ideias.

Vida de cronista, definitivamente, não é bolachinha…

Para escrever, é preciso pensar. E pensar dói.

Muito bem. Vamos lá, então.

O bicho anda pegando, beleza, entre o Legislativo e o Judiciário, mas o quadro pintado pela mídia conservadora tem o claro intuito de atear lenha à fogueira, com o objetivo de sempre: fritar o PT, o governo e sua base aliada – menos a parcela que tenta, ou ameaça, puxar a toalha da mesa. Convenhamos que virar já é um pouco demais…

A julgar pelas pesquisas de opinião, mais parece receita de bolo fofo: quanto mais bate, mais cresce. Pisadas de bola, à parte – no campo da democracia nas comunicações, então, é de fazer corar ofélias e magdas…

Na política, como na vida, o jogo é jogado. Mas é preciso ter cacife e talento, até para blefar. Uns tem mais, outros menos, e cabe ao adversário e/ou espectador, via qualquer meio, decodificar.

Cair na esparrela é fácil, difícil é pescar o tal do lambari.

E por falar em blefe, taí o Marco Feliciano que não me deixa mentir.

O deputado-pastor “tem problemas”… como diria uma amiga-irmã-gêmea, se viva estivesse. Agarra-se ao telhado, como um bichano em queda à parede.

Que ele gosta do poder que a visibilidade e o dinheiro dão, está claro.  Que usa o fundamentalismo de ocasião para escancarar sua fobia da negritude, todo mundo sabe. Que tem fixação com a homossexualidade, também. Idem, idem com a falta daquilo que, na minha geração, se costumava chamar de desconfiômetro. Freud talvez explique.

Hoje, a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos e Minorias entregou ao presidente da Câmara um dossiê das agressões sofridas por ativistas da causa nas sessões da CDHM. A Frente é a força que se contrapõe à Comissão de Direitos Humanos e Minorias presidida por Feliciano, levando para outras comissões da “casa do povo” o que  aquela regateia.

Ontem, informa o deputado Nilmário Miranda, no Facebook, a Frente se reuniu e recebeu do Conselho Mundial das Igrejas, o relatório sobre violência na América Latina. Nesta sexta, a Frente estará em Goiânia/GO, para investigar o extermínio de moradores de rua: 30 em  nove meses.

Hoje, em entrevista à Rádio Liberdade, de Aracaju, leio no Twitter do Brasil 247,  o deputado-pastor saiu-se com esta: “A comissão ficou importante por causa dessa polêmica (ele presidir a CDHM). Então, eu tenho orgulho disso. A comissão era desconhecida, só falava de homossexualidade. A comissão era um quartel general para aqueles que têm pensamento diferente da maioria dos brasileiros.”

Cada um é ou tem o Napoleão que merece.

 


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