Às mulheres o que é de direito

por Sulamita Esteliam
Imagem capturada na Internet
Imagem capturada na Internet

Não sou leitora da Folha de São Paulo, aliás, de nenhum dos jornalões do PIG. Faz tempo me informo, essencialmente, pela rede – além da semanal que assino, única das brasileiras que vale a pena ler, também faz tempo, que é Carta Capital.

É pela rede mundial de computadores que me chegam essa ou aquela publicação do PIG, que leio, para o bem ou para o mal, desde que seja assunto de interesse. Por exemplo, faço parte da Rede Mulher e Mídia – embora não pertença a qualquer organização de gênero. Acompanho as publicações da Agência Patrícia Galvão, que replica o noticiário da mídia conservadora sobre os direitos da mulher e das minorias.

E foi lá que me deparei com o artigo de Hélio Schwartsman,  articulista da Folha SP, sobre a sanção da Lei 12.845. Ela regulamenta o atendimento de vítimas de estupro pela rede SUS, o que inclui a oferta da chamada “pílula do dia seguinte”. Justamente meu assunto de escolha para a postagem de hoje.

Poupo tempo e neurônios, num dia especialmente puxado.

Digo que concordo em gênero e grau: a presidenta fez muito bem em sancionar a lei, sem os vetos exigidos por evangélicos e católicos com assento no Congresso, pois de falsa polêmica e hipocrisia se trata. E uma coisa é saúde, outra é religião.

Schwartsman escreve, na terça, 06 de agosto:

Justiça Divina 

(…)

“Na papelada do Ministério da Saúde, a expressão designa apenas a chamada “contracepção de emergência”, que é feita com a pílula do dia seguinte –basicamente uma dose alta de hormônios, que não é considerada abortiva. Os religiosos, porém, receiam que o termo possa estimular a interrupção voluntária da gravidez, que veem como pecado.

É um caso escrachado de falsa polêmica, pela simples razão de que mulheres estupradas que engravidem já têm direito de abortar legalmente, se assim desejarem.

E essa não é nenhuma invencionice recente de esquerdistas contrários à família, mas uma regra que consta do ordenamento jurídico brasileiro desde 1940. Se há um escândalo aqui, é que, apesar de a norma estar em vigor há décadas e assegurar um direito líquido e certo, muitas mulheres, por causa da resistência velada de instituições e médicos, não tenham acesso ao procedimento, tornando necessárias peças como a 12.845.

Se as igrejas realmente creem que o aborto não deve ser autorizado nem nas condições previstas em lei, deveriam vir a público e propor claramente que ele seja proibido mesmo em caso de estupro e de risco de vida para a mãe. Aproveitando o ensejo, os católicos deveriam pedir também que pílulas anticoncepcionais e camisinhas sejam banidas do país.

Outra alternativa é que as igrejas se mirem no que o papa Francisco disse dos homossexuais – “Quem sou eu para julgar os gays?” – e deixem pecados e pecadores sob a jurisdição de Deus. Se existe de fato um ser onisciente, onipotente e que tem horror ao aborto, ele decerto não precisa da ajuda de meros mortais para exercer a justiça cósmica.”

Clique para ler a íntegra do artigo.

**************************************

Postagem revista e atualizada dia 07 de agosto de 2013, às 14:55 horas.


Um comentário sobre “Às mulheres o que é de direito

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s