O antijornalismo em nome da Folha ou ‘Falha’ SP

Por Sulamita Esteliam

Para começar bem a semana, um artigo que minha amiga-irmã mineira, a jornalista Eneida da Costa, envia de presente para o A Tal Mineira.  Fala do antijornalismo que estampa as páginas de nossos antigos jornalões, hoje mais conhecidos como PIG. Um jornalismo com letra minúscula, que faz a vergonha de mais de uma geração que acreditou que poderia contribuir para um mundo melhor exercendo a profissão.

Busquei no Conversa Afiada, que também trata do assunto, a charge abaixo, assinada pelo Bessinha.

charge-bessinha_folha-por-folha

De novo a Folha, ou o que foi feito do Jornalismo

Eneida da Costa* 

Repercute nos blogs e nas redes sociais a notícia que Fabiana Oliveira Lita, de Vitória da Conquista (BA), vai processar o jornal Folha de S. Paulo. Fabiana foi personagem de uma reportagem sobre o programa Minha Casa Minha Vida. Funcionária pública tinha recebido as chaves da casa há cinco dias. A luz e a água ainda não estavam ligadas.

A desonestidade do jornalista e do jornal onde trabalha começa aí. O repórter informa – ou seria desinforma? – que o governo federal entrega unidades habitacionais sem ligação de água e luz. E o jornal, que dispensa comentários sobre sua gana contra a possibilidade de o Brasil ser um país democrático, justo e igualitário, publica a “notícia”.

Todo jornalista sabe o que é notícia. A notícia é um produto da comunicação de massa. A matéria prima da notícia é o fato, o acontecimento. O jornalista analisa esse fato ou esse acontecimento. Verifica se ele tem as qualidades convencionadas para transforma-lo em notícia.

Um dos ingredientes que faz o fato se transformar em notícia é o ineditismo. Nem é necessária uma lupa para olhar a “notícia” da Folha e ler a mensagem que ela passa. A “notícia” da Folha foge, completamente, do conceito de notícia estabelecido e consagrado pelos estudiosos e difundidos nas escolas de Comunicação e Jornalismo. É uma propaganda ideológica.

Esse episódio explica um dos porquês de a Folha ter trabalhado feito Hércules para acabar com a exigência do diploma para jornalistas. Profissionais informados, conhecedores dos conceitos e da ética não servem. Melhor os propagandistas que vendem palavras sem qualquer compromisso com os fatos.

Refiro-me aos fatos. Ainda não estou falando de verdade, esse pobre conceito, sempre questionado. Estou falando da mentira, que pode até mesmo ser antônimo de verdade. Sem diploma, sem conselho de ética – contra o qual o atual presidente e diretores da Federação Nacional dos jornalistas (Fenaj) se posicionaram contra, sem independência e com objetivos capitalistas neoliberais, o Jornalismo vai evoluindo para um negócio sem regulamentação, uma terra sem lei, onde os princípios e os conceitos perderam totalmente a importância.

A denúncia contra o programa Minha Casa, Minha Vida parte de uma premissa tão falsa como uma nota de três reais. É uma barra para lá de forçada. Qualquer brasileira ou brasileiro sabe que ao comprar ou alugar um imóvel, o mesmo estará com a luz e a água desligadas. As companhias só fazem a ligação a pedido do ocupante do imóvel. Não tem cabimento ter água e luz ligadas em um imóvel desocupado. Quem iria pagar a conta?

Fabiana Oliveira Lita estará fazendo um favor à ética processando a Folha e o jornalista por usá-la em uma campanha de difamação escamoteada de jornalismo. Os profissionais que exigem de si próprios honestidade, agradecem.

*Eneida é jornalista e presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

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