
por Sulamita Esteliam
No dia da Terra, peço licença à Mãe Gaia para homenagear Brasília e seus 54 anos de esplendor arquitetônico. Fotos estonteantes do clique de quem vive o cotidiano da Capital do País, seus monumentos, sua gente e seus poderes: Ricardo Stuckert, da Fotos Públicas
Gostem ou não, críticas à parte – e elas integram o exercício da cidadania. Se o poder emana do povo, é no fazer dos poderes e na vigilância da gente que o nomeia que se tece uma nação.
Nossa democracia, é certo, ainda engatinha, estamos a léguas da equidade social, para mim o verdadeiro divisor de águas dos mundos. Não obstante, hoje mais do que nunca, a autoestima verde-amarela nos permite dizer que somos um país que se orgulha de ser Brasil.
Ainda que parte dele ainda sofra o tal do complexo de vira-latas, e sonhe em mudar o idioma nacional. Talvez porque restrinja os direitos à contemplação do umbigo, e não consiga enxergar para além da varanda da casa-grande – mesmo alguns egressos da senzala.
O Distrito Federal, como seu núcleo de vastidão, ora verde, ora amarelo, de concreto e barro vermelho, é simbólico. E deveria ser visto como bastião de soberania e esperança num país em permanente construção.
Vivi três anos em Brasília, em período de profundas transformações políticas e econômicas – de 1991 a 1994. Sei das mazelas locais, não muito distantes ou díspares das chagas, expostas ou imaginárias, tupiniquins. Mas aprendi a amar a cidade onde adquiri senso de pertencimento e de cidadania.
Ali reconstruí meu núcleo familiar e minha vida afetiva, pari minha caçula, de quatro – que este ano completa 21 anos. Ali tive reconhecimento profissional, e ganhei passaporte para “invadir” o Nordeste – e deixar-me invadir por ele.
Mas Brasília há de estar sempre na minha memória das boas lembranças e, portanto, no meu coração.
