por Sulamita Esteliam


Ano passado, a greve de motoristas e cobradores de ônibus no Grande Recife foi organizada pela oposição. Diferentemente da “greve rebelde” da capital paulista e região, porém, os rebeldes de acautelaram assim que assembleia convocada pelo sindicato da categoria aprovou a proposta salarial dos patrões e optou pela volta ao trabalho.
É assim que acontece em condições normais de temperatura e pressão. O sindicato é a instância maior de representação dos trabalhadores e a assembleia é soberana. A direção é meramente representativa, e está lá porque a categoria permite. O sindicato são todos os trabalhadores, ou pelo menos deveria sê-lo.
Se a direção sindical é pelega, não atende às necessidades da categoria que representa, o caminho é o embate político. Os descontentes formam uma chapa, disputam e, se tiver respaldo na base, tomam a direção, no voto.
Estava em São Paulo quando a paralisação começou. Peguei o trem fora do horário de pico, em Osasco, rumo à Barra Funda, onde pegaria o metrô para a Sé. Assim que me acomodei, minha vizinha de banco me colocou a par dos acontecimentos: os ônibus pararam no Paissandu, mandaram os passageiros descer, todas as linhas do metrô estavam apinhadas e o centro estaria um caos.
Na noite anterior uma assembleia com cerca de 4 mil trabalhadores aprovara o acordo proposto. “Tudo muito esquisito, aí tem…”, comentei. Uma outra passageira entrou na conversa: “Ano eleitoral é assim mesmo. O pessoal aproveita para fazer bagunça”.
Tudo leva a crer que, sequer, houve locaute, no sentido estrito do termo. Ou seja, não foi um greve estimulada pelo patronato, oficialmente. Afinal, eles propuseram o acordo, que foi aprovado.
Forças paralelas!?
Peguei o metrô para a Sé, rodei o centro sem problemas, a pé. Fiz o que tinha que fazer e embarquei, novamente, na São Bento, rumo à Consolação. Faltava pouco para as quatro da tarde.
Na travessia, a Av. Paulista estava tomada, desta vez pelos professores municipais, em protesto contra o que chamam de “desmonte” da educação pela gestão Haddad.
Pensei, “tá danado!”
Na manhã seguinte, a caminho do Aeroporto de Guarulhos, com rodízio de placas liberado pela prefeitura, o trânsito na área central engatinhava. O motorista do ônibus executivo resumiu assim à pendenga: “O sindicato é bandido.”
Pelo que leio nos blogues dos colegas paulistas, tudo indica que a oposição não fica atrás – aqui e aqui.
Ainda que cientistas políticos avaliem que a visibilidade da Copa, além do oportunismo do ano eleitoral, contribuam, a crise de representação que assola a classe política desembarca nos sindicatos – aqui, e também aqui.
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PS: Estou requisitada para uma emergência de trabalho. Por isso, a ausência ontem. Conto que compreendam.
PS2: Postagem atualizada com acesso a novo artigo, último parágrafo, encontrado no Vi o Mundo – às 12:32 do dia 26.05.2014.
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