No caminho da alegria, dois desastres e uma poesia

por Sulamita Esteliam

Primeiro, registro: minha Macondo Beagá está em luto, e estou junto. Um acidente, somente explicável pelo descaso, fez duas vítimas fatais e duas dezenas de feridos. Obra inacabada, mal-sustentada, pela engenharia política local.

Responsabilidades precisam ser apuradas. As famílias das vítimas fatais e dos feridos precisam de respostas – para além da solidariedade do momento.

A Copa, no caso, é circunstância.

Neymar em duelo
Neymar em duelo com o 13 da seleção colombiana, mas quem o tirou da Copa foi o camisa 18 – Foto: Marcelo Casall-Agência Brasil/Pública

Segundo, justifico: não quis arriscar postar o poema da semana do Futebol de Barro antes do jogo Brasil x Colômbia. As (anti)-notícias da semana embaralharam a luz, a visibilidade.

Energias conectadas. Ou antenas em ação, se preferirem.

Meu amigo Carlos Barroso, poeta, jornalista e amigo, provocador desta parceria com A Tal Mineira, que nos perdõe. Tudo cessa, quando um valor maior se levanta.

Cobrar das pessoas, em particular de “meninos” sob pressão, que não chorem quando estão tensos, é desconhecer a humanidade. Homens também choram, e que bom que choram.

De Aço, só conheço o Dario, o peito de passarinho …

Desta feita, se me permitem os amantes da poesia, alongo a introdução.

Fato é, que hoje o jogo foi dos zagueiros. Lindos demais, David Luiz – que mais parece um anjo no comando. E Thiago Silva, cumprindo  seu posto de capitão, e desopilando mágoas. Marcelo, outro encaracolado, fundamental. Huck, quase imperador. Oscar, de novo em campo. Maicon dizendo a que veio.

E Neymar Jr? A molecagem do seu futebol,  nesta sexta, não encontrou espaço. Ou sua cabeça de menino foi baratinada ao tentarem atingir seu esteio: o pai e a honra!? Qual cabeça não chacoalharia!?

Parece que o menino intuía. Feito Ayrton Sena, no dia em que seguiu para a Constelação. Talentos são assim.

Um joelho atravessado, no meio das costas, levou nosso craque ao hospital. Torcemos para que o problema não fosse grave. Mas, à hora em que escrevo, chega a conclusiva: faturou a vértebra, e está fora da Copa do Mundo no Brasil.

Urucubaca  é pouco.

Força, Neymar. Você inspira o Brasil.

Aos diabos a turma do contra. Você vai ficar totalmente bom, e ainda vai nos dar muitas alegrias.

*****************

Pronto.  Dito isso(s), mantemos o poema da vez.  Arte é arte.

Poesia inserida na antologia Pelada Poética IV,  Editora Scriptum, mineira. Lançada em 24 de maio deste ano, em Belo Horizonte.

 

poesia - futebol de barro

 

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