por Sulamita Esteliam
O mais terrível, e foi catastrófico, não é a Seleção Canarinha tomar de 7 x 1 da Alemanha. Por mais que isso doa, em particular no coração das nossas crianças.
Um jogo em que ninguém acreditou no que via. Nem a torcida a favor, felizmente a imensa maioria. Nem os vira-latas de plantão. Nem os alemães, com seu futebol-eficiência, e toda sua frieza.
E tinha que ser no Mineirão. Pelo visto, a terrinha não é campo bom para alegrias…
Triste, muito triste ver nossos meninos em campo, perdidos feito cegos em tiroteio.
Muito mais triste, e aí sim, trágico, é o massacre de Israel sobre a Palestina, na Faixa de Gaza. Ataque sobre civis, crianças aterrorizadas, dizimadas. As imagens que circulam pelas redes sociais são terríveis.
Por mais que eu viva, leia, racionalize, busque e encontre explicações, creio que jamais conseguirei entender atrocidades como essa.
As nossas crianças, daqui, podem superar a decepção. Ainda terão, muitas delas, oportunidade de comemorar nosso time campeão. Fomos penta, sempre fora de casa. O hexa apenas foi adiado.
Na estupidez da guerra alimentada pela ganância, as crianças, as que sobrevivem, não sabem do presente. O futuro é quimera.
E há quem se irrite com filas e sistemas fora do ar em supermercados ou coisas do gênero…

Nós, brasileiros, temos outra perda a registrar neste 08 de julho de 2014: Plínio de Arruda Sampaio é estrela, aos 83 anos, após dois meses de padecimentos num hospital de São Paulo. Tinha câncer nos ossos. Deixou de sofrer.
Para quem não sabe, Plínio é uma das grandes cabeças pensantes deste nosso Brasil. Figura de proa da política nacional, a partir de São Paulo, desde o final dos anos 50 – aqui. Foi relator do projeto de reforma agrário do governo João Goulart, como deputado federal pelo PDC – Partido Democrata Cristão.
Caçado, exilado, caminhou cada vez mais à esquerda no avançar dos anos, e depois de retornar ao país em meados dos 70 – antes da anistia, portanto, pela qual trabalhou com afinco.
Foi um dos teóricos do PT, depois de encantar-se e desencantar-se com FHC ainda nos anos 70. Deputado constituinte em 88 por São Paulo, o segundo mais votado, pelo PT nas proporcionais de 1986, com 63 mil votos; o primeiro foi Luiz Inácio Lula da Silva, com cerca de 500 mil votos, a maior votação do país
Em 2005, em meio às denúncias do que se convencionou chamar de “mensalão”, migrou para o Psol, decepcionado com os rumos políticos do partido que ajudara a fundar. Foi candidato à Presidência da República pela sua nova legenda em 2010, obtendo, 0,87% dos votos.
Pessoa admirável, pela inteligência, vivacidade, pelo caráter e desassombro na luta por justiça social – e até pelas suas contradições. Era humano. Que descanse em paz.



É isso, irmã. Bola pra frente!