Como vender um país ou o ‘limite da responsabilidade’

por Sulamita Esteliam
Charge capturada no Blog do Miro/2013
Charge capturada no Blog do Miro/2013

Particularmente não sou muito chegada ao estilo “cabra macho” de Ciro Gomes. Tive oportunidade de entrevistá-lo algumas vezes e, por obrigação de ofício, assisti algumas palestras dele, ainda nos tempos de repórter em Fortaleza/CE. Então, ainda era tucano aliado de Tasso Jereissati, o “coronezin do zói azul”, como dizem os matutos cearenses, que governava o estado. Meados dos anos 90.

Mas uma coisa que não se pode acusar o economista e político é de falta de clareza ao expor suas ideias ou opiniões. Outra – para quem o conheceu mais ou menos de perto – é que o tempo, e certamente os longos anos de convivência com Patrícia Pilar, deram uma amaciada, digamos, na rudeza que lhe é peculiar.

Mas isso é outro papo.

Domingo, no Twitter, alguém resgatou duas pérolas de vídeo, que posto mais abaixo, e no qual Ciro Gomes é protagonista. Bem apropriado ao momento em que nos aproximamos do dia em que o Brasil terá que escolher entre seguir em frente ou retroceder no resgate da cidadania de seus filhos e filhas.
Excelente refresco para a memória de que a tem curta. Oportunidade para um contato com a história real para quem não viveu o período do tucanato no poder federal. Para ajudar na reflexão na definição do voto antes de ir às urnas no segundo turno.

A fibra de que é feito o Primeiro Neto não difere da que compõe o tecido de Fernando Henrique. Até porque vêm do mesmo ninho, e têm a mesma índole. E os assessores, que são de fato quem deu as cartas no governo de um , são os mesmos resgatados para um eventual futuro governo do outro. Quem viveu a segunda metade dos anos 90 e o comecinho dos 2000, e quem é de Minas, sabe as consequências da terceirização do poder.

Os dois vídeos  tratam da privatização predadora das empresas estatais nos governos FHC – “no limite da responsabilidade”, conforme admitiu o então diretor da Área Internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira.
capa_privataria-tucanaprincipe_privatariaQuem quiser detalhes, recomendo ler A Privataria Tucana, livro do colega jornalista, e conterrâneo, Amaury Ribeiro Jr, lançado em 201′ pela Geração Editorial tornado best seller –  15 mil exemplares esgotados em três dias, mais 30 mil com a metade vendida antes de chegar às livrarias – também aqui neste blogue. Apesar do estrondoso sucesso editorial a mídia venal fez silêncio espetacular, mesmo quando o livro reportagem ocupou a lista dos mais vendidos na Folha de SP.

Outro livro é O Príncipe da Privataria – A História Secreta de como o Brasil perdeu seu Patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua Reeleição, do também jornalista da velha guarda,Palmério Dória. Foi lançado em setembro do ano passado, também pela mesma editora, 400 páginas com tiragem inicial de 25 mil exemplares.

Não é preciso dizer que FHC é o personagem principal. O livro reportagem retrata os dois mandatos do Farol da Alexandria – como o trata Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada – de 1995 a 2002, quando se deram as polêmicas privatizações, inclusive do sistema de telefonia e da Vale do Rio Doce. Revela, por outro lado, os trâmites para a compra da releição, e quem é o “Senhor X” que gravou deputados confessando a venda do voto.

Traz mais. Lá estão os bastidores do poder, os amigos do presidente, o papel da imprensa no governo tucano e o escândalo do filho reconhecido tardiamente (mas que, soube-se depois, não era dele). Um segredo de polichinelo que corria pelos corredores do Congresso Nacional e dos ministérios das Relações Exteriores e da Fazenda, por onde andou Fernando Henrique senador e ministro, primeiro de Collor de Mello, depois de Itamar Franco, antes de ser ungido por este candidato à própria sucessão.

Bom, vamos ao vídeo. Veja, no bom sentido, se não tenho razão:

 

1. Assim nasceu a privataria:

(vídeo com a edição do programa Jogo do Poder/CNT, que foi ao ar em 09/09/2009, quando Ciro Gomes era deputado federal pelo PSB-CE)

 

2. A Privataria Tucana:

(vídeo com  trecho de entrevista concedida por Ciro Gomes a Paulo Henrique Amorim na Record News, em 23.01.2012)

 


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s