
por Sulamita Esteliam
A presidenta Dilma Roussef esteve em Pernambuco na sexta-feira, 21 para três compromissos importantes: o acionamento da primeira estação de bombeamento de água do projeto de transposição do Rio São Francisco, em Cabrobó, Sertão; reunir-se com empresários da terra para informar os investimentos federais no estado, e encontrar-se com representantes do poder público e dos movimentos sociais no Dialoga Pernambuco.
É a terceira viagem de Dilma ao Nordeste neste agosto, e a terceira visita a Pernambuco este ano. Antes daqui, a presidenta visitou São Luiz do Maranhão e Salvador (BA), onde foi calorosamente recebida.
Todavia, em terras pernambucanas, foi tratada com distanciamento pelas autoridades locais, embora não pelo povo sertanejo que foi prestigiar a cerimônia e a brindou com o refrão da campanha: “Olê, olê, olê, olá/Dilmaa, Dilmaa.

A imprensa da província reservou-lhe certo desdém. A mídia venal, que só é grande em manipulação. Ouça a coluna do amigo Urariano Mota, escritor e jornalista pernambucano na Rádio Vermelho, a propósito. Lapidar.
A despeito da importância da agenda. Apesar do esforço para quebrar o círculo vicioso da narrativa pessimista que vigora.
Parêntesis necessário: hoje resolvi conferir a entrevista que o ministro do Desenvolvimento Industrial, Armando Monteiro, que é pernambucano, concedeu ao Bom Dia PE. Usei a internet para assistir o vídeo. Patético o esforço da apresentadora para imprimir na face expressão de gravidade “condizente” com a “catástrofe da crise”. Patomima.
Não se nega a crise. Mas o Brasil não é uma ilha. E a má vontade e o terrorismo midiático espalham o pânico, e não contribuem em nada para o país seguir seu curso.
É como diz o ministro: “Não há soluções mágicas. O governo tem que fazer sua parte, mas todo mundo tem que contribuir”. Ao trabalho, pois.
Sabe-se que, nas reuniões com empresários, o ministro, que já presidiu a Confederação Nacional das Indústrias, tem feito a defesa do governo e da presidenta contra os maus bofes de seus pares.
Monteiro tem memória, beneficiou-se como a maioria empresarial dos bons ventos, e sabe que a crise econômica decorre da crise política que insistem em manter acesa. E aquela, como esta, nem de longe é a mais grave que o Brasil enfrenta.
Aliás, estudo realizado pelo Centro de Altos Estudos Brasil Século XXI reúne dados oficiais e privados que provam o quanto o país evoluiu nas últimas duas décadas, sobretudo nos últimos 12 anos – é só comparar os gráficos em profusão: 20 anos de Economia Brasileira – 1995/2014. O sítio Brasil Debate traz reportagem suculenta a respeito.
Dilma se movimenta para retomar diálogo com a iniciativa privada e com a população, via movimentos sociais. É fundamental e já era tempo. A comunicação do seu governo ainda é falha. Mas há uma plataforma digital, Dialoga Brasil, no ar desde fins de julho (www.dialoga.gov.br).
Lá, toda cidadã e todo cidadão pode acessar, conhecer os programas do governo nas áreas de saúde, educação, cultura e que tais. Pode e deve palpitar para a melhoraria das políticas públicas. Os diálogos presenciais, fora do Planalto, pretendem ampliar a divulgação. Confira o vídeo:
É assim, se não faz, leva. Se faz, ignora-se.
O tratamento que se dá ao Projeto de Integração do São Francisco é exemplo típico. Talvez por que esteja concretizando uma ideia que passa pelo imaginário brasileiro desde o Império, e não é força de expressão. Há 150 anos, um político cearense propôs usar a água do Rio São Francisco para combater a seca no Nordeste. O imperador Dom Pedro II gostou da ideia, que ficou na ideia.
Pronto. Pois aqui, “saiu do papel”, disse a presidenta na cerimônia de inauguração em Cabrobó, ao referir-se à memória.
Enquanto isso, na Cantareira paulista…
O Projeto de Integração do velho Chico é da maior importância para o Nordeste. É obra superlativa. Quando concluída, serão 477 km de canais, 9 estações de bombeamento como a de Cabrobó, 27 reservatórios, quatro túneis e 14 aquedutos”. O investimento no trecho inaugurado foi de cerca de R$ 625 milhões.
O Eixo Norte tem 402 km de extensão. Sai de Cabrobó, em Pernambuco, e vai chegar no Ceará, depois de atravessar a Paraíba e o Rio Grande do Norte. O Eixo Leste tem 220 km. Sai da usina de Itaparica (BA) até o rio Paraíba do Norte, na Paraíba. Um canal de 70km liga Cabrobó ao Rio Ipojuca, no agreste pernambucano.
Mas, como bem lembrou a presidenta Dilma, não é pela quantidade de concreto, tamanho dos andares, pela grandiosidade da estrutura que se mede a importância de uma obra. Mede-se pelos benefícios que ela traz.
A água que abastece o canal desde sexta-feira seguirá 7 km até o reservatório de Tucutú e mais 45,9 km até o reservatório de Terra Nova, ambos em Cabrobó. Calcula-se que se leve 39 dias para encher o primeiro e mais 18 dias para chegar ao segundo.
E isso usando um por cento da capacidade de vazão do rio para o mar.
A expectativa do Ministério da Integração Regional é que de novembro a dezembro as águas já abasteçam as populações no entorno do Eixo Norte: 172 comunidades, cerca de 40 mil pessoas.
Para tanto, governos federal e de Pernambuco assinaram o Termo de Compromisso para construção do sistema de abastecimento, que cabe ao poder estadual. O mesmo será feito com os governadores dos demais estados.
O projeto alcança 12,5 milhões de pessoas em 390 municípios nos quatro estados. Só nas comunidades no entorno dos canais são 80 mil pessoas – pequenos agricultores, quilombolas, indígenas.
Lula iniciou em 2007, sofreu atrasos, como toda obra pública – apesar das cobranças de Dilma ainda no primeiro governo. Deve estar concluída até o final do ano que vem. A estação elevatória inaugurada no Eixo Norte representa 77,8% das obras.
O investimento inicial previsto foi de R$4,5 bilhões. O atraso, claro, teve implicações no custo da obra, que praticamente dobrou: R$ 8,2 bilhões. Inclui o investimento no
A construção gerou cerca de 10 mil empregos.
Os testes do bombeamento da estação de Cabrobó começaram no início do mês.
É assim: se não faz, leva; se faz, ignora-se, ou busca-se depreciar.
Ora, por favor, deixem a presidenta trabalhar.
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Postgem revista e atualizada dia 25.08.2015, às 11:11 horas: correção de concordância verbal na última liha do 7º parágrafo – contribuem, no plural. Minhas desculpas.