Quando a música dá o tom da política

por Sulamita Esteliam

Juro que eu queria mudar o rumo da prosa, mas está difícil.

Então, vou copiar o Lula. Sim, ele mesmo, o (ex) presidente mais amado, e em consequência o mais invejado, do Brasil. Aquele que Obama, que preside os EUA, chama de “O Cara”.

Bolo de fubáPois Lula, em sua página no Facebook, posta receita de bolo de fubá, a lembrar com quantos paus se faz uma democracia.

Durante a longa noite da ditadura, jornais como o Estadão, publicavam receita de bolo na primeira página em substituição a matérias censuradas pela regime.

No caso do Instituto Lula, artifício-convite à moçada ativista-digital para inauguração do Memorial sobre esta provecta e vetusta senhora, que no Brasil não passa de ninfeta a ser protegida.  Um sítio multimídia, que no futuro terá também sua versão física.

O objetivo: manter viva a memória das lutas políticas e pelos direitos sociais no país. Acontece dia 1º de setembro, em São Bernardo do Campo, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Lá onde tudo começou.

Euzinha me recolho à minha insignificância – tiete, claro está.

Não obstante, a navegação diária pela blogosfera  em busca do assunto a apetecer as teclas, fez germinar a lembrança de uma canção, que sempre cantei para minhas crianças – filhos, sobrinhos, netos e que tais…

Volto a ela mais abaixo.

A sabatina de Janot no Senado ultrapassou 10 horas. Foi reconduzido - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
A sabatina de Janot no Senado ultrapassou 10 horas. Foi reconduzido – Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Recordo a sabatina de quase um dia inteiro do procurador-Geral da República na Comissão de Constituição e Justiça do Senado – a alimentar a pauta desta quarta-feira com a repercussão das notícias da terça.

O dedo do delator Youssef apontado também para o 1º Neto, sua irmã e a malfadada Lista de Furnas. O furor do denunciado pela PGR, Collor de Mello, a acusar Rodrigo Janot de “parcialidade” e de uma espécie de  “vazador-geral” da República.

A fala da senadora potiguar, Fátima Bezerra, a questionar o pedido de reanálise das contas da campanha da presidenta Dilma por Gilmar Mendes e ao próprio procurador sobre “seletividade” nos indiciamentos.

Janot nega, e destaca parceria entre os poderes.

Um cabisbaixo Aécim a tergiversar com um ditado mineiro, que A Tal Mineira já citou aqui no blogue, em versão própria (o que vale pra Chico, vale para Francisco): “Pau que dá em Chico, dá em Francisco“.

É o caso de conferir o que vai fazer Janot com a denúncia.

Pois é aí que entra a musiquinha-chiclete acima referida: de Vinícius de Moraes em parceria com Toquinho. Está no LP Arca de Noé, que Euzinha – e as mães e pais nos anos 70/80 -comprou para pimpolhas e pimpolhos, e que virou musical da Globo – O Pato.

Eis o clipe da gravação de Toquinho, que encontrei no Youtube:

 

 

Sim, ao fim e ao cabo, os senadores, tanto na CCJ como no plenário aprovaram a recondução de Rodrigo Janot à Procuradoria-Geral da República por mais dois anos.

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Uma coisa puxa a outra e me vem a lembrança de uma outra canção, um tantinho mais recente. Mas, aí, é como se diz: “senta que lá vem história…”

Em 1993,  houve a CPI para investigar irregularidades nas emendas ao orçamento governamental dos anos 80/90.  Foram investigados  37 parlamentares. Os implicados no escândalo ganharam a pecha de “anões do orçamento”. Cobri a CPI pela extinta TV Manchete.

Lula havia sido parlamentar e constituinte, deputado mais votado por São Paulo, havia deixado a Câmara em 1990. Recusara-se a buscar a reeleição, a despeito de ter perdido a primeira disputa para presidência, para Collor, um ano antes.

Presidia o PT, à época e, já em viagem de campanha para nova eleição presidencial,que ocorreria no ano seguinte, perguntado sobre os resultados da CPI, Lula disse: “Há no Congresso uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”.

Virou letra de rock, dos Paralamas,  naquele mesmo ano. A canção de Herbert Vianna foi gravada no CD VamoBatêLata, em 1995: “Luiz Inário falou/Luiz Inácio avisou/São 300 picaretas com anel de doutô”.

Invenção do Brasil

A música sempre foi arma política. Mundialmente.

No Brasil não é diferente. E Franklin Martins,jornalista e  analista político, secretário de Comunicação do governo Lula , prova isso em série de livros três livros e uma exposição, lançados recentemente: Quem foi inventou o Brasil? , perguntava Lamartine Barbo. E ele próprio responde no verso seguinte: Foi seu Cabral/Foi seu Cabral

O livro de Franklin, pela Nova Fronteira, reúne mais de mil canções que fazem paralelo com a história política – para ser lida e ouvida. Garimpagem fenomenal.

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Postagem revista e atualizada na sequência à publicação para agregar  título e link a matéria citada no texto. Também houve correção de pontuação no segundo parágrafo. Novamente, dia 27.08.2015: recolocação da palavra “passa”, inadvertidamente suprimida, na frase: “(…) não passa de ninfeta a ser protegida”, quinto parágrafo.

 

 

 

 

 


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