No caminhar infinito, um tempo para relaxar…

Aqui, onde o céu encontra o mar… – Fotos: SE
por Sulamita Esteliam

Não vou mentir porque hoje é quinta. Deixei-me levar o dia sem olhar para o relógio, que já não uso faz tanto tempo que perdi a conta. Mas no nicho do armário da cozinha sempre tem um – para não perder a sustança do suco verde matinal: mais de um minuto e torna-se água colorida.

Sou do tipo que faz um monte de coisas, simultâneamente. E nessa ânsia de otimizar o tempo, às vezes, a água do café ferve além da conta, o ovo passa do ponto, o risoto derrete, a sopa engrossa, a cerveja congela no freezer, a roupa puba no molho prolongado.

E a atualização do blogue fica a dever.

– Relaxe, garota, o mundo não acaba amanhã! Faça de conta que está de férias.

Dias como hoje, ligo no automático. Tento seguir o conselho do homem que me ensinou a debrear…

Talvez isso explique o fato de estarmos há 24 anos dividindo contas, entrelaçando corpos, fundindo cabeças, sacudindo dúvidas, aquecendo e aquietando corações…

Sim, e colecionando prole – o meu, as minhas, as dele, a nossa e mais as crias que estes pariram, e aí só conta a minha parte.

Sei não.

Tudo que sei é que hoje virei minha lista de propósitos pelo avesso.

Ou quase. Garanti a caminhada matinal.

Céu de brigadeiro, maré começando a encher, água do mar verdejante e morna, antecipando o verão onde a primavera só dá as caras no calendário de papelão.

Não tive escolha, que não a de esticar o tempo para alongar o percurso. Duas horas flanando entre a areia e o ejacular das ondas, a areia e as piscinas naturais.

O resto do dia? Bom, no resto do dia, releguei a faxina da cozinha para amanhã. Mas fiz a comida da semana, sem pressa. Garanti o passaporte para caminhadas mais longas até o domingo nosso de cada dia…

Sim, antes liguei para minha irmã para saber notícias da nossa irmã, que continua no hospital. Ela está bem, na medida do possível. Aguarda liberação do plano de saúde para ir para casa – em internação domiciliar.

Há que ter paciência, manter a confiança e a esperança. O tempo é aliado precioso.

A rotina doméstica ajuda a apaziguar a alma.

Lá pelas duas da tarde, resolvi almoçar: arroz integral com pirão de rabada, rolete de filézinho de porco e salada de agrião com tomate e ovos cozidos. Asseguro que saboreei como se fora o manjar das deusas.

Tentei um cochilo por meia hora. Não consegui, mas teria ficado quietinha na cama tarde afora, não fosse o bicho do rame-rame que mora e resiste em mim.

Relaxe, garota, que o mundo não acaba amanhã…!

Bem que eu tento.

Resolvi experimentar o canal de séries, que o maridão assinou em substituição à TV paga, e que pouco ou nada acrescenta. Nas palavras dele à atendente da operadora: “Quero cancelar por que só passa filme e episódios de série repetidos, e ainda  por cima só dá dinheiro pra Globo”.

É fato, os canais de notícia e entretenimento, exceto a TV Brasil,  os ditos culturais e de futebol são todos das organizações dos irmãos Marinhos – aqueles que “não têm nome próprio”, segundo Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.

Na companhia de Sherlock Holmes e do doutor Watson, dois episódios da série, aliviei a consciência passando a roupa da semana. Devidamente regada a uma cervejinha.

Sobrou um tempinho para relatar aqui o dia em que  resolvi seguir o conselho do homem que me ensinou a debrear…

Pronto. De quebra, mudei um pouco o rumo da prosa. Foi bom pra você, também?

... infinitamente caminhar
… infinitamente caminhar

 

 

 


2 comentários sobre “No caminhar infinito, um tempo para relaxar…

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