Dois estrangeiros cutucam a baixo autoestima brazuca

por Sulamita Esteliam

Num momento em que o país soçobra no pessimismo, duas notícias que me chegam via Twitter trazem referências importantes sobre o desenvolvimento do Brasil na última década e a situação atual. Deveriam ser lidas e ouvidas, atentamente, especialmente por quem só enxerga o apocalipse. Compartilho mais abaixo.

Levam-me a perguntar: por que o chamado à razão tem que partir de boca estrangeira? E ainda assim é escamoteado, senão escondido, pela mídia venal, com as intenções que a gente sabe bem quais são.

Reflito sobre o que há com parte das pessoas no Brasil que torcem, e fazem questão de contribuir o quanto podem, para que até o que dá certo resulte em fracasso. Euzinha, que sempre tive que dar duro para viver com dignidade, não consigo entender o tal complexo de vira-latas.

Normalmente, quem o manifesta são pessoas que, ou sempre tiveram, ou conquistaram e passsaram a usufruir, tudo de melhor na vida material – com menor ou maior esforço. Menos autoestima.

Capacidade de raciocínio, também, não se compra nem se adquire por osmose. Daí que a mídia venal deita e rola com esse tipo de gente, que sequer cai na real de que a obsessão em negar termina por levá-la ao ridículo.

 

Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, em entrevista à Folha de SP, publicada na edição desta segunda, depois do passeio sobre a economia global, que “patina”, responde à pergunta da repórter sobre se “esta é uma das piores crises da história recente do país?”. Textualmente:

“Apesar de o Brasil estar obviamente uma bagunça, do ponto de vista político, e mesmo que a economia tenha sofrido um retrocesso perto de todo aquele otimismo de alguns anos atrás, os fundamentos econômicos não chegam nem perto de estarem tão ruins quanto em episódios anteriores.”

O economista, de quebra, dá uma aula de pertencimento ao lembrar, quando perguntado sobre o rebaixamento do Brasil pela S&P, mês passado,  que “nos países avançados as agências de classificação de risco não têm efeito nenhum”.

Leia a íntegra na Folha. Se preferir o extrato restrito ao Brasil, vá ao Tijolaço, onde capturei o meme que reproduzo acima.

 

Zygmund Bauman, escritor e sociólogo polonês, esteve no Rio mês passado. Deu entrevista longa entrevista a Alberto Dines, no Observatório da Imprensa, TV Brasil, exibida no último dia 15. No final, perguntado, deu sua opinião sobre o país. Eis um trecho do que ele disse:

“Vocês estão no caminho certo e eu espero de todo o meu coração que vocês cheguem lá. Eu apenas direi que os representantes de 66 governos do mundo vieram para o Rio de Janeiro para se consultarem, para aprenderem sobre a experiência de retirar 22 milhões de pessoas da pobreza. Ninguém mais repetiu esse milagre, só o Brasil. Desejo que continuem isso, mas também agora algumas deficiências estão vindo à tona”.

Bauman tem 89 anos e vasta obra, sendo um dos mais respeitáveis pensadores vivos no mundo. Autor, dentre outros 35 livros publicados no Brasil, de O Amor Líquido, Zahar, sobre a fragilidade das relações humanas nesses tempos.

Meu companheiro, que estuda ciências sociais, me chamou a atenção para a matéria publicada no sítio da Revista Fórum, divulgada também no Facebook, no trecho que diz respeito ao Brasil.

Entretanto, a entrevista fala sobre a “liquefação” das relações humanas, o que inclui educação, do ponto de vista social e familiar, da facilidade da informação e o que isso representa em termos de sabedoria. É entremeada por análises de pensadores brasileiros que ajudam a clarear o pensamento.

Compartilho o vídeo com a íntegra da entrevista, disponível no Youtube. Está em inglês, com legendas em português:

 

 

 

 

 

 

 


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