
por Sulamita Esteliam
“Um indivíduo tem o direito de não cumprir as leis arbitrárias e recusar-se a obedecer a um regime cuja tirania se tornou insuportável. Ter razão é mais honroso do que respeitar leis.”
Henry Thoreau, sobre o dever da desobediência civil
É o que os brasileiros têm feito nos estádios durante os jogos olímpicos ante a repressão e a censura à manifestações pacíficas. Aliás, não apenas onde há competição olímpica.
Noite passada no Independência, torcedores projetaram imagens de protesto nas paredes do estádio e gritaram em coro a expressão mais popular no Brasil do golpe: #ForaTemer!
Depois do festival de arbitrariedade no sábado, já no domingo começou a reação coletiva. Estádios inteiros em uníssono. Gritou o Mineirão, em Beagá.Ecoou o Engenhão, no Rio. Quero ver expulsar todo mundo…
Bem própria do humor brasileiro, a azaração não perdoa. Já aparecem cartazes escritos #ForaVocêSabeQuem, em alusão ao Valdemort, personagem aterrorizante da série Harry Porter.

Na verdade, a desobediência civil antecipou-se à decisão judicial.
A Justiça Federal, acionada pelo Ministério Público, faz valer a lei. Pelo menos enquanto durar a liminar concedida pelo juiz substituto do TRF-2, do Rio de Janeiro, João Augusto Carneiro de Araújo, nesta segunda, 08 de agosto.
Manda que a União, o estado do Rio de Janeiro e Comitê Organizador Rio 2016 “se abstenham, imediatamente” de reprimir manifestações pacíficas de cunho político em locais dos jogos. Sob pena de multa de R$ 10 mil por cada ato que viole a decisão, conforme reportagem da Agência Brasil/EBC.
Capturei no Facebook do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) imagens da sentença.

É claro que a notícia da censura e, agora, da determinação judicial, já cruzou fronteiras. O Washington Post usa a palavra “censura” na manchete, e o New York Times fala em “expulsão” e “repressão” nos jogos olímpicos. Por exemplo.
Foram notícia, também as vaias ensurdecedoras dedicadas ao usurpador, incógnito durante toda a cerimônia, ao fim da maravilhosa festa, quando declarou aberta a 31ª Olimpíada Era Moderna. Ele que vive na era do atraso, sobrevive nas trevas.
Vergonhosamente, o Comitê Olímpico se presta a bate-pau do desgoverno usurpador e golpista – que, já na véspera, anunciou que reprimiria protestos.
O COI fala do “espírito olímpico” previsto na Carta dos Jogos, de 1898″, que vedaria manifestações políticas e religiosas. Mas a gente sabe a quem se presta o papel.
Ainda que fosse do COI a iniciativa, mais grave o seria, uma vez que fere à Constituição Federal do País que acolhe a Olimpíada. Nada, nenhuma regra se sobrepõe à Lei Maior. Atropela a Lei Geral das Olimpíadas, além disso.
Além disso, nas competições de tiro, no Sambódromo, a Força Nacional fez o trabalho sujo. No Mané Garrincha, em Brasília e no Mineirão, ação foi da PM e de voluntários da jornada olímpica.
Por via das dúvidas, se você vai assistir alguma competição, baixe o PDF que a Frente Ampla de Trabalhadores do Serviço Público pela Democracia preparou para dar suporte à livre manifestação. Imprima-o e leve-o como medida de argumentação. Ainda tem muita olimpíada pela frente.
A lembrar que esta terça-feira, 09, é dia previsto para a votação sobre o acatamento ou não do relatório do golpe do impeachment em plenário no Senado. A hora em que finalizo esta postagem, a sessão está aberta, presidida por Ricardo Lewandowski, presidente do STF.
Isso quando o usurpador interino, o ministro trapalhão das Relações Exteriores, José Serra, e o chefe da Casa Civil repressor são citados nominalmente em delação de executivos da Odebrecht, mais uma vazada, à espera da oficialização pela PGR e Corte Suprema.
O nome disso é República da Esculhambação e da fraude.
É Dia Nacional #ForaTemer nas ruas de todo o Brasil. Aqui, no Recife, concentração a partir das 15:00 horas, na Praça do Derby, a Praça da Democracia. Em Belo Horizonte, na Praça Afonso Arinos, a partir das 17:00 horas. Em São Paulo, no vão do Masp, também a partir das cinco da tarde. Por exemplo.
A presidenta Dilma falou a respeito no Circo da Democracia, atividade-cidadã que acontece em Curitiba desde o dia 05 e que segue até o dia 15. Belo contraponto ao que representa a res-pública seletiva de Moro e sua força tarefa no MPF.
“Estamos aqui no Circo da Democracia fazendo a avaliação e a reflexão sobre os caminhos que temos que trilhar daqui pra frente. Temos a obrigação de tentar parar o golpe, porque se eles tiverem oportunidade os estragos serão muito grandes.”
Dilma Roussef voltou a se posicionar pela realização do plebiscito, desta vez definindo os pontos que devem ser focados: a reforma política e a realização de novas eleições. Clique para ler a cobertura do coletivo Jornalistas Livres.
Para motivar, seguem dois vídeos que espelham a resistência: