Até quando seremos reféns dos militares?

por Sulamita Esteliam

“A tutela militar é uma questão séria. Não podemos legitimar esse tipo de atitude. Não se pode aceitar cavalo de pau na democracia. Porque a gente sabe quando o cavalo começa a trotar, só não sabe quando termina o galope.”.

José Genoíno, ex-ministro da Defesa do 1º governo Lula e ex-presidente do PT, em debate ao vivo na TV GGN, com Luís Nassif e Marcelo Auler.

A frase de Genoíno, que o A Tal Mineira destaca resume a situação e alerta para o perigo real, que nos assombra desde que o Brasil se conhece como tal, se é que se conhece. 

Diz mais:  “Ou a democracia comanda o aparato militar, ou será engolida por ele.”

Fato é que, de golpe em golpe, com ou sem tanque, o Brasil vai sempre em frente: para o atoleiro social, econômico, político, e moral também.

Os militares acham que são a reserva moral do país, que são a salvação da pátria, à revelia da Constituição. Pior é que eles estão de novo no poder, aonde chegaram escoltando, à base de ameaças aos demais poderes constituídos, o barco do inominável. 

Um barco que, está mais do que provado, trapaceou na corrida eleitoral. E só ancorou no Planalto porque as instituições soçobraram ao vento da conveniência.

Diziam que era para acabar com a mamata. Mas o que queriam mesmo era locupletar-se, bem se vê: são perto de 8 mil militares no governo, nadando de braçada, com aposentadoria integral, e a nata hierárquica com altos salários além do teto constitucional.

Foram pegos, de novo, com a mão na cumbuca, nas tramoias de compras de vacinas com benefícios indeclaráveis. Desmoralizados, valem-se de sua principal arma: a ameaça.

Não se sabe bem quem é o comando, quem é o ventríloco, quem engole vento e quem arrota valentia. Fato é que capiroto-presidente e forças armadas (assim mesmo em minúsculas) se completam no jogo do faz-desfaz, ameaça-desmente, morde-assopra. 

Tergiversam, mentem o tempo todo.

A última é a do ministro da Defesa, general Braga Neto, que já chefiou a Casa Civil (piada pronta) e agora coordena as Forças Armadas. Ele que era o interventor no Rio de Janeiro, quando Marielle Franco foi executada, bom não esquecer.

Segundo reportagem do jornal Estadão, desta quarta-feira, o teria enviado recado ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-SE) sobre não haver eleições em 2022, se não for aprovado o voto impresso. O próprio eco da fala do capiroto-presidente, no início do mês, dia 6, exatamente.

bragagolpe

O general nega, mas reafirma seu “apoio” ao voto impresso (nota ao pé da postagem).

Arthur Lira também nega, mas passa pano e diz que a Câmara dos Deputados não se nega a discutir nada. Só não vale para os 180 pedidos de impeachment que dormitam sob seu traseiro, óbvio.

O Estadão sustenta.

Dublê de embaixador da Igreja Universal em Angola, com dinheiro do contribuinte – o seu, o meu, o nosso dinheiro sofrido – de onde voltou a ver navios, o vice-presidente Hamilton Mourão diz que “o Brasil não é uma república de bananas” . E garante que “haverá eleições em 2022, mesmo sem voto impresso”.

Alguma coisa está fora da ordem.

Não é o Executivo, muito menos as Forças Armadas que falam sobre eleições no país.  Seu papel não é dar pitacos sobre política, muito menos chantagear e ameaçar o poder civil.

Quem coordena o processo eleitoral é o TSE. E quem define as leis eleitorais é o Congresso Nacional. Papéis definidos pela Constituição Federal.

Fosse uma democracia digna do nome, estariam todos afastados dos cargos, e os ameaçantes na prisão; no mínimo deveriam ser interpelados judicialmente. Aos invés disso, soltam-se notinhas no Twitter.

Que diabos de reserva moral é essa? Onde está escrito que os militares devem tutelar o poder civil?  A prerrogativa legal que lhe cabe é garantir a defesa do país contra as ameaças externas, e ponto.

Fora disso, é chicana, é golpe!

E o povo brasileiro não pode permitir que aconteça, de novo. Basta!

Por falar nisso, dia 24J tem povo na rua para mais um #ForaGenocida et caterva!

Compartilho o vídeo da TV GGN com Genoíno:

A nota de Braga Netto

“Hoje, foi publicada uma reportagem na imprensa, que atribui a mim mensagens tentando criar uma narrativa sobre ameaças feitas por interlocutores a presidente de outro poder. O ministro da Defesa não se comunica com os presidentes dos poderes por meio de interlocutores. Trata-se de mais uma desinformação que gera instabilidade entre os poderes da República e um momento que exige a união nacional. O Ministério da Defesa reitera que as Forças Armadas atuam e sempre atuação dentro dos limites previstos na Constituição.

“A Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e Força Aérea Brasileira são instituições nacionais, regulares e permanentes, comprometidas com a sociedade, com a estabilidade institucional do país e com a manutenção da democracia e da liberdade do povo brasileiro.

“Acredito que todo o cidadão deseja maior transparência e legitimidade no processo de escolha de seus representantes no Executivo e no Legislativo em todas as instâncias. A discussão sobre o voto eletrônico auditável, por meio de comprovante impresso, é legítima, defendida pelo governo federal e está sendo analisada pelo parlamento brasileiro a quem compete decidir sobre o tema”.

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Fontes requisitadas:

Tijolaço

Desmentir ou demitir-se: Braga Netto não tem outra saída 

Mourão é o soprador oficial das mordidas de Bolsonaro

DCI

Corrupção na ditadura: 5 histórias envolvendo desvio de dinheiro

Um comentário

  1. Os militares sugam o orçamento público. São uma capitania hereditária. Escola, hospital, clube, condomínios. Eles têm tudo exclusivo. Nem precisam fazer concurso público. O alistamento obrigatório é um escândalo. Cinquenta é três por cento da população brasileira é negra. No alistamento devem se apresentar 53% de jovens negros. Quantos generais, almirantes e brigadeiros negros têm nas forças armadas? São uns canalhas preguiçosos. Ladrões do dinheiro público.

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