História resgatada em livro: o III ENE, ou quando estudantes desafiaram a ditadura

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por Sulamita Esteliam

A amiga Izabel Zoglio, jornalista com quem trabalhei alguns anos em Belo Horizonte, me envia um recado-convite pelo Zap-Zap, que compartilho com você que sempre me dá a honra do acesso a este blogue, a despeito da infrequência nas postagens.

O convite: sábado, 11, na Escola de Medicina, acontece o lançamento do livro “Se baterem, cantem!”, sobre o desafio estudantil aos milicos que governaram este país pelo longo tempo de 21 anos.

O enfrentamento se deu em junho 1977, no DA da Escola de Medicina, no icônico bairro de Santa Efigênia. 

Um encontro que esbarrou na repressão. O arrasto se deu no mesmo endereço da Av Alfredo Balena, 190, onde agora se resgata a história em forma de literatura: de 16h às 19h.

O ato de desobediência civil resultou na prisão de oito centenas de estudantes de toda Pindorama; ficariam detidos cerca de três centenas e meia. 

Importante registrar que a refundação da UNE, motivo do frustrado III Encontro Nacional dos Estudantes em Beagá, foi adiada, mas aconteceu: três meses depois, na PUC-SP, quando 1,5 mil estudantes foram presos, suplantando a até então maior detenção em massa de todos os tempos no Brasil, a tentativa de recriação da entidade estudantil na capital mineira.

Bom, o livro em lançamento é obra coletiva de quatro mulheres, todas jornalistas mineiras, sob a coordenação, da também jornalista e historiadora, Cândida Lemos.

Participam Ângela Drummond, Izabel Zoglio, Samira Zaidan e Virgínia Castro, um time de mulheres porretas, com quem tive a felicidade de compartilhar redação nos tempos  de exercício da reportagem.

Sob as bençãos da Lei Rouanet/Ministério da Cultura, a obra é patrocinada pela Emgea, empresa do governo federal do Brasil. É o resgate histórico do desafio estudantil aos gestores daqueles tempos sombrios. 

Não é a primeira obra das artes a contar a história. Há romances que se inspiram no movimento, e filmes sobre o episódio. Por exemplo,  “Nós que amamos a Revolução”, romance do amigo Américo Antunes, de 2016, pela Alameda Casa Editorial. Li e gostei muito, recomendo.

A diferença é que, agora, o enredo se desenrola a partir de documentos encontrados em um arquivo morto em Brasília.

As 365 páginas são fruto desses registros e mais 80 entrevistas com participantes e jornalistas que fizeram a cobertura à época. Dentre outros:

  • Laís Abramo, socióloga paulista, doutora em Sociologia pela USP
  • Aloízio Mercadante – ex-deputado e ex-senador pelo PT/SP, ex-ministro da Educação, atual presidente do BNDES
  • Emerson Fidelis, médico ortopedista e fisioterapeuta, formado pela UFMG, um tampa de crush da cirurgia de quadril
  • Mauro Borges, professor aposentado da UFMG e funcionário da Caixa em Brasília
  • Flamínio Fantini, jornalistas mineiro
  • Rogério Correia, deputado federal pelo PT-MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bebel, é assim que a chamamos, tempos depois, e até recentemente, dirigiu o Jornalismo da Rede Minas; a TV pública praticamente desmontada pelo Romeu Zema, que a coloca a serviço do seu desgoverno. Daí que as pessoas incômodas são retiradas do caminho. 

Gosto muito da Bebel, uma capricorniana do primeiro decanato, feito Euzinha. Fiquei bem feliz por sabê-la partícipe deste livro, que traz à luz episódio de suma importância num país que não pode se orgulhar de ser desmemoriado.

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