Dilma é aclamada no Rio: “Mulher sabe, sim, governar”

“O critério para medir o desenvolvimento do Brasil não pode ser o crescimento do PIB. Meu compromisso é erradicar a miséria no país. Ninguém respeita quem deixa uma parte de seu povo na miséria.”

Dilma Roussef, candidata do PT à Presidência da República Teatro Casasagrande, Rio de Janeiro, 18 de outubro de 2010

Por Sulamita Esteliam
Discurso firme e emocionado para plateia de artistas, intelectuais e jornalistas. Foto Roberto Stuckert Fo

Consagração é a palavra que, para mim, define o ato que reuniu artistas e intelectuais em apoio a Dilma Roussef no Teatro Casagrande, noite passada, no Rio.

Acompanhei pela rede, via transmissão ao vivo disponibilizada no blogue Dilma 13. Postei alguma coisa no twiter, e só agora pude assumir as teclinhas para escrever a respeito.

Já passavam das 22 horas, horário de Brasília, quando a candidata do PT à Presidência da República encerrou o discurso, aclamada pelas cerca de 2 mil pessoas que lotaram o espaço. Um passeio pelas questões centrais e estratégicas focadas pelo governo Lula, as quais pretende manter e ampliar. Um discurso  longo, mas firme, seguro, bem encadeado: “Mulher sabe, sim, governar.”

Cercada e aplaudida por por dezenas de celebridades  das artes e das letras, e ovacionada pelo coro de vozes que cantavam olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma…!

Dilma começou dizendo que ali estavam as músicas que ouviu e os livros que leu, e que marcaram sua juventude, sua vida; e que embalaram seus sonhos – e de gente, como Oscar Niemayer, que sonharam desde muito antes dela: “Eu comecei a sonhar na década de 60, que o Brasil podia e tinha que mudar. Sonhamos a revolução, lutamos por ela… e aprendemos a perder. Quem aprende a perder, aprende a resistir”.

Lembrou, dirigindo-se a Chico Buarque, que estava na prisão, encarcerada pela ditadura no Presídio Tiradentes, em São Paulo, quando ouviu pela primeira vez “Apesar de você” -música-hino contra o arbítrio militar, composta por ele. Era dia 21 de abril, Dia de Tiradentes.

Confessou que ela e os companheiros de cadeia levaram tempo para entender o significado dos versos, e identificar quem “era você” e quem era “Chico”. E, sem citar nome, fez um parêntesis para mandar um recado para bom entendedor: “Digo que apesar de você, amanhã há de ser outro dia…”

Para ouvir o discurso de Dilma, clique aqui.

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Dilma, cansada, mas com fogo na alma

Na mesa e no palco, Chico Buarque, Alcione, Oscar Niemayer, Beth Carvalho Emir Sader, Ziraldo, Antônio Grassi, Leonardo Boff, Paulo Betti, Fernando Morais, Hugo Carvana, Lia de Itamaracá, Chico César, Leci Brandão, Alceu Valença, Tom Zé, e tantos outros…

Lia de Itamaracá cantou sua ciranda mais famosa para saudar a candidata do PT. Beth Carvalho, com autorização de Serginho de Meriti, parodiou o sucesso de Zeca Pagodinho: “Deixa a Dilma me levar/Dilma leva eu…”

Leonardo Boff, filósofo da Teologia da Libertação – que votou em Marina, no primeiro turno – fez um discurso emocionante: “A ecologia não é só ambiental, é ecologia social, mental (…) Lula fez a maior ecologia social do Planeta (…) a revolução do óbvio (…) a política amorosa para o povo brasileiro”.

Valeu-se da metáfora preferida do presidente, e associou o desenvolvimento econômico e social do país ao futebol: ‎”Como nunca nesse país, vimos um fato inédito no mundo: 23 milhões de pessoas sairam da miséria. Isto é toda a torcida do Corinthians. Outros 34 milhões ascenderam à classe C: é toda a torcida do Flamengo. E para elevar a metáfora: a soma disso dá 57 milhões de pessoas, o que equivale a toda a população da França. Isto tem uma magnitude histórica que não podemos perder. Por isso, certamente, Dilma vai fazer as reformas que Lula não pode fazer. Porque agora terá maioria no Congresso.”

Clique aqui, para ouvir e ver, é imperdível.

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Dilma e o "anjo Gabriel" Chico. Entre eles, Emir Sader

Antes, botou Chico numa sinuca de bico, entregando o microfone ao tímido “anjo Gabriel”, que não teve saída a não ser falar.

E falou com a propriedade e a brevidade dos poetas:  “Venho aqui reiterar meu apoio entusiasmado à campanha da Dilma, essa mulher de fibra, que já passou por tudo, não tem medo de nada. Vai herdar o senso de justiça social, um marco do governo Lula, um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores e os garis.”

Já solto, resumiu, emendando uma brincadeira com uma das frases preferidas do presidente: “A forma de Lula governar é diferente. O Brasil que queremos não fala fino com Washington e nem grosso com Bolívia e Paraguai. Por isso, é ouvido e respeitado no mundo todo. Nunca antes na História desse país houve algo assim…”

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O Ato Cultura com Dilma, no Teatro Casagrande, e o manifesto de apoio a Dilma foi organizado pelo sociólogo, cientista político, articulista de Carta Maior e blogueiro, Emir Sader.

“É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana”, diz o manifesto de artistas e intelectuais pela eleição de Dilma.

Para saber mais detalhes  do ato e do manifesto, acesse:

O manifesto dos artistas e intelectuais está em dilmanarede.com.br

A reportagem de Carta Maior sobre o evento

O artigo de Gilberto Maringoni, em Carta Maior: Artistas e intelectuais repetem um palanque como o de 1989

Poema de Pedro Tierra, lido no ato: Os filhos da Paixão

As fotos do evento, no clique de Roberto Stuckert Filho, podem ser vistas aqui

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